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LITURGIA



HISTÓRIA DA LITURGIA CRISTÃ
No cristianismo primitivo, liturgia e comunidade relacionam-se estreitamente como exigência de fixar a profissão da religião e de manifestar seu conteúdo em formas visíveis. 
Uma sumária liturgia cristã já está contida nos Atos 2,46 - 47: conclui-se do texto que os primeiros cristãos de Jerusalém costumavam participar ainda das orações israelitas do templo, enquanto tinham em casa os ágapes eucarísticos.O termo liturgia reaparece nos escritos extrabíblicos de origem judeu-cristã, na Didaché 14, onde o vocábulo refere-se claramente à celebração da eucaristia unida às orações de agradecimento: "Todo domingo nos reunimos, partimos o pão e damos graças...", e na primeira carta do papa Clemente, que explica o culto cristão baseando-se no culto hebraico. Certamente, a primeira Igreja apostólica, ao renovar totalmente o conteúdo do culto litúrgico, pois acontece na nova realidade do sacerdócio de Cristo, não ficou sem sofrer influência de sua origem hebraica. Todavia, a primeira descrição importante da liturgia cristã é fornecida por Justino em meados do século II: já estão definidas as duas partes essenciais da missa, a dos catecúmenos, com leitura dos textos sagrados, e a dos fiéis, que compreendia o sacrifício eucarístico. "No dia do sol, todos se reúnem; lêem-se trechos dos escritos dos Apóstolos e dos Profetas; seguem-se a homilia e orações de intercessão; então trazem-se pão e vinho misturado com água e o presidente da assembléia pronuncia sobre eles, "do melhor modo que sabe", orações e agradecimentos, a que todos respondem com um AMÉM; os dons assim "eucaristizados" são distribuídos a todos" (Apol.I, 67). Ainda Justino, confirmado depois por Tertuliano e Hipólito, dá-nos notícias das primeiras liturgias cristãs a respeito da administração do batismo e da celebração da Páscoa cristã, já totalmente separada da judaica. A "Tradição Apostólica" de Hipólito conhece, ao lado da ceia comum, uma espécie de "lucernarium" ou culto vespertino. Alguns anos antes, Tertuliano fazia referência a momentos cotidianos de oração, que nós hoje chamamos de "liturgia das horas". A partir da segunda metade do século II e, depois, no decurso do século III, já se celebram as memórias dos mártires no seu "dies natalis", com a celebração da eucaristia sobre a tumba deles, seguida de uma refeição em comum. No decurso do século IV, os termos bíblicos neotestamentários passam, por simples transliteração, do texto grego para o latino na Igreja oriental de língua grega. Ao contrário, na Igreja latina isso não acontece: de fato, ela permanece estranha à linguagem litúrgica latina e o termo "leitourgia" é traduzido por "officium, ministerium, munus...". A primeira reunião de fórmulas litúrgicas na Igreja ocidental remonta ao papa Símaco (498-514) e ao papa Leão (440-461). Ainda no decurso do século IV começam a se formar as famílias litúrgicas, que se diferenciam e se definem entre os séculos IV e VII e podem ser agrupadas em liturgias orientais e liturgias ocidentais. O primeiro elemento diferenciador fundamental foi a língua: do aramaico dos primeiros judeu-cristãos ao grego dos helenistas. As primeiras igrejas formaram-se nas grandes metrópoles do mundo de então: em Jerusalém e em Antioquia, onde os discípulos, pela primeira vez, foram chamados de "cristãos" (Atos 11,26), em Corinto e em Roma, em Alexandria e em Éfeso, bem como no norte da África latino, ou seja, Cartago. Tinham os Apóstolos constituído nessas cidades a base da nova religião; seus sucessores, muitas vezes grandes figuras de bispos santos, contribuíram para isso. As liturgias orientais conservaram fielmente o aspecto primitivo tirado das Igrejas de Jerusalém e de Antioquia; o núcleo dessas liturgias constitui-se da "anáfora", oração de oblação, e do "prefácio", em que o conteúdo das fórmulas varia de acordo com as solenidades e os tempos festivos; a elas juntaram-se os sírios católicos e monofisistas, bem como os Maronitas que seguiram a liturgia antioquena interpolada com elementos do rito romano. A liturgia siríaco-oriental teve seu centro em Edessa e foi depois adotada pelos nestorianos. A liturgia egípcia, muito antiga, conservou-se entre os