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20 de abr. de 2012

A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Padre Queiroz


Dia 28 de abril – sábado
Jo 6,60-69


A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.
Este Evangelho nos trás a última parte do discurso de Jesus sobre a Eucaristia, o pão da vida. Havia uma grande multidão ouvindo-o, entusiasmada por causa da multiplicação dos pães acontecida minutos antes. Alguns queriam até fazê-lo rei.
Mas quando Jesus disse que ia dar um alimento muito melhor do que aquele pão: a sua carne como comida e o seu sangue como bebida, os ouvintes se escandalizaram. Nós não somos antropófagos! disseram entre si. “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?
Jesus procurou explicar, mostrando que ele tem poder para fazer isso: “Isso vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são Espírito e vida”. Quer dizer, Deus pode tudo e faz coisas inacreditáveis.
Apesar da explicação, “a partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com Jesus. Então Jesus disse aos doze: Vós também vos quereis ir embora? Simão Pedro respondeu: A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”. Em outras palavras, Pedro disse: Nós também não entendemos o que o Senhor falou, e nós também achamos um absurdo comer a sua carne e beber o seu sangue. Mas, o mundo lá fora é pior ainda. Preferimos ficar com o Senhor.
Nós somos convidados a dar o passo de Pedro: A quem iremos, Senhor? Com o Senhor é difícil, mas fora, no mundo, é muito pior. Por isso prefiro ficar com o Senhor. Muitos ficam no meio do caminho; como a sua fé é fraca, seguem apenas mais ou menos. Mas Deus prefere pessoas definidas, mesmo que seja contra ele.
Se dermos o passo da fé mesmo sem entender direito, como fez S. Pedro, Deus entra na nossa vida e nos transforma, inclusive firmando a nossa fé. Por isso hoje queremos dizer a Jesus: eu estou com o Senhor, creio em tudo o que o Senhor disse e ensinou, mesmo sem entender tudo. Creio porque sei que o Senhor é o próprio Deus encarnado.
Após a consagração, na Missa, o padre fala: “Eis o mistério da fé”. A Eucaristia é o cerne da fé. Nela, acreditamos na Palavra de Jesus, sem ver nem entender. “No Calvário se escondia tua divindade, mas aqui também se esconde tua humanidade; creio em ambas e peço, como o bom ladrão, no teu Reino, eternamente, tua salvação” (Canto: Deus de amor).
Não vamos cair na tentação de dizer que na Eucaristia o pão “simboliza” o corpo de Cristo e vinho “simboliza” o seu sangue. Não simboliza apenas, mas é realmente. Jesus está ali, vivo, em seu corpo, sangue, alma e divindade. E está todinho, tanto na hóstia como no vinho consagrados. Por isso que após a Consagração nós não chamamos pão e vinho, mas Corpo e Sangue de Cristo. Se fosse símbolo só, Jesus teria chamado de volta a multidão que se retirava, e explicado melhor. Teria dito, por exemplo: “Não, gente, não é que vou lhes dar a minha carne para vocês comerem! É um símbolo!...” Mas ele não fez isso. Pelo contrário, disse para os Apóstolos: “Vocês também não querem ir embora?” Isso significa que a sua presença na Eucaristia é real e total, e que esta é uma verdade fundamental da nossa fé.
Havia certa vez um rapaz que estava desempregado. Ele procurava emprego em toda parte e não encontrava. Um dia, foi a um zoológico e perguntou se havia uma vaga. O chefe lhe disse: “Nós não temos vagas. O nosso quadro de funcionários está completo. Mas o nosso gorila morreu, e ele era a grande diversão da criançada. Se você quiser imitar um gorila, podemos lhe arrumar as roupas próprias”. O rapaz topou. Afinal, estava desempregado e precisa ganhar um dinheirinho.
Vestiu a roupa apropriada, colocou a máscara... ficou igualzinho a um gorila. Depois entrou na jaula e começou a andar, pular e fazer micagens, como um gorila. As crianças se divertiam.
Uma hora, ele olhou para cima e viu uma gangorra e um trapézio. Pensou: Ah! O gorila usava isto. Vou usar também. Subiu e começou a gangorrar pra lá e pra cá. Mas uma hora ele exagerou na gangorra, desequilibrou-se e foi cair dentro da jaula do leão. Pensou: Agora estou frito! O leão vai me devorar. Começou a tremer e a chorar.
O leão veio na direção dele, chegou perto do seu ouvido e disse baixinho: “Fique calado, senão nós dois perdemos o emprego!”
“A quem iremos, Senhor?” Este mundo é cercado de mentiras e falsidades; preferimos ficar com Jesus, o nosso caminho, verdade e vida. Alimentados por ele, seremos agentes de transformação.
Que Maria Santíssima, o primeiro sacrário do Corpo de Cristo, nos ajude a não só acreditar na Eucaristia, mas a transformar a Eucaristia em vida e a nossa vida em Eucaristia.
A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.
Padre Queiroz

