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3 de jul. de 2011

Mão de Obra Qualificada - Diac. José da Cruz

05 de Julho

 

Evangelho Mateus 9, 32-38

 

                                

 

Nos trabalhos do Reino de Deus, jamais iremos encontrar a placa detestável "NÃO TEMOS VAGA", ao contrário, todo colaborador é muito bem vindo. Essa afirmativa de que, a messe é grande e os operários são poucos, fez a minha equipe de Teólogos discutirem entre si em um caloroso debate. Que negócio é este? Deus precisa do homem para construir o Reino e realizar a ação salvadora e libertadora de todos os homens? Interessante porque não se trata de um "Faz de conta", é o próprio Jesus que fala aos discípulos para pedir ao Pai para que este envie trabalhadores para a messe. Não parece que Jesus está fazendo uma "onda" com os seus discípulos, a coisa é muito séria...

É usando a sua liberdade, dom de Deus, que o homem aceita ser um colaborador na obra da Salvação, sem o pressuposto da liberdade, não haverá abertura e correspondência ao chamado, mas o homem precisa realmente ser livre.... Esse mudo que aparece logo no início do evangelho era um bom cristão na comunidade, mas a Força do Mal sufocava a Palavra,. O anúncio não acontecia...Liberto por Jesus, agora o homem que era mudo fala e proclama os louvores de Deus provocando duas reações diferentes: as multidões se admiram mas os chefes dos Fariseus atribuem o poder ao Príncipe dos Demônios.

A oposição quando é burra, é exatamente assim, não consegue enxergar nenhum valor em seu adversário ou oponente, tudo nele é ruim, tudo o que faz é mal feito, não tem nenhum valor. Não é assim na política ? Alguém já viu adversário político enxergar o Bem na ação do seu oponente? Claro que não, pois isso daria ponto ao outro. Mas os Chefes dos Fariseus são, em uma linguagem mais de hoje, um bando de Antas, pois como é que atribuem uma ação boa a força do mal ? Acho que os Demônios ficaram possessos, pois na visão Farisaica, fizeram uma ação libertadora, e assim acabaram desmoralizados, porque colaboraram com o Reino de Deus.

Voltemos á reflexão em seu início, a primeira virtude que Jesus exige dos seus colaboradores é a misericórdia, olhar as multidões e compadecer-se delas, se isso faltar a um evangelizador ou anunciador da Palavra, o mal será terrível. Jesus, aquele que instituiu a nossa igreja e enviou seus discípulos nunca permaneceu indiferente diante das multidões cansadas e abatidas. Hoje esse quadro continua em nossa sociedade, qual a nossa postura? As pessoas estão desanimadas porque falta-lhes a Esperança, não conseguem vislumbrar nada de bom, pois pensam que o Mal venceu a humanidade...Quem falou ? Então é preciso que eles conheçam a Jesus o Sumo Bem, o Salvador e Libertador, aquele que abre a nossa boca de certa mudez, e faz de nós anunciadores da sua Palavra...Há muito trabalho pela frente, a Messe é grande, não percamos tempo....

 

O Deus que cura, é o Deus da Vida.... - Diac. José da Cruz

04 de Julho

 

Evangelho Mateus 9, 18-26

 

                                         

 

O evangelista Mateus, que escreve para seus conterrâneos, de vez em quando gosta de dar umas "afinetadas" de leve na comunidade judaica, como faz hoje nesse evangelho, ele quer evidenciar em Jesus aquilo que é essencial, a sua ação profundamente libertadora e que só requer uma coisa: A Fé.  Os Judeus pensavam que a observância á Lei de Moisés era o que garantia a pertença ao Grupo dos Salvos e Libertos, mas quando ficamos só no legalismo em nossa relação com Deus, não experimentamos a Libertação que o Senhor nos oferece gratuitamente.

Mas na Comunidade tradicional, enraizada na tradição de Israel, tem gente que se abre para o Novo, tocado pela Graça de Deus, é o caso de Jairo, Chefe da Sinagoga, que se prostra diante de Jesus, esse prostrar-se é muito significativo, pois reconhece o Senhorio e a Divindade de Jesus, tanto isso é verdade, que coloca diante dele algo que somente um Deus poderia fazer: restituir a vida a Filha que acabara de morrer... Jairo era um homem religiosamente correto mas viu algo de novo em Jesus de Nazaré, alguém que poderia dar a Vida á Filha morta.