monofisistas e católicos coptas. Na Ásia Menor, nasceu o rito bizantino, que foi depois substituindo as liturgias orientais e é hoje o rito dominante; a ele pertencem todas as Igrejas ortodoxas. Esse rito passou também, traduzido nas respectivas línguas, para os eslavos católicos e descendentes, para os melquitas siríacos e árabes, para os georgianos e para os romenos. A liturgia armênia deve ser considerada à parte. As liturgias ocidentais que tiveram suas matrizes em Cartago e Roma mudaram, depois do século VI, sob a influência do ano eclesiástico. No lugar do formulário único das liturgias orientais, constituiu-se no ocidente o "sacramentarium", um livro completo que continha as missas de cada dia, e o "missal". Nascem os diversos ritos: o "galicano" do qual se separou na Espanha a liturgia moçarábica; na Itália setentrional, o rito galicano teve influência sobre o rito romano e o encontro das duas liturgias fica evidente no rito "ambrosiano". O rito romano conservou invariável o "cânon", que, por conteúdo e forma, difere da anáfora oriental. A redação definitiva do cânon romano foi feita somente por São Gregório Magno; sobre as partes variáveis da missa romana têm-se diversas coleções dos tempos mais antigos. O "Sacramentarium Gregorii" foi enviado a Carlos Magno pelo papa Adriano I. Desse modo a liturgia romana adquiriu muitos elementos galicanos e dessas misturas nasceram variedades locais, suprimidas depois pelo concílio de Trento. No século VII, busca-se uma certa uniformidade nos ritos, mas a exuberante infiltração de devoções populares altera a linha sóbria e tradicional da liturgia romana. A Idade Média carrega o peso de um forte obscurantismo, inclusive litúrgico. Pio V será o papa que, em 1570, pondo em prática os decretos do concílio de Trento (1545-1563), empreenderá a reforma litúrgica, que levará seu nome e será continuada por seus sucessores até Paulo V (1614). A reforma protestante rompeu decididamente com a liturgia tradicional, procurando simplificar sua estrutura e tornar o culto mais popular, com a introdução da língua vulgar e uma participação mais direta dos fiéis no rito. Lutero, propondo-se a purgar a missa latina de qualquer acessório, manteve seu esquema geral, mas tirou o ofertório e transformou o cânon, embora tenha deixado as perícopes e as coletas; manteve as vestes sacras, o altar com os candelabros, o acesso à comunhão e sua administração, mas deu nova interpretação à elevação. Esse sistema enfraqueceu durante a guerra dos Trinta Anos. Também Zwingli suprimiu todas as partes integrantes latinas, abandonou todo o esquema da missa e separou, por princípio, a prédica da comunhão. Calvino, por sua vez, no regulamento por ele introduzido em Genebra, mostra-se dependente de Lutero e de Zwingli, mas sobretudo de M. Butzer. Constituiu um serviço religioso diferente do romano e do luterano: uma mesa no lugar do altar; separação entre a prédica e a comunhão e, nesta, o pensamento não deve se fixar no pão e no vinho, mas os corações devem se elevar ao alto, onde Cristo vive na glória do Pai, para sermos nutridos de sua substância e tornarmo-nos partícipes do Reino de Deus. Há, além disso, o ritual do serviço divino próprio da Igreja anglicana indicado no "Book of common prayer" (1549), em que se sente a influência luterana, oriental e católico-romana e que foi reformado em 1662. A partir do final do século XIX, o movimento litúrgico suscita idéias novas no conhecimento litúrgico, exige aprofundamentos teológicos, tanto da parte protestante como da católica. Entre os protestantes, o movimento litúrgico foi promovido por F. Spitta e J. Smend e depois por R. Otto e F. Heiler, todos animados pelo desejo de fazer reviver o sentido da oração comunitária e a ativa participação dos fiéis no culto. Entre os católicos, o retorno a formas de liturgia antiga, em que esteja presente toda a comunidade, entrelaçou-se com a obra dos beneditinos de Solesmes, com o abade P. Guéranger, morto em 1875, e, na Alemanha, com a dos beneditinos Mauro e Plácido Wolter, fundadores da congregação de Beuron. Da liturgia, L. Beauduin dá uma definição tão breve quanto eficaz: "A liturgia é o culto da Igreja": "Igreja" absorve o sentido comunitário e ao mesmo tempo cristológico, sendo a