Jeremias 26,11-16.24 Na verdade o Senhor enviou-me para falar tudo isso a vossos ouvidos.
Na continuação do cap.26 cujo início foi a leitura do dia anterior, Jeremias acuado e acusado termina por convencer com sua palavra de que o resultado de seu julgamento seria a condençao de um inocente. “O Senhor enviou-me para falar a vosso ouvidos”. A profecia é mensagem dirigida aos que são sensíveis à conversão, isto é, a uma mudança de vida ao reconhecer os caminhos trocados. O pretexto apresentado pelos que pediam a morte de Jeremias era de que ele falava contra o santuário e a cidade supostamente propriedade do Senhor. Muitas vezes talvez nós mesmos nos escandalizamos com palavras sob o pretexto de que elas criticam a Religião. E fechamos os ouvidos aos apelos de mudança de rumo para nossa própria vida que não era conduzida pelos caminhos do Senhor.
Como os oráculos e profecias nos tempos do Profetismo, temos hoje: livros, pregações (e pregadores), teologias (e teólogos), celebrações, liturgias, retiros, encontros, movimentos e tendências dentro das comunidades cristãs. Todo mundo se apresenta como representante do Senhor. Um dos critérios para julgar a autenticidade desses “oráculos” é sem dúvida perceber se nos ajuda à conversão de vida. Assim poderemos dizer, quem sabe, como no verso 16: ele (ela, esse livro, esse movimento, essa proposta) não merece condenação (pois falou-nos em nome do Senhor). Ou seja: tocou nosso coração de tal modo que nos conduz à “conversão” (quer dizer: a abrir os ouvidos ao Espírito pois só Ele nos leva a fazer o Bem (amar). Há poucos dias meditávamos (1ª.carta de João): quem não ama não conhece a Deus pois Deus é amor.
Sem buscar esse discernimento muita gente se diz escandalizada e condena os “outros” (grupos, movimentos, textos, etc.). Nem tudo que parece corromper nossos “santuários” e nossos costumes e hábitos (como ocorreu no julgamento a que Jeremias foi submetido) merece condenação. Pode ser que, ao contrário, até nos fale a nossos ouvidos “em nome do Senhor” (verso 16). Desejemos também que os autênticos “profetas” encontrem amigos que lhes possam dar proteção (cf. verso 24). Entretanto, como aconteceu com o Batista (cf.evangelho de hoje), o profeta pode ficar sem proteção contra os assassinos.
O primo de Jesus, afinal, acabou preso pelos inimigos que o mataram, tanto por causa do ódio que tinham (não gostavam de ouvir João criticando Herodes por ter tomado para sua concubina a esposa do próprio irmão - Felipe) como por causa de decisão baseada em motivos fúteis (nesse caso, para agradar à sua amante - Herodíades)...
. Os conterrâneos de Jesus não entendiam o porquê dos Seus milagres nem de onde vinha a Sua sabedoria e se perguntavam sobre a origem da sua autoridade, admiravam-se de seus ensinamentos e de sua poderosa ação.
Assim como os profetas do Antigo Testamento foram rejeitados, Jesus também o foi, principalmente na Sua terra, no meio do Seu povo e da Sua parentela. Ele era homem igual a todos os outros, conviveu no meio da Sua família, trabalhou, chorou, sofreu, e teve que encarar as mesmas dificuldades que nós hoje também enfrentamos.
Jesus não perdeu tempo com quem se obstinava em não aceitá-lo. Por isso, não realizou em Nazaré muitos milagres. Seria perda de tempo, acarretaria ainda mais maledicência, acirraria os ânimos do povo. Por isso, seguiu em frente, buscando quem estivesse aberto para deixar-se tocar por sua mensagem. O fracasso não o abateu nem atenuou o ardor com que realizava a missão que o Pai lhe tinha confiado.
E o grande empecilho para que Ele, como Enviado do Pai, operasse milagres na sua cidade, era a falta de fé da sua gente. O seu povo não conseguia enxergar os sinais de Deus por meio de dele, por isso, também não usufruiu da Sua assistência e do Seu poder libertador.
Ainda hoje acontece isto dentro da nossa casa e no meio da nossa família, quando, em Nome de Jesus nós também anunciamos a sua Palavra e queremos ver acontecer maravilhas que pessoas fora do nosso convívio conseguem vivenciar.