A mulher que na narrativa de Mateus, pega carona  no evangelho, é diferente, não pertence a comunidade, pois está na condição de impura, por causa da sua longa e incurável enfermidade. Em ambos o evangelho enaltece a Fé, que é dom de Deus concedido aos homens, aos religiosos e não religiosos, a pecadores e santos. Não somos nós que fazemos brotar de nós a Fé em Jesus Cristo, mas é Ele que nos atrai, o Pai nos atrai para JESUS, e ele nos atrai para o Pai.

Deus é Senhor da Vida, Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, sendo portanto Deus da Vida, restaura qualquer deficiência física ou espiritual. Cura as nossas feridas mais antigas, as doenças da alma e do coração, mas tudo como dom gratuito e incondicional.

A mulher foi curada e a Filha de Jairo ressuscitada, apesar do clima de desespero que estava na casa dele.

Comunidade Cristã é lugar de ressuscitar mortos, é ,lugar de exercitar o poder da cura, mas não limitemos a nossa visão ao meramente biológico ou Físico, mas também ao Espiritual, pois não somos só corpo, há em nós um homem novo a partir de Jesus Cristo,

Na comunidade a Força do Amor continua ressuscitando muitos mortos, e curando almas feridas e corações machucados pelo pecado, em uma continuidade perfeita da Obra da Libertação.

 

Testemunho Firme, mesmo com os Ventos contrários - Diac. José da Cruz

08 de julho

 

Evangelho Mateus 10, 16-23

 

                                                                    

 

Esse evangelho tem como contexto o início do Cristianismo algum tempo após a ascensão de Jesus, 60 a 80 anos, quando os Cristãos foram expulsos da Sinagoga

Passando a ser uma seita derivada do Judaísmo, a essa perseguição interna, segue-se também a eterna, por parte do Império Romano. Nesse ambiente totalmente hostil ao evangelho, os cristãos se perguntavam se valeria a pena continuar com o anúncio e a vida nas comunidades mas havia também o medo, temiam por suas vidas e por suas Famílias, o que dizer diante dos interrogatórios feitos pelos poderosos? Como defender-se nessa situação desesperadora....

O evangelista quer lembrar á sua comunidade que Jesus nunca enganou a ninguém, não foram enviados para navegarem com o vento a favor, mas sempre em meio as contrariedades, em meio a Lobos vorazes que querem destruir e devorar.

O discípulo deverá ser prudente como as serpentes, isso é, ter em seu trabalho do Reino o bom censo e o equilíbrio, ser discreto e comedido, as serpentes não se expõe mas agem muito discretamente. Tive um amigo que cismou de fazer pregação na hora do almoço em um salão de jogos da empresa, achando que ali naquela hora era preciso falar do evangelho aquelas pessoas, foi advertido pela chefia, justamente porque não teve bom censo, equilíbrio em sua ação evangelizadora, poderia juntar-se aos colegas naquele lazer, e com seu comportamento entre eles fazer a diferença...Certamente isso teria surtido o efeito desejado, isso é, teria anunciado Jesus e o seu evangelho, dentro do contexto do momento.

Mas há também a simplicidade das pombas, nenhum discípulo deve vangloriar-se daquilo que faz, porque nesse caso irá se tornar arrogante, prepotente, e nesse caso, a sua pregação se tornará vazia, discipulado tem tudo a ver com humildade.

O contexto de hoje não é o mesmo do primeiro século do Cristianismo, entretanto, a hostilidade ao evangelho existirá sempre e o Cristão da atualidade, que verdadeiramente abraçar com Fidelidade o Discipulado terá sempre que ter esse "jogo de cintura", esse jeitinho para abordar as pessoas sem escandalizá-las, também aqui é válida a afirmação final: não se preocupar com lindos discursos sobre Jesus e seu evangelho, mas deixar que o Espírito Santo fale, e esse Espírito se molda á cada pessoa. Enfim, ficou claro áquelas comunidades primitivas de Mateus, e também ás nossas, que o Discípulo de Jesus sempre terá pela frente muitas contrariedades, e se a missão estiver fácil demais, é melhor parar e refletir, pois Cristianismo do Oba-Oba, pode até ser muito bonito em sua aparência, mas não leva a lugar nenhum...Cristão não pode ser como macarrão, quando cai na fervura, logo afrouxa e amolece, abrindo mão de suas convicções oriundas do Santo Evangelho.....