continuação de Cristo no mundo. O beneditino alemão O. Casel de Maria Laach (1886-1948) insistiu sobre o valor da liturgia como "celebração" do mistério salvífico de Cristo, que se torna presente no rito, a ponto de a assembléia poder louvar e adorar a Deus "em espírito e verdade". O papa Pio X acolhe esse grande novo impulso que se localiza principalmente na Bélgica na universidade católica de Louvain, depois na Holanda, na Alemanha na abadia de Maria Laach, e na Áustria em Klosterneuburg. Todos esses fermentos de renovação e de aprofundamento litúrgico introduzem também "novidades" que incidem sobre os aspectos doutrinais, incorrendo em infrações disciplinares. Por meio da encíclica Mediator Dei, promulgada em 20 de novembro de 1947, o papa Pio XII interveio nessa situação de confusão, movido por preocupações pastorais e ao mesmo tempo de adaptação às exigências religiosas e culturais modernas.Nessa encíclica, a liturgia é definida em relação ao conteúdo como "a continuação do ofício sacerdotal de Cristo", ou mesmo "o exercício do sacerdócio de Cristo". Quanto à sua realidade completa de celebração, "é o culto público total do corpo místico de Cristo, cabeça e membros". A liturgia, portanto, por sua natureza interna, é sacramental, sendo sempre sinal de uma efetiva presença de Cristo. Além disso, Cristo prestou um culto perfeito ao Pai, glorificando-o na total adesão à Sua vontade, na qual assumiu todos os redimidos, libertando-os das obras de morte. Por último, ela é exercida necessariamente nos ritos que realizam, por intermédio dos símbolos, a obra santificadora de Cristo em relação a cada um de nós. Em 1962, o concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII, oferece como seu primeiro documento justamente a constituição "Sacrosanctum Concilium", voltada para a reforma litúrgica, que obteve na votação dos Padres Conciliares, dia 4 de dezembro de 1963, 2147 placet contra 4 non placet e foi aprovada definitivamente pelo papa Paulo VI. Com essa constituição, reafirma-se o significado de liturgia expresso na constituição anterior, "Mediator Dei", ressaltando, porém, o aspecto "pascal", realidade e mistério, "lugar" coextensivamente teológico e litúrgico: o mistério pascal não é "um dia" no calendário religioso, mas é o plano de salvação divina tornado atual na revelação em Cristo. A Igreja, portanto, é continuamente "profecia" que anuncia o mistério e atualiza-o na ação litúrgica. Essa constituição aborda, além disso, aspectos normativos das celebrações festivas, dos santos, da administração dos sacramentos, da abertura às línguas locais com o objetivo de ajudar a "concelebração do sacerdote com os fiéis"
A REFORMA LITÚRGICA DEPOIS DO CONCÍLIO VATICANO II
Com a reforma litúrgica que se seguiu ao Vaticano II, a celebração eucarística abandona a língua "canônica" latina e realiza-se nas línguas nacionais para permitir uma participação mais consciente da assembléia e sua inserção ativa na ação litúrgica. Com essa mesma finalidade, o altar da celebração, fixo ou móvel, é posto fora do presbitério e voltado para a assembléia dos fiéis.
Reveste-se do caráter de altar "maior" o do presbitério, sobre o qual fica o tabernáculo para a conservação e guarda das espécies eucarísticas consagradas e não consumidas. O presbitério é a parte da igreja normalmente separada por balaustrada, cujo acesso era proibido a pessoas estranhas ao culto e, por isso, reservado somente ao clero e seus auxiliares. Hoje essa área não está mais interditada, nem às mulheres. Nela costuma ficar habitualmente o coro durante as celebrações solenes. Outra significativa e inovadora modificação é "o modo" como os fiéis se aproximam da Comunhão: do antigo ajoelhar-se junto à balaustrada, em vigor até os anos 70, passou-se ao atual costume de comungar em pé. Pode-se receber a hóstia consagrada diretamente na língua ou sobre as mãos. A comunhão é dada sob as duas espécies também aos fiéis, por intinção ou por libação direta no cálice do vinho, em celebrações de particular significado para a assembléia: por exemplo, durante cerimônias de consagração religiosa e/ou secular, no final de um curso de exercícios espirituais, na administração solene de sacramentos, ou por concessões estabelecidas pelo direito canônico.