Somos hoje também os “profetas que não são estimados em sua própria pátria e em sua família”, como disse Jesus. A nossa sabedoria vem do alto e nós somos apenas meros instrumentos por onde Deus opera milagres e prodígios.
Precisamos também ter consciência de que aquele que fala em nome de Deus será perseguido, mas tem a assistência do Seu amor. Por outro lado devemos estar atentos para não banalizarmos as pessoas que dentro da nossa casa nos abrem os olhos e são canais do Senhor para nossa conversão. Ouvidos atentos e coração aberto, porque o Senhor fala por meio de quem nós nunca nem esperávamos que falasse.
Meu irmão, minha irmã reflitamos : Você tem “escutado” as pessoas observando se elas são instrumentos de Deus para você?Você tem tentado dar a mensagem que Deus coloca no seu coração para alguém? Por que você não se põe de pé e vai falar? O Senhor está esperando por você!
Os mestres da Lei e os fariseus conheciam como ninguéma Lei de Moisés. E apesar de saber interpretá-la e explicá-la para o povo, eles mesmos não a praticavam. Por isso Jesus recomendou aos discípulos que ouvissem as suas explicações, porém não os imitassem. Por que os mestres da Lei e os fariseus, exigiam dos outros o cumprimento da Lei. Porém eles mesmos não faziam nada para observá-la.
Nós, catequistas, padres, coordenadores de comunidades e pastorais, não devemos ser como os fariseus e mestres da Lei, mas sim como Jesus. Precisamos imitar o Mestre, vivendo o que mostramos aos outros que cremos, assim como o que ensinamos. Porque todos estão de olho em nós para verse praticamos o que falamos e ensinamos. É até possível que sejamos testados. Alguém pode ser enviado a nós com alguma proposta do tipo bem tentadora, só para ver se caímos no laço. De nada adianta alguém conhecer os ensinamentos de Cristo tão bem ao ponto de interpretá-lose de explicá-los tanto oral como escrito, e viver uma vida que não condiz com aquilo que prega, aquilo que ensina.
Prezados irmãos. Que Deus na pessoa de Jesus Cristo, nos ajude a viver a palavra a qual ensinamos. Nós precisamos estudar a palavra de Deus, mas também precisamos vivê-la para que possamos merecer a iluminação do Espírito de Deus, senão não conseguiremos fazer nada em termos de evangelização.
Palavras sem exemplos são como tiros sem balas. Diz o ditado popular.Se eu falo e não pratico, o meu trabalho missionário e nada é a mesma coisa. Porque até uma criança percebe que estamos sendo mentiroso, ou o pior, estamos vivendo uma mentira, quando nos fazemos passar por uma coisa a qual não somos. Santos, ou cristãos autênticos.
Rezemos e peçamos a Jesus que nos ajude a viver tudo aquilo que ensinamos no nosso trabalho missionário. Amém.
“Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado. “
É mais ou menos como “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros”.
Jesus está nos recomendando para que não queiramos parecer os melhores, os mais importantes, pois quando aparecer alguém realmente importante, ficaremos envergonhados. E aqueles que se comportam com humildade, podem ser convidados a fazer parte do grupo das pessoas importantes. Isso é coisa comum que pode ocorrer na nossa vida, no nosso dia a dia. Jesus, que foi o maior psicólogo da face da Terra, pois conhecia como ninguém o funcionamento da mente das pessoas, nos orienta e nos alerta para que não passemos por situações desagradáveis.
E aqui vamos fazer um lembrete importante para todo aquele que pretende explicar a palavra de Deus, através de homilias e reflexões. Seria indispensável, conhecer psicologia para entender a natureza humana como as pessoas agem e reagem. Assim, estaremos imitando um pouco aquele que fez os melhores sermões. Jesus Cristo.
Se exaltar é também querer ser melhor que os demais, agindo com arrogância, e intolerância às deficiências físicas, sociais e mentais. Deficientes físicos são todos aqueles que tiveram sua locomoção prejudicada por algum problema no seu corpo principalmente nos ossos; Deficientes sociais, são todos os que não possuem recursos o suficiente para ter uma sobrevivência decente, são os pobres; Por deficientes mentais entendemos aqueles que nasceram com Q.I. (Quociente de Inteligência) abaixo de 80, e que nem sempre respeitamos, e, pelo contrário, são motivos de chacotas e de piadas.