 

09 de Julho

 

Evangelho  Mateus 10, 24 – 33

 

                                    Confiança acima de tudo.....

 

Retomo a última frase da reflexão de ontem: sobre o Cristão – Macarrão, aquele que quando as coisas esquentam ao seu redor, ele amolece, abre mão dos seus princípios e desiste de dar testemunho. Isso ocorre quando colocamos a confiança em nós mesmos, em nossos argumentos e estratégias. O evangelho deste Sábado quer lembrar-nos em quem está fundada a nossa Confiança, o plano não é nosso, somos apenas os executores, colaboradores nas obras do Reino, Jesus pede-nos a firmeza naquilo que fazemos, confiando unicamente Nele, afinal, por ele fomos enviados, falamos em seu nome, damos continuidade á sua missão e já sabemos que esta não irá resultar em fracasso, nenhuma força humana ou poder, conseguirá deter o crescimento do Reino de Deus, trabalhamos para alguém que já fez a "Força do Mal" enfiar pó rabo entre as pernas e bater em retirada....A todo momento precisamos nos animar com esse pensamento, que é verdadeiro.

Daí as orientações que Jesus faz : Primeiro não tremer na base, não ter medo de ninguém nem de nada, aqui, registro uma passagem cômica, uma catequista, que dava aulas á noite em um Vilarejo retirado, e que fazia o percurso a pé, desistiu da missão porque, em um antigo cemitério que ficava naquela região, apareciam assombrações de vez em quando, e a coitada morria de medo....O medo de qualquer coisa nos paralisa,  se tivermos a confiança necessária, conseguimos superar qualquer medo, para fazer o anuncio da Palavra.

Os discípulos devem compreender que não há o que perder, os que atentam contra a vida de um Servo de Deus, pensam estar destruindo, foi assim com Jesus, seus algozes pensaram que o tivessem esmagado na cruz. Então o discípulo não deverá temer os que podem atentar contra a Vida Terrena, o medo deve ser apenas de perder a verdadeira Vida que é o Reino de Deus.

Enfim, o testemunho deve ser coeso, marcado pela coragem e ousadia, sabendo que a missão terá êxito e o Reino chegará á sua plenitude e ninguém conseguirá impedir. Participar de um projeto dessa ordem, é para no mínimo um grande privilégio.

 

 

O discípulo não está acima de seu mestre! - Denis


SÁBADO -9 de Julho

Evangelho - Mt 10,24-33


Mateus continua o discurso apostólico de Jesus aos seus discípulos. Ontem, vimos a primeira parte desse seu discurso. Hoje, Jesus aponta para muitas observações, como: o discípulo não está acima de seu mestre, o missionário não deve ter medo dos opositores, pregar a palavra com êxito, tudo pelo consentimento do Pai do céu e declarar Jesus perante aos homens. Sendo assim, o Evangelho está divido em cinco momentos.

"O discípulo não está acima de seu mestre"(v24). Essa frase também a encontramos em Lucas 6, 40 e João 13, 16. Cada qual apresenta um contexto em que o discípulo e o servo não estão acima de seus senhores, mas estão todos numa mesma condição, ou seja, são iguais perante a um único Senhor: o Pai do céu.

Os versículos 26 a 31 correspondem a uma linguagem simples e compreensiva que Jesus usa para explicar aos discípulos a condição do discipulado, isto é, a postura de um missionário. Aqui, Jesus ainda não terminou sua missão terrestre, no entanto, ele está ensinando e orientando os discípulos que após cumprir sua missão de Redentor, eles devem proclamá-lo às nações, sem nenhum medo.

"Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus"(Vs32-33). Muitas pessoas interpretam mal esse versículo, justamente por causa da leitura ao pé da letra, sugando apenas informações interesseiras. Na verdade, essa fala é propriamente dita aos discípulos que estão se preparando para missão. Eles ainda não estão em missão. Os versículos revelam o dia do juízo final, quando o filho entregar os eleitos ao Pai (Mt 25, 31-46).