O  SIGNIFICADO  "LITURGIA"
O vocábulo tem suas origens nas raízes gregas "léiton érgon" no significado de "obra pública" ou "serviço" prestado ao Estado ou à divindade segundo a livre iniciativa de um particular ou de um grupo. No decorrer do tempo, essa iniciativa perdeu seu caráter livre, tornou-se institucionalizada ou imposta; assim, o vocábulo "leitourgia" do grego clássico tomou o significado definitivo de "serviço", mais ou menos obrigatório, prestado ao Estado, à divindade, a um particular.
Na antiga Grécia teve sobretudo o caráter de serviço de utilidade pública e, para exercê-lo, era necessário ser muito rico.Era difundido numa centena de cidades gregas, mas especialmente em Atenas, onde todo ano era designado em cada tribo um número igual de "liturgos".As liturgias podiam ser periódicas, ou seja, recorrentes a cada ano, ou extraordinárias. Entre as periódicas, teve altíssima consideração a instituição da "coregia" já em 508 a.C. para a preparação de coros líricos ou trágicos no acompanhamento de representações teatrais, inclusive dramáticas. O "corego" vencedor obtinha como prêmio uma trípode de bronze, que depois oferecia ao deus Dionísio, colocando-a sobre "monumentos corégicos": assim é em Atenas a rua das Trípodes e, nas encostas da Acrópole, o recinto de Dionísio. Outra liturgia periódica foi a "ginnasiarchia", para o treinamento atlético dos jovens e a provisão dos aparelhos úteis para essa finalidade. Igualmente a "estiasi", banquete oferecido em reuniões públicas para festejar alegres eventos públicos, ou convites para celebrar a divindade à frente dos membros da tribo. Entre as liturgias extraordinárias, surgiu a que foi adotada em tempo de guerra: a "trierarchia", que consistia na preparação e manutenção de barco e tripulação por parte do comandante. Era liturgia muito onerosa porque podia custar de 40 a 60 minas. A seguir, esse encargo litúrgico foi distribuído entre os 1200 cidadãos mais ricos, divididos em 20 "simmorias", ficando cada uma delas incumbida de fornecer certo número de barcos. Essa instituição caiu em desuso quando desapareceu a marinha ática. Todavia, a instituição da liturgia manteve-se no campo esportivo e religioso nas cidades gregas até a época helenista e foi inclusive adotada também pelos romanos, para a administração de suas províncias. O caráter coletivo da liturgia teve grande valor social, porquanto permitia a unificação da comunidade, por meio da prática religiosa. Diferentemente da religiosidade individual, a coletiva tem necessidade de formas fixas de expressão: ações, gestos, palavras. Essas formas têm caráter mágico nas sociedades mais primitivas, mas possuem também a sacralidade própria dos mitos, assumindo, nas religiões politeístas, a forma de representação dramática da história dos deuses, consolidando na repetição sua validez e autoridade. De todas as liturgias das religiões antigas encontra-se testemunho na literatura ritual védica e bramânica na Índia, nas representações com grafito e pinturas nos templos e nas tumbas do antigo Egito, nos textos rituais babilônicos, nos poemas mitológicos destinados ao uso litúrgico descobertos em Ras Shamra, nas epígrafes sagradas documentadas juntamente com representações sacrificais e com cenas descritivas de festas por parte da civilização grega e romana. A liturgia tornou-se assim manifestação do culto público, sancionado e codificado no conjunto das cerimônias, das fórmulas e dos ritos necessários para expressá-lo. Esse significado permanece até hoje.
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A  DANÇA  DOS  CALENDÁRIOS

O domingo dedicado a Cristo Rei encerra o ano litúrgico da Igreja.  Para a liturgia, já estamos no final de mais um ano, e no domingo seguinte, com o início do Advento, começa um novo ano.