Essas pessoas tentam sobreviver como todo mundo e logo chegam a conclusão que não conseguem resolver os problemas não só de matemática, mais também os demais problemas que a sobrevivência se nos apresenta.
Já no tempo de escola a sua família fica triste ao perceber que aquela criança não consegue entender as lições com os demais alunos. Porém, a referida criança nesta faixa etária, ainda não tomou consciência da sua deficiência, e brinca quase que normalmente.
Já na adolescência, começa o seu sofrimento ao ser discriminado(a) pelos colegas, ao ser criticado, ao ser chamado constantemente de “burro”. Isso o faz sofrer muito, e não quer mais ir para a escola.
À medida que vai crescendo, seu complexo de inferioridade vai aumentando, e sua autoconfiança sempre diminuindo. Se arruma algum emprego não consegue manter-se no mesmo. Pois comete erros fatais que acarretam prejuízo na firma ou na empresa.
Aí veio a fase adulta. Solidão, desemprego, falta de dinheiro para comprar as coisas que todo mundo compra, revolta contra Deus por tanto fracasso, por ter nascido daquele jeito, deficiente mental, e muita agressividade com todos.
Está aí porque você nunca vê o mendigo rezando. Ele fica na porta da igreja por muito tempo. Quando encerra seu ”expediente”, ele vai embora, digo, muda de lugar, sem sequer entrar no templo para falar com Deus. Isto porque aquela criatura está magoada, revoltada com o Criador, como um filho fica de mal com seu pai que não o deixou ir ao baile, ou que não lhe deu a maior parte da herança, sei lá o que mais...
Que podemos fazer por essas pessoas? Provavelmente existe um deles em nossa própria família. São pessoas dignas de dó, e que deixam os pais muito infelizes, ao saber que quando morrerem vão deixá-lo nesta vida sem ninguém para tomar conta. Neste caso fica difícil “não se preocupar com o dia de amanhã”. Os pais ás vezes sofrem mais que o referido filho(a) portador deste tipo de deficiência.
Por vezes morremos de dó, já outras vezes ficamos irados por causa da agressividade desse tipo de pessoas que colocam a culpa dos seus fracassos sempre nos outros e em Deus. Os pais dão todas as coisas que precisa para sobreviver, e horas depois aquela pessoa está agredindo os pais pelos motivos mais banais, como por exemplo, jogando na cara dos pais alguma coisa que eles disseram para o seu próprio bem. Às vezes os pais acabam também desanimando, e só o que lhes resta a fazer como ajuda ao filho(a) deficiente mental é rezar. Rezar muito. Muito mesmo!
Sal.
CONCLUSÃO
Dois elementos são importantes para nós a partir da leitura do Evangelho de hoje. O primeiro é que nenhum ser humano pode ser para nós modelo absoluto para a vivência do Evangelho, uma vez que todas as pessoas são pecadoras. O segundo é que não podemos fazer da religião forma de relação de poder e de promoção pessoal. As distinções que existem na vida religiosa devem ser de cargos e funções, porque existem ministérios diferentes, mas todos na Igreja têm uma dignidade igual: a de filhos e filhas de Deus. Mesmo dentro da Igreja, a hierarquia só pode ser concebida à luz do Evangelho e a partir do conceito de serviço. (CNBB)
"A falta de amor é um grau de imbecilidade, porque o amor é a perfeição da consciência." (Rabindranath Tagore)
EVANGELHO DE HOJE Eu creio que o senhor é o Messias
Jo 11,19-27
E muitas pessoas tinham vindo visitar Marta e Maria para as consolarem por causa da morte do irmão. Quando Marta soube que Jesus estava chegando, foi encontrar-se com ele. Porém Maria ficou sentada em casa. Então Marta disse a Jesus:
- Se o senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido! Mas eu sei que, mesmo assim, Deus lhe dará tudo o que o senhor pedir a ele.
- O seu irmão vai ressuscitar! - disse Jesus.
Marta respondeu:
- Eu sei que ele vai ressuscitar no último dia!