Seria muito bom, caso você deseja entender mais sobre esses versículos, ler a passagem que acabei de mencionar. Ela esclarece o último julgamento. Não é recomendável apenas ter a visão do último julgamento proposto por João no Apocalipse, outros livros, como Mateus, tratam de uma maneira muito catequética e bem detalhada.

 

Oração da vida

 

Um católico e um ateu estão no restaurante, assentados numa mesma mesa. A conversa passou da comida para o tempo, e parou no terreno da religião. Em parte por zombaria e em parte por interesse, o ateu afirmou categoricamente: Eu não acredito numa religião que só tem mistérios. Se Deus existe e se é tão bom, como iria deixar seus filhos embatucados diante de charadas e enigmas? Eu só aceito aquilo que compreendo e entendo!

O católico apertou: Temos ovos fritos no prato. O senhor sabe fazer uma fritada? Ele respondeu: Mais ou menos. Já vi minha esposa fritar ou cozinhar o ovo. Coloca a banha na frigideira. Pouco a pouco ele vai endurecendo.

O católico diz: Agora explique-me. Como está a banha antes de se colocar na frigideira? Respondeu o ateu: Uai, está dura. Depois derrete com o fogo. O católico: E o ovo? Está mole. Depois endurece com o fogo, não é? Agora note bem: O mesmo fogo amolece a banha e endurece o ovo. O senhor entende isso?

O ateu sorriu desconfiado: Não entendo. O católico continuou, em tom de brincadeira: Você não entende nem de cozinha, e quer entender de religião?

Estamos vendo uma série de bate papo na média a respeito de esporte e religião. O assunto é tão sério e concreto que às vezes se torna até chato de se comentar. Quantas piadas sarcásticas por ai, heim? Um jogador que não nega sua fé à mídia. Um ateu que indaga o abuso da fé, por parte dos jogadores, no esporte. Quem deles estão certos ou errados? Antes de muitas fofocas, sem ter conhecimento da realidade e da verdade, devemos de fato averiguar os interesses de cada qual. O mundo de hoje prega os interesses pessoais. É evidente que somos pessoas interesseiras.

O mais triste é que poucos discutem sobre a situação dos pobres irmãos nordestinos, arrasados pela chuva. Mas, se tivesse lá algum parente de jogador da seleção na copa, algo assim que interessa os meios de comunicação, pode ter certeza que o assunto sobre lá estaria mais aberto no Brasil. Porém, a grande rede de televisão brasileira, a Globo, até que tem favorecido ajuda a eles, pois, nos locais onde ela transmite jogos da seleção brasileira, recolhe alimentos. Mas, precisamos ir além...Muitos não tem casas para morar.

Numa rede online de bate-papo, o assunto era sobre o caso de fé e esporte; eu tentei puxar o assunto para a situação do nordeste acerca das fortes chuvas e a conseqüência dos milhares desabrigados, poucos corresponderam. Percebi, no entanto, que muitos estavam focados apenas na copa, e nem sabiam da situação no nordeste. Que Maria, nossa mãe, nos ajuda na missão de compreender mais a realidade. Amém.

 

Fr. Denis Francisco R. Oliveira   (denisfcssr@gmail.com)

Jesus faz um discurso apostólico - Denis Francisco

SEXTA-FEIRA - 8 de Julho

Evangelho - Mt 10,16-23

 A palavra

 Mateus apresenta uma espécie de breviário do missionário. Aqui, Jesus faz um discurso apostólico para os seus discípulos, alertando-os e preparando-os para a missão.

É bom ler todo o capítulo 10, porque apresenta a concretude da missão dos discípulos. Já no início, justamente nos versículos 2 a 5, Mateus apresenta uma lista dos nomes deles. Depois, Jesus os envia para a missão.

No Evangelho de hoje, Mateus realça, constantemente, a perseguição que os discípulos irão encontrar durante a missão, por isso que Jesus os envia como ovelhas no meio de lobos: "Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos". Eles são as ovelhas e as autoridades do Império Romano são os lobos.

Sem entrar em muito detalhe, podemos perceber, a partir do versículo 17 a 19, a conseqüência do pregar o Evangelho e do testemunhar Jesus como filho de Deus, às nações gentis.