Jesus é o pão verdadeiro descido dos céus-Fr. Daniel


Dia 27 de abril – sexta
Jo 6,52-59


Jesus é o pão verdadeiro descido dos céus e, diferente do maná concedido no deserto, ele é pão que alimenta para a Ressurreição. Com sua auto-doação, o Senhor se-nos entrega totalmente. Para a cultura hebraica a carne e o sangue significam a totalidade do homem em sua condição mortal. Entretanto, em Cristo, somos chamados a viver uma vida-eterna em que a morte significa apenas passagem necessária a plena contemplação do Senhor.
Ao se entregar a nós por meio de sua própria carne e sangue, o Cristo nos faz participantes da comunhão de amor com o Pai, pois ele já a vive em perfeita harmonia.
Quem come desse pão necessariamente crê no crucificado e com ele ressuscitará. Mas Jesus não dá apenas seu corpo, ele doa seu sangue. Isso, para a cultura judaica, é extremamente escandaloso, pois o sangue é a própria vida (Lv 17, 10-14).
Na Eucaristia se-nos aparecem dois mistérios inseparáveis: a Redenção e a Ressurreição. Entretanto, como discípulos e missionários do Senhor, somos chamados, a exemplo do mestre, a doação de nossas vidas aos irmãos e irmãs. Com o oferecimento de sua vida, Jesus exige um compromisso de seus discípulos: dar a própria vida em favor dos outros.

Fr. Daniel Antonio da Silva, CSsR (


Eu sou o pão vivo descido do céu. Padre Queiroz


Dia 26 de abril – quinta
Jo 6,44-51


Eu sou o pão vivo descido do céu.
Neste Evangelho Jesus nos ensina duas importantes verdades: 1) A origem da fé nele, que brota de uma graça de Deus Pai. 2) Jesus é o pão vivo que dá vida ao que dele come.
“Quem crê possui a vida eterna.” Cristo fala no presente: o que responde à atração do Pai, o que crê, já tem a vida eterna. Esta começa aqui e agora: o eterno entrou no tempo. É a escatologia realizada. Mas esse dom da fé está condicionado a uma atitude responsável: escutar Deus. “Todo aquele que escuta o Pai e por ele foi instruído, vem a mim”. E a nossa salvação é completada no futuro: “Eu o ressuscitarei no último dia”.
“Eu sou o pão vivo descido do céu.” Com a expressão “eu sou” (Javé em hebraico), Jesus se auto define como o pão que dá a vida eterna ao que dele se alimentar. Essa é a diferença do maná do deserto, que além de ser perecível, quem dele comia depois morria.
Há uma íntima relação entre a Eucaristia e a Morte e Ressurreição de Jesus. São os seus dois grandes gestos de amor a nós. Por isso que ele instituiu a Eucaristia um dia antes de sua morte, e ao instituí-la disse: “Isto é o meu corpo que será entregue por vós”, e também: “Isto é o meu sangue que será derramado por vós e por todos”.
A Eucaristia atualiza para nós a redenção. Cada vez que a celebramos, nós nos envolvemos mais no mistério pascal, participando da ressurreição de Jesus, que passou pela cruz.
A celebração eucarística, além de banquete, isto é, de alimento dos cristãos, e de encontro semanal da Comunidade, tem também esta dimensão: Ela torna presente, em termos de tempo e de lugar, o gesto redentor de Jesus, com todos os seus efeitos. Por isso que a chamamos memorial da redenção. Memorial é mais que memória ou recordação. É vivência hoje, revitalização daquilo que aconteceu no passado. Quando celebramos a Eucaristia, a Morte e Ressurreição de Jesus acontece misteriosamente ali, com todos os seus efeitos salvadores. A Assembléia eucarística torna-se ao mesmo tempo beneficiária e agente da redenção. A Igreja bebe toda a sua força de amar, e todo o seu dinamismo nesta fonte inesgotável q é a Eucaristia.
Trazendo para o aqui e agora o mistério redentor, a Eucaristia envolve a Assembléia participante, tornando-a Corpo Místico de Cristo e torna cada cristão “outro Cristo” no mundo. É assim que o sacrifício de Cristo se torna sempre vivo e atuante em todos os cantos da terra. Ao recebermos a Eucaristia, nós nos tornamos eucaristia para o mundo
Certa vez, uma jovem mãe estava com o seu bebê no portão da sua casa. Passou uma senhora, parou e disse: “Como é bonita esta criança!” A mãe falou: “Espere um pouquinho, eu vou lá dentro buscar a fotografia dela para a senhora ver que é mais bonita ainda!”
Na verdade, o que aquela jovem mãe fez foi uma coisa ridícula, porque hoje em dia os fotógrafos podem falsificar fotografias, “melhorando” as pessoas. Mas há algo parecido com a nossa redenção. Ela foi além e tornou o original, isto é, o homem criado por Deus, melhor e mais bonito ainda. Foi por isso que cantamos no sábado santo, referindo-nos ao pecado original: “Ó culpa tão feliz que há merecido a graça de um tão grande Redentor”
Quando Maria Santíssima ouvia, ao participar da santa Missa, estas palavras do seu Filho: “Tomai todos e comei: Isto é o meu corpo que será entregue por vós. Tomai todos e bebei...” certamente ela pensava: Este corpo foi gerado no meu útero. E quando ela comungava, era quase que uma nova encarnação. Aquele coração que batia em seu ventre, volta agora ao seu ventre, para sustentá-la na caminhada. Claro que Maria se lembrava também dos maus tratos que Jesus recebeu e continuava a receber dos homens, e voltava a sentir a espada que, no Calvário, transpassou o seu coração. Por isso lhe pedimos: “Ouvi nossos rogos, Mãe dos pecadores!”