Na dança do tempo, aprendemos a transar com diferentes calendários, e integrá-los na contagem dos anos, sem fazer confusão. No tempo dos romanos, o ano novo começava em março, com o mês dedicado a Marte, o deus da guerra! Para eles, fevereiro era o último mês do ano, e isto explica o prejuízo que ele teve, como veremos adiante.  Agora o novo ano  começa em janeiro. Mas o ano litúrgico inicia antes, com o tempo do advento.
Seja como for, o importante é perceber que o ano dá a volta completa, e seu ponto final leva a um novo início, enquanto a vida passa, e a história vai adiante!
Na verdade, nossa cultura ocidental herdou dois calendários, o judeu e o romano. Da fusão de ambos, temos a maneira como contamos os anos, dentro deles situando os meses e as semanas.
A semana é herança do calendário judeu. O mês é herança do calendário romano. Assim, temos dois ritmos para medir os mesmos dias: a semana e o mês.
Para os judeus, o ponto de referência inarredável era a seqüência das semanas, que não podia ser interrompida em hipótese alguma. Até hoje esta exigência ainda prevalece. Já foram apresentadas diversas propostas, e feitas diversas tentativas na ONU, para integrar as semanas e os meses, de tal modo que em todos os anos, os dias da semana coincidissem sempre com os mesmos dias do mês. Mas as propostas esbarram na necessidade de alterar a seqüência dos dias da semana, que ninguém aceita! Isto mostra que o ritmo de nossa vida é medido muito mais pelos dias da semana do que pelos dias do mês. Podemos duvidar que dia do mês é hoje, mas dificilmente esquecemos em que dia da semana estamos.
O calendário judeu, que se guia pela lua, determina o ano litúrgico. Pois é pela lua que se marca a Páscoa, que sempre caía no sábado seguinte à lua cheia do mês judaico de “nisan”,  que geralmente corresponde ao mês de abril, no calendário romano. E’ por isto que a páscoa sempre acontece em tempos de lua cheia.
Se fazemos bem as contas, com sete meses de trinta dias e cinco meses de trinta e um, chegaríamos exatamente aos 365 dias do ano. Mas agora, inversamente,  temos sete meses com trinta e um dias: janeiro, março, maio, julho, agosto, outubro e dezembro. Por que? Por capricho de imperadores romanos.
Acontece que o imperador Júlio César nasceu no mês que se chamava “quintilis”, porque era o quinto a partir de março. Em sua homenagem mudaram o nome do mês do seu aniversário, que passou a ser chamar de “mês de Júlio”, daí a palavra “julho”. E deram para este mês mais um dia, que assim ficou com trinta e um. Em conseqüência, o último mês do ano, fevereiro, ficou com vinte e nove!
Depois, veio o imperador César Augusto, que nasceu no mês “sexto”. Em sua homenagem, também mudaram o nome do mês, que passou a se chamar de “mês de Augusto”, daí o nome de “agosto”.  E também acrescentaram um dia, tirando mais um de fevereiro, que acabou ficando com vinte e oito!
Com Galileu e outros astrônomos, ficamos sabendo que o ritmo do cosmos é muito maior do que as voltas que a nossa pequena terra vai dando. Nosso ano, na verdade, é medido, sim,  pelo tempo que a terra demora para fazer o giro completo em torno do sol,, que por sua vez está integrado no ritmo mais vasto do conjunto da Via Láctea, que também faz parte do “vasto mundo”,   que escapa às nossas medidas, e por isto dizemos que ele é “imenso”.
Tem razão o salmista, quando fica extasiado diante de Deus, “contemplando estes céus que plasmastes com dedos de artista!”.
dom Demétrio Valentini

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A HOMILIA
A cada domingo, milhares de comunidades se reúnem, ouvem as leituras bíblicas e depois se preparam para ouvir a homilia. O termo homilia significa "conversa familiar", continuando o mesmo assunto, ou seja, o das leituras proclamadas. Esta deve fazer a ligação entre a Bíblia, a vida e a celebração. Deve destrinchar as leituras, e deve questionar a realidade, tentando perceber o sentido dos acontecimentos no plano de Deus, tendo como ponto de referência a pessoa, a vida, a missão, a morte e ressurreição de Jesus Cristo.