O versículo 20 trata da ação do Espírito Santo na vida missionária dos missionários, justificando que eles não estão sozinhos, mas com a força de Deus: "Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós."

Os versículos 21 a 22, aparentemente, podem ser confusos, porém não são: "O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos levantarão contra seus pais, e os matarão. Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo". Jesus quer referir que uma pessoa, dentro de uma família, pode aceitar a proposta salvífica dada pelos discípulos, e de tal modo, àqueles que não aceitaram a proposta entregarão ao tribunal da morte, seus próprios parentes. Evidentemente, o que Jesus previu ocorreu, justamente, na perseguição dos primeiros cristãos pelo Império Romano e autoridades eclesiais judaicas.

 

Oração da vida

 

Era uma vez um homem que andava procurando a terra dos justos. Lá deveria existir homens diferentes. Lá não deveria haver corrupção, imoralidade, opressão dos pequenos, nem marginalização de espécie alguma. E porque todos se ajudam, miséria e fome não teria vez naquele país.

Saiu à procura dessa terra abençoada. Sentiu fome e frio. Enfrentou ontrariedades e desilusões. Perguntou a muita gente se conheciam esse país maravilhoso. Alguns riam dele, outros meneavam a cabeça, e todos o chamavam de louco e visionário.

Uma tarde, já esgotado de forças e consumido pela fome, avistou um grupo de pessoas rezando e lendo um grande livro. Aproximou-se e perguntou: vocês já ouviram falar de um país onde reina a justiça e a fraternidade? Eles responderam: Sim, podemos até ajudá-lo a encontrar esse reino. Nossa pista é esse livro. Nele encontra-se a seguinte passagem: "O Reino de Deus está no meio de vós". Cabe a nós encontrá-lo. Como a mina de ouro debaixo de nossos pés, bastamos que cavemos o chão para encontrá-lo. Fique com a gente. Juntos formaremos esse reino, esse país encantado onde todos se ajudam e são irmãos.

Que essa história nos ajuda a perceber nossa missão aqui na terra. Se desejamos que o Reino aconteça, no entanto, o que falta é a nossa iniciativa. A Sagrada Escritura é o mapa para a sua construção e nós somos os operários. Maria, mãe amável e admirável, mãe da pedra fundamental, ajude-nos em nossa missão de cristãos. Amém.

 

Fr. Denis Francisco Rosa Oliveira   (denisfcssr@gmail.com)

De graça recebestes, de graça deveis dar Vera Lúcia


QUINTA-FEIRA -7 de Julho

Evangelho - Mt 10,7-15

 

 Este Evangelho narra as instruções que Jesus deu aos Apóstolos, ao enviá-los em missão. São orientações válidas para nós, batizados e crismados.

"Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz." A graça de Deus acompanha os missionários e missionárias. Pelo simples fato de entrar numa casa, Deus já transmite para aquela família a paz.

"Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés." Sacudi a poeira dos pés significa não levar consigo os costumes pecaminosos da casa ou cidade. Porque há o perigo de o cristão, em vez de ser fermento, deixar-se levar pelo fermento do mundo. Se alguém não quer caminhar conosco, acolhendo a fé católica, nós também não vamos caminhar com eles. Os maus costumes do mundo pecador grudam em nós como a poeira nos sapatos. Se não tomarmos cuidado, acabamos levando para dentro da Comunidade cristã esses maus costumes. Seria "ir buscar lã e sair tosquiado". "Cuidado com o fermento dos fariseus!" (Mt 16,6). Assim como o fermento transforma a massa, somos chamados a transformar o mundo pecador, sem trazer para dentro de casa, ou do nosso coração, o pecado do mundo.

Foi por isso que Jesus criou a Santa Igreja. Nela, uma criança ajuda a outra a seguir a Jesus, um jovem ajuda o outro, um casal ajuda o outro, um político ajuda o outro e assim por diante. Os jovens que usam drogas, todos andaram em más companhias!

"Irmãos, fazei tudo sem murmurar nem questionar, para que sejais irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem defeito, no meio de uma geração má e perversa, na qual brilhais como luzeiros no mundo" (Fl 2,14-15).