Anunciai o Evangelho a toda criatura. Padre Queiroz


Dia 25 de abril - quarta
Mc 16,15-20


Anunciai o Evangelho a toda criatura.
Hoje nós celebramos a festa de S. Marcos Evangelista. Ele é chamado, na Bíblia, ora de Marcos, ora de João Marcos. É filho de uma das primeiras famílias cristãs de Jerusalém. Sua casa era local de reuniões dos Apóstolos e dos primeiros cristãos. Sua mãe se chamava Maria.
At 12,3ss cita a família de Marcos: “O rei Herodes mandou prender Pedro. Colocou-o na prisão e o confiou à guarda de quatro grupos de quatro soldados cada um. Mas a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele”.
Em seguida, o livro fala que, à noite, veio um anjo e libertou Pedro. Após a libertação, o texto diz: “Pedro, saindo da prisão, dirigiu-se à casa de Maria, mãe de João Marcos. Muitas pessoas estavam ali reunidas em oração, pela libertação dele. Pedro bateu à porta, e uma empregada, chamada Rosa, foi abrir. A empregada reconheceu a voz de Pedro, mas sua alegria foi tanta que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali, junto à porta. Os presentes foram e abriram a porta: era Pedro mesmo. E o grupo ficou sem palavras. Pedro, com a mão, fez sinal para que ficassem calados. E lhes contou como o Senhor o fizera sair da prisão”.
Essa passagem mostra como que a família de S. Marcos Evangelista era importante na Comunidade de Jerusalém. Neste tempo, Marcos era ainda criança.
Conforme antiga tradição, foi na casa de S. Marcos Evangelista que Cristo celebrou a Última Ceia. O próprio Marcos (Cf Mc 14) narra como foi a preparação da Última Ceia. Aquele “dono da casa” de que ele fala, segundo a tradição, era o pai de Marcos, que certamente havia procurado Jesus e oferecido a sua casa para a celebração da Páscoa.
Vários anos depois, S. Paulo e Barnabé, que era tio de Marcos, vão a Jerusalém para se reunir com os Apóstolos. Na volta, Marcos se une a eles para as viagens missionárias. Viajou com eles para Chipre e vários outros lugares, conforme nos relata o livro dos Atos dos Apóstolos.
Entretanto, Marcos era ainda bem jovem, e teve um momento de debilidade. A certa altura, deixou os dois e voltou para Jerusalém. Não se sabe se foi por medo ou por saudade da família. O fato está narrado em At 13,13.
Contudo, anos depois, quando Pedro, que morava em Jerusalém, mudou-se para Roma, Marcos o acompanhou. Agora, nunca mais voltará atrás, apesar de Roma ficar três vezes mais longe de sua terra do que o lugar aonde ele foi com Paulo e Barnabé.
Na primeira Leitura da Missa de hoje, S. Pedro chama Marcos de “meu filho”: “A Igreja que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho. Saudai-vos uns aos outros com o abraço da amor fraterno” (1Pd 5,13).
Entretanto, o maior presente que Marcos nos deixou foi o seu Evangelho. É interessante a forma como o Evangelho de S. Marcos foi escrito. É bom lembrar que Marcos não conheceu pessoalmente a Jesus. Ele escreveu o seu Evangelho a partir das pregações que ouvia de S. Pedro. Ele as escutava, anotava, e depois redigia, a fim de ajudar os outros. O Evangelho de Marcos, portanto, não é nada mais que um relato daquilo que ele ouvia de S. Pedro.