A homilia ou partilha da Palavra abre perspectivas, esclarece, mostra a presença e a ação de Deus dentro dos acontecimentos. Mostra a graça e o pecado, a luz e as trevas. Mostra como a história de Jesus continua em nossa história. Mostra a Promessa de Deus se realizando aqui e agora.
Mas a homilia ou partilha da Palavra deve também chacoalhar e interpelar a comunidade. Acordá-la para o compromisso com o Reino de Deus e o testemunho da ressurreição; para sermos sinal de Deus na sociedade em que vivemos.
A homilia deve ainda nos convidar e motivar para vivermos profundamente a Aliança e a Comunhão com o Senhor dentro da celebração, através das preces e orações, através do rito penitencial e da comunhão, através dos cantos, dos gestos e das atitudes do corpo.
COMO PREPARAR UMA HOMILIA?
É importante que se leia alguma explicação sobre as leituras proclamadas. Muitas comunidades usam a revista Vida Pastoral ou a Mesa da Palavra, ou mesmo os subsídios da CNBB. É preciso também lembrar os acontecimentos mais significativos da semana. Caso a homilia seja feita por uma pessoa só, é importante que a prepare com um pequena equipe, ligando Bíblia, vida e celebração. Não deve ser lida, mas comunicada. Por isso, é melhor escrever apenas alguns tópicos com a seqüência do assunto, não o texto inteiro.
A homilia deve ser preparada já na segunda-feira, para quando chegar o domingo ela já esteja bem encarnada. Quanto antes se comece, tanto menos tempo se necessitará, no sentido de que estarão asseguradas as boas ocorrência no seu devido momento.
COMO SE PREPARAR BEM PARA FAZER UMA HOMILIA?
É importante saber que você não vai dar um sermão ou aula de catequese ou mesmo uma palestra.
Não é através de livros, artigos e teorias que se aprende a fazer uma homilia. Claro, estas mediações podem ajudar, mas a homilia como comunicação viva se aprende e se aperfeiçoa "fazendo homilia", tal como só se aprende mesmo a celebrar celebrando, e a cantar cantando, e a dançar, dançando.
Esta arte exige um mínimo de "dom e carisma" de comunicação da palavra falada e do gesto. Mas não fica no "Dom", pois supõe a aprendizagem da técnica e da competência.
A maneira de dizer chega muito mais ao outro do que o que se diz, sobretudo se se trata de falar ao coração e não simplesmente à inteligência.
ANTES DA HOMILIA
Ter a sensibilidade para perceber tudo o que é vida / morte na e pela cidade através das conversas informais, leituras, filmes, televisão, programas de rádio, canções, teatros, as expressões verbais ou não verbais em uso, ocorrências e tudo mais que é vida. A exigência fundamental é o contato com a Palavra de Deus ao longo da semana, ao longo da vida diária num processo de fermentação; descoberta da idéia-força e da palavra-chave; a criatividade em busca de um "gancho" atual e concreto para "prender" os destinatários; conhecimento básico e vivo da assembléia (nunca descer de helicóptero para fazer uma homilia e depois levantar vôo, o que pode acontecer mesmo com quem está presente na celebração, mas ao mesmo tempo voando).
MOMENTO DA HOMILIA
O momento da homilia é parte integrante de um momento maior, que é a ação celebrativa toda. A comunicação da homilia deve buscar ser:
1. Um tom familiar, direto, alegre, seguro, convicto, simples, espontâneo e solto;
2. Uma linguagem da vida de hoje e do hoje, desprovida de qualquer pretensão de ser o único que sabe, o "dono da verdade". Portanto, boa dose de humildade, demonstrando (sem ter que dizer) que o primeiro necessitado e carente da Palavra é ele próprio.
3. Uma comunicação penetrada da dimensão humana, usando a linguagem integral, gestos adequados, expressão corporal, postura do olhar buscando ver todos sem se fixar em ninguém a não ser quando necessário para um ´efeito´ especial de comunicação, movimentos sóbrios, mas vivos e perceptíveis por todos, silêncio bem dosado e na busca da participação dos ouvintes, perguntas diretas e penetrantes, com pausa suficiente para chegar ao coração e ao pensamento de quem ouve.