S. Paulo chama o mundo de geração má e perversa. Ela tem muitas coisas boas, mas é traiçoeira e, quando menos esperamos, caímos nas suas armadilhas.

Na oração de S. Francisco, nós rezamos: "Onde houver trevas, que eu leve a luz". Levar a luz sim, mas não sair dali com um pouco de trevas grudadas em si.

Um dos pecados do mundo atual é dizer que "todas as religiões são boas". Se fosse assim, Deus não teria mandado o seu Filho para fundar uma religião, uma Igreja. Claro que as religiões têm coisas boas. Mas a verdade seja dita: Jesus fundou uma só. As pessoas seguem religiões fundadas por seres humanos, que nunca morreram nem ressuscitaram, nunca foram ao céu nem sabem o caminho para lá, e mesmo assim ensinam aos outros o caminho do céu!

Muitos estão espalhando poeira e querendo de toda maneira que ela grude em nossos pés. Mas não vamos deixar. Pelo contrário, queremos ser luz, sal e fermento no meio, aproveitando ao máximo a nossa existência na terra, como Jesus aproveitou.

Hoje é dia de Santa Paulina. É a primeira santa brasileira. Viveu em Trento – SC, onde fundou a congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Desde criança era catequista e se dedicava à promoção social.

Quando criança, Paulina trabalhava numa fábrica de tecidos. As funcionárias almoçavam na fábrica, comendo marmita que elas mesmas traziam de casa. Todos os dias de madrugada a mãe de Paulina preparava a sua marmitinha. Com o tempo, a mãe começou a perceber que a filha estava ficando magrinha. Foi pesquisar e descobriu: ela dividia a sua marmita com coleguinhas mais pobres que ela. Então a mãe, sem contar para a filha, começou a por mais comida na sua marmita. Santa Paulina faleceu dia 09/07/0942, portanto os mais velhos foram contemporâneos dela. "Em vosso caminho, anunciai: o Reino dos Céus está próximo".

Maria Santíssima foi a primeira missionária, principalmente porque nos deu o grande Missionário, Jesus Cristo. Depois, porque ela saiu de casa levando Jesus, ainda em seu seio. Após o Natal, ela o apresentou à humanidade, representada pelos reis magos. Anos mais tarde, deu o seu apoio ao Filho missionário, pelas estradas da Palestina. Que ela nos ensine a ser bons missionários do seu Filho.

 

 

Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel - Vera Lúcia

QUARTA-FEIRA -6 de Julho

Evangelho - Mt 10,1-7

 


Este Evangelho narra Jesus chamando os doze Apóstolos. "Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel". Nessa recomendação, é importante o advérbio "antes". O povo de Israel é o povo eleito por Deus que teve a missão de preparar a vinda do Messias, por isso deve receber em primeiro lugar a Boa Nova de Jesus. Mas depois será esclarecido que essa Boa Nova é para todos, sem distinção: "Ide fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19). Quando Deus faz aliança, ele a cumpre, mesmo que a outra parte não a cumpra.

Assim como os Apóstolos, todos nós somos chamados por Deus para cumprir uma missão. Aliás, Deus não faz nada à toa; tudo o que ele criou tem uma finalidade, e é feita de acordo com aquela finalidade. Aliás, isso acontece também conosco; qualquer pessoa inteligente, se faz um objeto, é para uma finalidade; ninguém faz nada à toa.

O cumprimento da vocação realiza e faz feliz. Já o não cumprimento deixa a pessoa frustrada e "fora do eixo". Ela fica andando pela vida como um carro sem alinhamento ou sem balanceamento. E isso vale também para os objetos feitos por Deus ou pelo homem. Imagine tentar fincar um prego na parede, usando uma lâmpada! É o martelo que foi feito para isso. Deus criou a flor para perfumar, a abelha para produzir mel e para espalhar as sementes pela terra.

A nossa vocação foi a primeira coisa que Deus pensou, já antes de nos criar, pois fomos criados já adaptados ao seu cumprimento. Deus tem um plano para a humanidade, e quer realizá-lo através das próprias pessoas que ele cria.

Existe o ecossistema, isto é, tudo na natureza é harmonioso e "trabalha" em conjunto, cada coisa desempenhando a sua tarefa, desde a formiguinha até as grandes estrelas. Nós fazemos parte desse conjunto, com um detalhe: somos os reis da criação. Tudo foi feito para nos servir. "Deus disse: 'Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais... Eis que vos dou todas as plantas..." (Gn 1,26-29).