Mas não foi só Pedro que Marcos acompanhou. Durante todo o tempo em que S. Paulo esteve preso em Roma, Marcos o serviu na prisão. E quando Paulo, já em liberdade, retoma os trabalhos missionários, pede que lhe tragam Marcos para ajudá-lo no apostolado: “Toma contigo Marcos e traze-o, pois é prestativo para ajudar-me” (2Tm 4,11).
A tradição diz que, depois da morte de Pedro e de Paulo, Marcos viajou para Chipre, a primeira cidade onde esteve trabalhando como missionário. De lá foi para Alexandria, onde morreu mártir. É considerado o fundador da Igreja de Alexandria.
Marcos Evangelista deixou para nós vários exemplos de vida. O primeiro é a forma como ouvia as pregações. “Irmãos, sede praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes. Quem ouve a Palavra e não a pratica é como alguém que observa no espelho o rosto que tem desde que nasceu. Observa a si mesmo e depois vai embora, esquecendo a própria aparência. Mas quem procura praticar o que ouve, este encontrará a felicidade” (Tg 1,22-25).
Será que, nós, por exemplo quando saímos da igreja, nos lembramos da Palavra de Deus proclamada e explicada? Existem pessoas analfabetas que conhecem a Bíblia melhor do que muitos letrados, porque a ouvem com amor.
A atitude de S. Marcos pode ser resumida naquele dito popular: “Vivendo e aprendendo, aprendendo e ensinando”.
Outro belo exemplo são os pais de S. Marcos. Podemos tranquilamente dizer que, se ele foi o que foi, isto se deve aos pais que teve e à educação que recebeu em casa.
O Evangelho de hoje é de S. Marcos. São as últimas palavras do seu Evangelho. No último versículo ele dá uma espécie de testemunho pessoal: “Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio de sinais que a acompanhavam”.
O Evangelho de S. Marcos foi o primeiro Evangelho a ser escrito, mais ou menos no ano 65 depois de Cristo.
Certa vez, um casal recém casado começou a brigar frequentemente e por um motivo muito simples. Eles tinham uma televisão só e os gostos eram completamente diferentes: ele gostava de futebol e não gostava de novela; era exatamente o contrário: não gostava de futebol e adorava novela. Toda noite saía briga, chegando quase aos tapas.
Os pais deles ficaram sabendo e intervieram de maneira muito feliz. Conseguiram que os dois fossem conversar com o padre. Este, já sabendo do problema, disse-lhes: “Durante uma semana, cada um de vocês vai se esforçar para gostar daquilo que o outro gosta: você, fulana, vai gostar de futebol, e você, fulano, vai gostar de novela”. Façam isso como sacrifício, que, podem ter certeza, será muito agradável a Deus. E o padre combinou de, no dia seguinte à noite, ir visitá-los.
Quando o padre chegou, ficou feliz ao ver que os dois tinham chegado a um acordo: os dois viam a novela e os dois o futebol. E o que no começo era sacrifício, logo deixou de ser porque ela começou a gostar de futebol e ele de novela.
Que o exemplo deste casal e dos pais de Marcos sejam imitados pelos casais, a fim de que tenham filhos e filhas que sejam a sua alegria mais, como foi S. Marcos evangelista para seus pais.
Nós pedimos a Maria Santíssima, a Mãe da Igreja, e a S. Marcos, o seu primeiro evangelista, que nos ajudem a ouvir bem a Palavra de Deus.
Anunciai o Evangelho a toda criatura.
Padre Queiroz

Não foi Moisés, mas meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu - Padre Queiróz