Então Jesus afirmou:
- Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá. Você acredita nisso?
- Sim, senhor! - disse ela. - Eu creio que o senhor é o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.
COMENTÁRIO DO EVANGELHO
Hoje se faz a memória de veneração muito popular: Marta. Sobre ela e sua irmã Maria meditamos no domingo dia 18, tirando dali a lição da absoluta centralidade do contato com o Transcendente mesmo quando, Marta, com sua queixa, deixa transparecer seu humano cansaço por tanto trabalhar e servir. No entanto, o próprio evangelho de João, relata outras visitas do Mestre à casa desses amigos, Marta, Maria e Lázaro como nesse capítulo 11, lido hoje; para lá ele foi logo que soube da morte de Lázaro. O escritor do evangelho diz ao iniciar esse relato: “Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro” (João 11,5).
No texto do dia 18 (Lucas 10,38ss) Jesus para – numa de suas viagens – na casa desses seus amigos muito queridos. Em João 12, a mesma casa, e durante uma daquelas refeições freqüentes, será a cena em que Maria derrama um perfume caríssimo nos pés do Mestre. O gesto leva Judas (que o trairá) a ficar resmungando porque – explica o evangelista – dizia que o dinheiro gasto com o perfume deveria ser dado aos pobres quando, na verdade, sendo uma espécie de tesoureiro do grupo costumava desviar uma “comissão” para o próprio bolso.
O evangelho de hoje situa-se semanas antes desse último encontro com a família de Betânia antes da Páscoa. O episódio da ressurreição de Lázaro, aliás, foi, segundo João, a gota d’água que faltava para chefes religiosos e líderes sociais decidirem a morte de Jesus. Marta corre para encontrar o Mestre que está chegando na aldeia enquanto Maria esperava em casa. Primeiro Marta, depois Maria, repetem para o Mestre: Senhor, se aqui estivésseis meu irmão não teria morrido! Com Marta, o Mestre mantém longo diálogo que culmina na resposta de fé dada por ela. O tema aqui, é sobre aquele que afirma: “Eu sou a ressurreição (e a vida)”; quem vive e crê em mim não morrerá para sempre”.
Mas, como em outros momentos, aqui também vemos a figura de Marta, que recebia os hóspedes em casa, que corre sempre para interpelar o Mestre, para chamar sua irmã pedindo que vá também ao encontro do amigo que chega. Marta se parece com essas pessoas sempre ativas, sempre liderando nas situações e buscando solução para os problemas, mesmo quando reclama sobre o acúmulo de serviços ou lamenta a ausência do Mestre na doença mortal de Làzaro.
A primeira leitura (1ª.carta de João) de hoje ressalta esse mesmo amor fraterno que existia entre os 3 irmãos daquela família e entre eles e Jesus. Ou a amizade dos amigos da família que choravam a morte recente de Lázaro, e que comoveu o Mestre a ponto de fazê-lo estremecer e chorar. A ressurreição de Lázaro é o sétimo “sinal” apresentado pelo autor do 4º evangelho, não como “prova” – cf;João 2,18 e 6,30 – mas indicadores que conduzem à fé (cf. Jo 6,26 e 12,37. Para João o “sinal” não é imprescindível para a fé (“bem-aventurados os que não viram e acreditaram”: Jo 20,29) mas, diz o nome sinalizam ou apontam para a fé de quem se dispõe a aprofundar-se nesse Mistério.
A cena de hoje, narrada no evangelho, mostra detalhes tão humanos quanto são divinos os pensamentos e reflexões teológicas de João na Primeira Carta. Nela, ele insiste sobre o tema do Amor. E repete sob formas e ângulos diversos, o núcleo da Boa Nova: amar uns aos outros... conhecer a Deus... o Filho traz a vida ao revelar o Pai... a doação, a nós, do Espírito... a união entre os seres humanos e o criador... as “provas” e testemunhos da presença divina estão no meio da vida humana... Tudo isso está resumido em várias frases. Mas há uma, talvez a mais famosa entre todas, que vale mais que todos os livros sagrados meditados e mais ainda que todos os outros livros que procuram sua interpretação e aplicação:
Quem não ama não chega a conhecer a Deus. Porque Deus é amor (verso 8 da 1ªcarta de João).