Os seres irracionais seguem automaticamente o chamado de Deus. Conosco é diferente, temos de seguir livre e conscientemente o chamamento de Deus a nós. Também a descoberta da nossa vocação não nos vem por si, mas é fruto de um trabalho nosso. Descobrir a própria vocação é descobrir o caminho da felicidade.

"Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder..." Assim como Jesus deu poderes aos Apóstolos para cumprirem a sua vocação, ele no-los dá também.

Numa floresta, havia três leões. Como o leão é o rei dos animais, a bicharada queria saber qual dos três era o rei. Numa assembléia, surgiu uma proposta que os leões aceitaram. Havia no local uma montanha alta e rochosa, dificílima de escalar. O leão que conseguisse subir até o topo da montanha seria o rei. Como fiscais foram escolhidas as gaivotas.

O primeiro leão começou a subir, mas desistiu. Ao chegar embaixo, disse para a assembléia: "Não dei conta". O segundo leão foi, mas chegou a uma rocha enorme e voltou para trás. Disse também para a bicharada: "É impossível subir essa montanha". O terceiro leão conseguiu ir até um pouco mais na frente, mas também se cansou e voltou. Ele disse para os bichos: "Desta vez eu não consegui. Mas é só por enquanto. No futuro conseguirei escalar essa montanha". Pronto, este foi coroado rei. Foi por causa das suas duas expressões: "desta vez" e "por enquanto".

Quem tem fé vai em frente no cumprimento da sua vocação e nunca desanima, porque sabe que tem Deus ao seu lado, o qual tem poder infinito. E quem tem fé tem esperança, sempre acredita que amanhã poderá dar um passo à frente e ir mais longe, no cumprimento da vocação.

Muita gente desiste da própria vocação, devido aos problemas que encontra. Basta ver o matrimônio, o sacerdócio, a vida religiosa...

Que Maria Santíssima, o melhor modelo, depois de Jesus, de resposta vocacional, nos ajude.

Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel.

 

A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos-Padre Queiroz


TERÇA-FEIRA- 5 de Julho

Evangelho - Mt 9,32-38

 

Este Evangelho narra duas coisas. A primeira é a cura do homem possuído pelo demônio e que era mudo. A tentação quer nos emudecer, a fim de nos impedir de falar a verdade e denunciar a mentira e a injustiça. Há várias maneiras de tornar uma pessoa muda. Vai desde a repressão, a ameaça, até a "lavagem cerebral", que hoje é muito usada na mídia. Nós acabamos "engolindo" as informações do jeito que nos são apresentadas, sem nos dar conta de que elas foram montadas de acordo com determinados interesses de grupos dominante. Esse é o demônio que torna a pessoa muda. Ele precisa ser expulso.

Jesus sentia compaixão do povo, que vivia e vive tão enganado. Ele fez a sua parte e pediu-nos que fizesse a nossa, ao menos rezando para que o Senhor mande mais operários para cuidar do Reino de Deus.

E o evangelista narra uma estratégia de alienação do povo usada pelos fariseus: "É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios". Como não tinham como levar o povo a desacreditar em Jesus, apelaram dizendo que ele age impulsionado pelas forças do mal. Acontece que essa mentira não "cola", pois demônio não expulsa demônio. Um reino dividido contra si mesmo, logo se acaba.

A segunda coisa que o Evangelho narra é o forte apelo de Jesus a rezarmos pedindo operários para a colheita, pois a messe é grande e os trabalhadores são poucos. E ele mesmo dá o exemplo: "Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade".

Rezar é tão fácil, e no entanto nós nos esquecemos de atender a esse pedido de Jesus. Estamos no ano sacerdotal, celebrando 150 anos de morte de S. João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes. O objetivo do ano sacerdotal é nos levar a rezar mais pelos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais. Vamos pedir ao Senhor que nos envie mais sacerdotes e que santifique os padres que temos.