Dia 24 de abril - terça
Jo 6,30-35


Não foi Moisés, mas meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu.
O Evangelho de hoje tem duas partes. 1ª) Referência ao maná. 2ª) Jesus se revela como o pão do céu.
A história do maná é contada no Livro do Êxodo. O povo hebreu estava atravessando o deserto e começou a passar fome, pois na região não havia alimentos. Então Deus lhes mandou o maná. Veja o texto: “Pela manhã, havia uma camada de orvalho ao redor do acampamento. Quando a camada de orvalho se evaporou, apareceram pequenos flocos, como cristais de gelo, que eram muito gostosos de comer. Então Moisés ordenou: ‘Cada um recolha apenas quatro litros e meio por pessoa, que é o suficiente para um dia’. Os filhos de Israel assim fizeram. Uns recolhiam mais, outros menos. Quando mediam as quantias, não sobrava para quem havia recolhido mais, nem faltava para quem havia recolhido menos. Moisés então lhes disse: ‘Ninguém guarde para o dia seguinte’. Alguns não deram ouvidos e guardaram. Resultado: No dia seguinte o maná amanheceu com vermes e apodreceu. Ficou com um mau cheiro tão forte, que ninguém conseguia ficar dentro da tenda” (Ex 16,13-21).
Por isso que no Pai Nosso rezamos: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Não amanhã, mas apenas hoje. Amanhã será outro dia e Deus providenciará.
Na Igreja Primitiva, alguns cristãos levavam ao pé da letra esta questão. No fim do dia, as famílias limpavam a dispensa, distribuindo para os pobres tudo o que sobrou do dia. E, de fato, pelo que se sabe, nenhum deles passou fome por isso.
“Eu sou o pão da vida.” É a Eucaristia que sustenta a vida cristã, assim como o alimento sustenta a nossa vida material. Sem a Eucaristia nós vamos ficando cada vez mais subnutridos na fé e nas boas obras e não conseguimos vencer as tentações. A pessoa fica como ovelha sem pastor, planta sem água, ou galho separado do tronco e acaba se afogando num copo d’água. Por outro lado, quem recebe a Eucaristia produz frutos como árvore à beira d’água; ama como Jesus amou, pensa como Jesus pensou e vive como Jesus viveu.
O alimento que comemos se transforma em nós. Na Eucaristia acontece o contrário; ela é mais forte do que nós, por isso nós é que nos transformamos nela. De tal modo que um dia poderemos dizer com S. Paulo: “Não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Nós cristãos, que vivemos neste mundo tão complicado, precisamos da Eucaristia para seguir os mandamentos de Deus.
O pelicano é uma ave aquática, de pescoço longo, que chega a medir três metros. Dizem que a mãe é tão zelosa pelos filhotes que, não havendo com que alimentá-los, lhes dá de seu próprio sangue. Por isso, o pelicano é um símbolo de Jesus eucarístico que, para a nossa felicidade e saúde espiritual, nos serve o seu próprio corpo e sangue.
Na hora da Consagração, o padre fala: “Eis o mistério da fé”. A Eucaristia é um mistério de fé porque não vemos nenhum sinal externo de Jesus, nem no pão nem no vinho consagrados. Apesar disso, nós cremos, como diz o canto “Deus de amor nós te adoramos”: “No Calvário se escondia tua divindade, mas aqui também se esconde tua humanidade; creio em ambas e peço, como o bom ladrão, no teu Reino, eternamente, tua salvação”.
Certa vez, um homem ia viajar, para ficar fora de casa durante uns dois meses. Ele tinha uma estátua de estimação e não quis deixá-la em casa, porque a sua casa não era muito segura. Pediu então para um amigo guardá-la em sua casa.
Aconteceu que um dia o amigo se descuidou, a estátua caiu e se quebrou! E agora? Ele procurou na redondeza um restaurador de estátuas e não encontrou.
Então decidiu ele mesmo restaurar a estátua. Comprou as ferramentas e o material necessário e restaurou o objeto de arte. Ficou uma beleza. Quem a conhecia antes não conseguia descobrir onde foi quebrada.
Os vizinhos começaram então a levar estátuas quebradas e objetos de arte para que ele os restaurasse. As pessoas gostavam tanto do serviço daquele homem, que ele montou um atelier especializado em restaurações de estátuas e obras de arte.
Esse homem era um artista e não sabia. Precisou de um acidente para que ele descobrisse o seu talento. Jesus nos restaurou, e o fez com tanto amor que quis ficar entre nós para dar constante manutenção, e assim não quebrarmos mais a imagem de Deus que somos.
Peçamos a Maria Santíssima que nos ajude, não só a receber a Eucaristia, mas a ser Eucaristia para o mundo, a exemplo de Jesus.
Não foi Moisés, mas meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu.
Padre Queiroz