4. Uma duração que leve em conta o tempo total da celebração, sabendo-se que manter a atenção de uma comunidade grande depois de 10 a 12 minutos de fala é dom para muito poucos pregadores;
5. Um uso correto da voz através da dicção, articulação, movimento de frases, realce de expressões-chave, sonoridade, sabendo aproveitar a tessitura aguda ou grave que toda voz tem;
6. Uma utilização, no mínimo, correta do microfone, levando em conta a acústica, as dimensões do local e o número dos presentes;
7. Uma dose exata e viva de emoção, falando sim com a voz, mas comunicando com o coração e com a vida. É de coração a coração que se faz uma homilia, sobretudo se já se compreende que celebrar é muito mais emocionar-se do que entender;
8. Um cuidado carinhoso para com a celebração que vai continuar após a homilia. Esta continuidade dá margem a aproveitar momentos posteriores à homilia e nos quais se pode retomar (sem fazer outra homilia) o tema central da Palavra refletida, sobretudo o momento da despedida.
APÓS A HOMILIA
Uma revisão pessoal imediatamente depois de terminada a homilia, num breve momento de silêncio. Este silêncio ajuda a fazer ressoar no coração dos ouvintes a reflexão e ajuda a uma revisão rápida, mas direta de como foi a homilia.
Ouvir a avaliação de uma pessoa escolhida com antecedência para fazer as observações, críticas, elogios, comentários e perguntas, que devem ser acolhidas para um futuro aproveitamento e sempre com o objetivo de melhorar.
padre Trindade


A NATUREZA DA HOMILIA À LUZ DA SACROSANCTUM  CONCILIUM
         A 15ª Assembléia da ASLI tem como tema "A formação do homiliasta".
            Para se poder falar sobre a formação do homiliasta, importa se ter claro o que seja a homilia. Só assim podemos tratar da formação do homiliasta.
            Trata-se aqui de uma colocação introdutória que possa iluminar o tema central do Encontro.
            Não vou entrar na questão da evolução histórica da pregação cristã. Todos sabemos distinguir entre pregação querigmática, pregação pastoral, pregação catequética e outras formas de pregação do Evangelho. Nem é o caso de tratar da forma do discurso homilético nem da arte da oratória e da eloqüência. Tais questões são reservadas a outros momentos.
            Nos últimos anos se produziu bastante sobre a pregação homilética, mas nem tanto sobre sua natureza teológica litúrgica. Aqui nos restringimos à natureza da homilia à luz da Sacrosanctum Concilium, sem considerar o seu desdobramento sobretudo na Instrução Geral sobre o Missal Romano e na Introdução Geral ao Ordo Lectionum Missae.
            1. A Sacrosanctum Concilium
            Em três passagens, a Sacrosanctum Concilium fala sobre a natureza da homilia.
            A primeira encontra-se no contexto da importância da Sagrada Escritura na celebração litúrgica:
            “Pois dela [da Sagrada Escritura] são lidas as lições e explicadas na homilia” (Ex ea enim lectiones leguntur et in homilia explicantur”) (SC, 24).
            A segunda aparece, onde se trata da leitura da Sagrada Escritura, da pregação, da catequese litúrgica e da celebração da Palavra de Deus:
            “Seja também anotado nas rubricas, conforme a cerimônia o permitir, o lugar mais apto para o sermão, como parte da ação litúrgica (utpote partis actionis liturgicae); e o ministério da pregação seja cumprido com muita fidelidade e exatidão. Deve a pregação, em primeiro lugar, haurir os seus temas da Sagrada Escritura e da Liturgia, sendo como que a proclamação das maravilhas divinas, na história da salvação ou no mistério de Cristo, que está sempre presente em nós e opera, sobretudo nas celebrações litúrgicas” (SC, n. 35,2).
            A terceira passagem encontra-se no capítulo sobre a reforma do Sacrossanto Mistério de Eucaristia:
            “Recomenda-se vivamente como parte da própria Liturgia (ut pars ipsius Liturgiae), a homilia pela qual, no decurso do ano litúrgico, são expostos os mistérios da fé e as normas da vida cristã a partir do texto sagrado”.