Certa vez, dois rapazes brasileiros foram passear no Japão. Um deles sabia falar um pouco de japonês e se tornou intérprete do outro que não sabia. Lá, justamente o que não sabia japonês gostou de uma garota japonesa. Voltando para o Brasil, ele estudou japonês e aprendeu essa língua difícil, unicamente para corresponder-se com a menina. No fim, os dois se casaram.

Quando nós amamos uma causa, fazemos tudo por ela. Jesus amava a sua vocação, por isso se dedicava a ela dia e noite. "Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade". O amor é assim, torna fácil o que é difícil. Muita gente se admira de o padre não se casar; o amor vai além, e é mais forte do que o casamento em si.

Que Maria Santíssima, a Rainha dos sacerdotes, nos ajude a orar muito pela vocação sacerdotal, pois "a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!"

A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos.

 

Padre Queiroz

Tua fé te salvou - José Luís Queimado

SEGUNDA-FEIRA - 4 de Julho

Evangelho - Mt 9,18-26

 Renovados para a vida !

 A versão deste relato em Mc 5, 22-43 é mais vívido (cheio de detalhes realísticos) do que esta perícope de Mateus. A versão de Lc 8, 41-56 se parece mais com a de Marcos, nos detalhes. Mas, mesmo assim, não deixa de ser uma rica narrativa sobre os feitos miraculosos de Jesus.

As pessoas que seguiam Jesus se impressionavam pelos seus feitos prodigiosos; os mais sábios e estudados da época viam aqueles prodígios como mágica e charlatanismo, mas os simples sabiam que era a mão de Deus agindo naquele momento da história.

O que mais nos intriga é ver que a narrativa principal é interrompida por outro episódio marcante: a cura de uma mulher hemorroísa (com fluxo irregular de sangue). Na versão de Marcos, enquanto Jesus vai em direção à casa de Jairo, uma mulher o toca do meio da multidão, e Jesus diz: "Quem me tocou?" E Lucas completa: "Senti uma força (virtude) que saía de mim!". E os discípulos pensam que Jesus perdeu o juízo, pois havia muitas pessoas; qualquer um poderia ter tocado nele! Mas a versão de Mateus já é mais direta: "E Jesus, voltando-se, e vendo-a..." Ou seja, Jesus sabe que a mulher se curou por causa de sua grande e inabalável confiança.

E Jesus continua a sua caminhada depois dessa pausa. O chefe (da sinagoga), que em Marcos e Lucas chama-se Jairo, tem pressa para que Jesus visite a filhinha que está prestes a morrer.

Outra diferença significativa no relato de Mateus é que ele omite a presença dos três discípulos mais próximos de Jesus. Marcos e Lucas dizem que Jesus chamou Pedro, Tiago e João para acompanhá-lo e testemunhar a força que vem de Deus. Não sabemos o porquê da omissão, mas a realidade em que Mateus escrevia o Evangelho era bem diversificada da realidade de Marcos.

Jesus, ao chegar à casa do chefe da sinagoga, diz aos que estavam chorando pela menina que ela não havia morrido, mas que estava dormindo. O evangelista lembra que as pessoas riram dessas palavras de Jesus. É claro, quem não riria? Principalmente naquela época! Mas Jesus quer quebrar a tirania da morte, e quer revelar que Deus é alguém que preza a nossa vida, porque nos ama incondicionalmente.

Jesus diz para a menina voltar à vida, à realidade terrena, e ela obedece. O espanto é geral; não há mais risos de escárnio, mas há alegria plena, pois Deus havia se lembrado dos pobres e sofredores!

A revitalização da menina acontece para que as pessoas saibam que a missão de Jesus não saiu da cabeça dele, mas sim do desejo do Pai-Misericordioso em habitar junto com o seu povo, com os seus amados e sofridos filhos. Nós, hoje, devemos sair de nossa morte interna; procurar pela presença de Jesus, que tem poder de nos trazer à vida e à realidade que nos circunda.

Há de se pensar: será que não seria melhor para a menina ter morrido e abandonado esse mundo duro e cruel? Jesus não pensa assim! Ele quer que todos nós enfrentemos as dificuldades e as estruturas de morte deste mundo para sermos verdadeiros anunciadores do Reino de Deus. Revitalizemos em nós e nos outros a parte viva e dinâmica que resta na nossa mais profunda morte!

Fr. José Luís Queimado, CSsR   (jlqueimado@ig.com.br)