Esforçai-vos não pelo alimento que se perde - Padre Queiroz


Dia 23 de abril - segunda
Jo 6,22-29


Esforçai-vosnão pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna.
Este Evangelho é a introdução ao discurso sobre o pão da vida, que Jesus fez. Preparando o povo para acreditar que ele tinha realmente poder de dar a sua carne como comida e o seu sangue como bebida, Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães e depois caminha sobre as águas.
E Jesus reclama do pouco interesse do povo pela Boa Nova, e do demasiado interesse pelo pão material: “Estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”.
Como sempre acontece com toda multidão, o povo alimentado por Jesus até à saciedade, com cinco pães e dois peixes, queria um deus de uso e consumo, um deus que sirva os nossos interesses e necessidades, um deus comercial que oferece e distribui os seus dons ao capricho do pedido. Este é o deus de muitas religiões criadas por pessoas humanas, que querem encerrar Deus nos limites dos ritos e das leis culturais, procurando servir-se da divindade em vez de a servi-la e adorá-la.
Por isso o povo mereceu essa advertência de Jesus: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”.
E o povo pergunta: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus? Jesus responde: A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. Os mestres da Lei apresentavam uma série de obras que agradavam a Deus. Jesus resume: agrada a Deus quem acredita nele, o enviado de Deus. Claro, uma fé levada à prática, acompanhada do seguimento de Jesus e da prática do seu Evangelho. A fé não basta para se salvar; mas também não basta o bom comportamento, é preciso a fé do jeito que Jesus ensinou. As boas obras são decorrências da fé. Este é o “alimento que permanece até a vida eterna”.
Quando foi tentado no deserto, Jesus falou: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. E em outro lugar ele disse também: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo”.
Comparando a nossa vida com uma canoa, ela tem dois lemes: de um lado a fé e do outro as obras. Que não nos esqueçamos de nenhum desses dois lemes, para que a nossa canoa possa ir para frente e nos levar à vida eterna.
O “alimento que permanece até a vida eterna” é sintetizado por Jesus na Eucaristia. “Quem come a minha carne tem a vida eterna”.
De fato, o encontro com Jesus transforma a pessoa. Basta ver Maria Madalena, os discípulos de Emaús, a samaritana, Zaqueu... Na Eucaristia nós nos encontramos com o mesmo Jesus, com a mesma força que ele tinha naquele tempo.
A transformação que a Eucaristia exerce em nós é lenta, mas eficaz; é como o fermento na massa. Ela é bem simbolizada naquele pão e água que o profeta Elias comeu no deserto, e depois teve forças para viajar quarenta dias e quarenta noites (IRs 19,4-8). O profeta estava sendo perseguido por seus inimigos, fugiu para o deserto e lá ficou vários dias sem comer nem beber. Aí ele rezou e Deus o fez dormir. Quando ele acordou, havia ao seu lado um pão e uma jarra de água. Comeu e bebeu e assim teve forças para continuar a sua caminhada. Elias representa a nós cristãos que estamos atravessando o deserto da vida. Como disse Jesus: “Quem come deste pão, jamais terá fome”.
Certa vez, um homem foi internado em um hospital para ser operado das amígdalas. Ele estava triste, preocupado, nervoso e deprimido, devido ao medo da cirurgia.
Ao chegar ao quarto, com a sua mala, viu na cama ao lado outro homem internado. Este percebeu logo o nervosismo do colega e começou a animá-lo dizendo palavras bonitas de alegria e de esperança.
A certa altura, o recém chegado perguntou a ele: “E você, por que está aqui?” Ele respondeu: “Amanhã serei operado do coração”.
A Eucaristia é um alimento mais forte do que nós que, ao contrário dos outros alimentos, nos transforma nele. Quem comunga sempre é capaz de enfrentar os maiores problemas, sofrimentos e perigos com tranqüilidade, como fez Jesus. As nossas tristezas e alegrias são bastante subjetivas; mais do que dos fatos em si, esses sentimentos decorrem da maneira como vemos os fatos.
Maria foi a pessoa humana que mais amou a Jesus. Que ela nos ensine a amá-lo hoje, presente na Eucaristia.
Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna.
Padre Queiroz

19 de abr. de 2012

“... DE ONDE LHE VEM TANTA SABEDORIA”? – Olívia Coutinho



 
Dia 1º de Maio de 2012
 
Evangelho de Mt 13, 54-58
 
 
Dificilmente, reconhecemos a sabedoria presente nas pessoas simples, preferimos acreditar  nas palavras retóricas das pessoas  de alto "nível intelectual".  Com isso, deixamos escapar as mensagens que Deus quer nos passar através dos “pequenos”. Esquecemos de que Jesus, o  Mestre de todos os mestres, o profeta Maior de todos os tempos, serviu-se de meios humanos bem simples,  para realizar as maravilhas de Deus no meio de nós!
Todos nós sabemos que um profeta nunca é reconhecido no meio em que vive, muitas vezes, é preciso que ele deixe o seu lugar de origem, para levar a verdade do evangelho a lugares onde o que  será avaliado, não é a sua pessoa, e sim, a mensagem de Deus dirigida ao povo através dele!
Ninguém estudou para ser profeta e nem o é, porque escolheu ser, o profeta nasce de um anseio de alguém, que ao conhecer a verdade,  não consegue calar diante da mentira e da injustiça!
O que sai da boca do profeta, não são palavras suas, são palavras inspiradas por Deus, que tem como finalidade despertar a humanidade sobre os valores do Reino! Ele é a voz que grita em defesa de um povo, é aquele que não se intimida diante dos poderosos, que tem coragem de denunciar suas falcatruas, levando a público suas ações contrárias a vida.
O verdadeiro profeta denuncia e anuncia, ele  é um eterno insatisfeito, nunca se contenta com o que faz, está sempre  acreditando que pode  fazer algo mais.
Um profeta nunca tem consciência de que é  um profeta, ele  é alguém  que se sustenta de uma fé profunda, uma  fé que ele nunca separa da vida. Ele é seguro naquilo que fala , tem a clareza da presença de Deus em sua vida e vive esta presença, por isto fala com autoridade.
A vida de união e comunhão com Deus, vai impregnando a vida do profeta, de tal modo que ele vai  aos poucos, aprendendo a interpretar os acontecimentos políticos, sociais e religiosos  sempre à luz de Deus.
Nenhum profeta teme pela sua segurança e nem deseja se destacar, o que ele deseja mesmo, é denunciar o que não está certo e anunciar a verdade que liberta.
A sua maior aspiração é o bem comum, por isto, está sempre disposto a lutar por este bem maior, ainda  que para isto, tenha que sacrificar  sua própria vida!
 “Um profeta não é estimado na sua Pátria, entre seus parentes e familiares”. Estas palavras de Jesus, descritas no evangelho de hoje, nos desperta para um questionamento: estamos acolhendo bem o profeta que vive no nosso meio? Ou acolhemos somente o profeta que vem de fora?
Jesus passou pela experiência dos muitos profetas do antigo testamento, além das autoridades políticas, religiosas, também seus conterrâneos o rejeitaram.
É o que ainda acontece  com muitos  profetas de hoje, eles  também  passam por esta experiência que Jesus passou: rejeição, indiferença, hostilidade...
Finalizando esta reflexão vou relatar um pequeno fato que pode nos mostrar claramente o não reconhecimento de um profeta no meio em que vive: Em uma  comunidade, as pessoas  se reuniam uma vez por semana, para um encontro de reflexão.  Nestes encontros, lia-se uma mensagem, cujo nome do autor não era divulgado. A mensagem era bem acolhida por todos.  Seu conteúdo, levava a crer, que eram escritas por alguém  de grande sabedoria.  Até que um dia, o povo descobriu  quem era o autor de  tais maravilhas: se tratava de um simples jardineiro, um grande observador da natureza. Suas mensagens tinham como finalidade conscientizar o povo da importância  da preservação da natureza.
A partir de então,  tais mensagens, passaram  a não ter o mesmo valor para o povo, pelo simples  fato de serem escritas por  um humilde  jardineiro.
 
FIQUE  NA PAZ DE CRISTO! - Olívia

Quando nós nos colocamos nas mãos do Pai e partilhamos o que temos,Ele multiplica e nada nunca faltará. – Maria Regina


        
                                                                                 A multidão seguia Jesus "porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes", no entanto, o Senhor tinha para com eles um zelo e um olhar de quem via todas as suas necessidades. Assim foi que logo ao enxergar a multidão que vinha ao seu encontro, Jesus lembrou-se de que eles deveriam estar com fome e precisavam alimentar-se. Jesus aproveitava todas as oportunidades para instruir os seus discípulos e para dar testemunho da bondade do Pai. Por isso, Ele os punha à prova a fim de medir a generosidade daqueles que caminhavam com Ele.  
                                                                               Ele sabia que a multidão faminta não poderia apreender os mistérios do Pai e, ao mesmo tempo, exercitava os Seus discípulos a não se omitirem diante dos desafios e a se colocarem a mercê da providência do Pai. "Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?" Assim foi que questionados sobre o que teriam de fazer apareceu André que lhe deu notícia de alguém que tinha cinco pães e dois peixes. São lições que hoje servem para a nossa vida: Como alimentar tanta gente, tendo pouco? O que fazer? O que pensar? Desistir? Resmungar? Murmurar?  
                                                                                 Assim como os discípulos fizeram devemos também nós fazer: "Está aqui alguém que tem cinco pães e dois peixes, mas o que será isto pra tanta gente?" "Fazei sentar as pessoas!" O que isto pode significar para nós? Quando nos sentamos em família, em comunidade e colocamos o pouco que temos nas mãos de Deus, quando juntamos os nossos poucos dons e os oferecemos ao Senhor o milagre acontece.
Cada um de nós tem seu papel no diálogo, na compreensão, na serenidade, na partilha do amor. Quando nós nos colocamos nas mãos do Pai e nos dispomos a partilhar o que temos, com amor, Ele multiplica suas graças de provisão e nunca nos faltará nada. Reflita – Você tem vivido isto na sua família? – Você já percebeu na sua casa o que cada um tem para oferecer? – Vocês costumam sentar-se para fazer uma avaliação das suas possibilidades colocadas nas mãos de Deus? – O milagre já aconteceu?
amém
abraço carinhoso
Maria Regina 


" Dar frutos fora de tempo..." - Diac. José da Cruz



01 de Junho - Sexta Feira Tempo Comum

Evangelho Marcos 11, 11-26

                                                    

Neste evangelho vemos que Jesus roga uma praga, essa é que é a verdade, em uma coitada de uma figueira que não tinha frutos a oferecer, pois não era tempo....Com a palavra São Marcos, O "próprio" e não o do Palmeiras, que vai segurar "essa", para que a gente entenda....
Marcos____Bom, vamos ligar os pontos que parecem desarticulados nesse evangelho, Jesus entrou em Jerusalém e foi ao templo, onde olhou tudo ao seu redor. Depois foi pousar em Betânia, pois já era tarde, daí ao amanhecer é que vem o episódio da figueira....
____E então São Marcos, foi praga mesmo ou é apenas um modo de dizer.....?
São Marcos____A reflexão é uma crítica á religião Oficial, centralizada no templo, onde Jesus esteve ao chegar na cidade, e parece que não gostou do que viu...A grande árvore do Judaísmo só tinha folhas e não estava produzindo fruto nenhum, ali não havia Justiça, Misericórdia, igualdade, liberdade, a coisa já tinha desandado....
____Escuta São Marcos, o Senhor falou aí e eu pensei daqui, se Jesus viesse hoje visitar nossas comunidades......será que iria gostar de ver?
São Marcos_____Bem pensado....isso mesmo....a reflexão vai nessa linha, que frutos as comunidades cristãs de hoje estão produzindo? A verdadeira comunidade frutifica, evangeliza, educa, orienta, ilumina e conduz e liberta
____São Marcos, no caminho de volta já no outro dia, Pedro percebeu que a praga tinha pegado, e foi das braba, pois secou até a raíz.....
São Marcos____Pois é, e quando seca uma árvore até a sua raiz a mesma morre. Se não há frutos, para que serve a raiz de uma árvore? Estamos aqui falando de árvore frutífera, da qual se espera o fruto. Usando um tema bem do tempo de vocês, qual o custo benefício de uma árvore frutífera que não frutifica....claro que nenhum.....Toda a tradição de Israel apontava para uma promessa: o Messianismo Salvador que mudaria a vida das pessoas. Mas havia chegado o tempo da esperança, o tempo do fruto novo que era Jesus, mas cadê o reconhecimento e a aceitação?
____Nossa São Marcos"! Então a condição ideal para que Israel desse frutos era a Fé em Jesus Cristo, e não a tradição, que eles tanto prezavam?
São Marcos____Exato! O tempo da espera tinha terminado, Jesus estava ali com eles, bastava a Fé em sua pessoa e os frutos seriam abundantes.Afinal Deus havia investido na Figueira de Israel, era justo querer os frutos, como hoje Cristo confia e investe nos cristãos dando-lhes a sua Graça, não importa quantos frutos estamos dando, o que importa é a qualidade....
_____Bom, então fica aqui uma pergunta inquietante: como cristãos em nossas comunidades, temos dado frutos aos que nos procuram, ou somos apenas um amontoado de folhas que nada têm a oferecer aos que nos procuram? Como diria um amigo meu, é só  volume e barulho, mas nada tem a oferecer.....
São Marcos____Só não esqueça que, os frutos que Deus espera, provém do Espírito presente na Igreja, portanto, condições de produzi-los, toda comunidade e todo cristão tem, não há desculpa e nem justificativa para ser uma "árvore" infrutífera.....