            Realcemos algumas afirmações:
            1) A homilia é parte da ação litúrgica ou parte da própria liturgia;
            2) A homilia haure seus temas da Sagrada Escritura e da Liturgia;
            3) A homilia é compreendida como explicação ou explanação das leituras bíblicas;
            4) A homilia é como que a proclamação das maravilhas divinas, na história da salvação ou seja, no mistério de Cristo;
            5) Na homilia está presente e opera em nós o mistério de Cristo.
            6) A homilia constitui um ministério de pregação;
            7) Em vez de homilia ainda se usa o termo sermão (sermo) como sinônimo de homilia. (Nos Padres da Igreja latinos, o sermo era praticamente sinônimo de homilia).
            2. A homilia se reveste das características essenciais da Liturgia
            Sendo "parte da própria Liturgia", ou "parte da ação litúrgica", a homilia tem as características da própria sagrada liturgia na sua compreensão teológica de Mistério do Culto de Cristo e da Igreja.
            Ao celebrar os mistérios de Cristo, a Igreja os contempla, os traz à memória através da Palavra de Deus, que narra e novamente revela e atualiza a economia divina da Salvação, manifestada e realizada na história da Salvação.
            2.1. O caráter memorial da homilia. - A proclamação da Palavra de Deus em si já tem caráter litúrgico, memorial, celebrativo, sacramental. A palavra de Deus se atualiza, quando ela é proclamada em assembléia de culto:
            "Nunca, depois disso, a Igreja deixou de reunir-se para celebrar o mistério pascal: lendo 'tudo quanto a Ele se referia em todas as Escrituras' (Lc. 24,27), celebrando a Eucaristia, na qual 'se torna novamente presente a vitória e o triunfo de sua morte' e, ao mesmo tempo, dando graças 'a Deus pelo dom inefável' (2 Cor 9,15), em Jesus Cristo 'para louvor de sua glória' (Ef. 1,12), pela força do Espírito Santo" (SC, 6).
            Além disso, "presente está pela sua palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja" (SC, 7).
            A Palavra de Deus, o Verbo, não é apenas lida ou proclamada, mas é celebrada. Ela é atualizada no memorial da mesma. A proclamação da Palavra de Deus tem valor salvífico em si mesma.
            A homilia se situa entre a proclamação da Palavra de Deus ou a liturgia da Palavra e a assim chamada liturgia sacramental, onde ela se realiza, formando ambas as partes um só ato de culto, uma só celebração sacramental.
            Ela está a serviço tanto da Mesa da Palavra como da Mesa do Pão, sendo o elo entre ambas. Faz a transição entre a Palavra de Deus proclamada na Liturgia da Palavra e a resposta dada a ela. Situa-se entre a proposta de Deus, manifestada na Palavra e a resposta da assembléia, na Liturgia e na vida. Não é apenas elo ou transição. A homilia em si mesma é memorial, em que se renova a Aliança.
            À luz das Escrituras, o Senhor Ressuscitado iluminou os fatos acontecidos a respeito do Jesus de Nazaré, fazendo-os compreender o mistério pascal na celebração, em que Jesus deu graças e partiu o pão, e na vida, transformando-os em mensageiros da boa-nova (Cf. Lc 24, 13-35).
            Vale lembrar a participação de Jesus no culto sinagogal da Palavra, em Nazaré, narrada por Lucas, onde Ele mostra a atualização da palavra proclamada (cf. Lc. 4,16 - 30). “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir”.
            Na homilia, diferente do tradicional sermão, a Palavra de Deus proclamada é que orienta a pregação. Ela deixa a Palavra de Deus falar.
            No sermão, como o termo foi usado após o tempo dos padres da Igreja, quando era praticamente sinônimo de homilia, o objetivo ou o tema é central. A Sagrada Escritura é usada para fundamentar a tema a ser exposto.
            A homilia não quer ser uma aula de Teologia. Não tem como primeira finalidade ensinar ou instruir na doutrina. Não é uma exposição de um assunto de moral, de Exegese, de Psicologia ou de Pedagogia ou mesmo de catequese, embora esses aspectos possam estar mais ou menos presentes.
            Pode-se dizer que a homilia tem, como objetivo primeiro, colaborar com Deus para que sua Palavra melhor se encarne, para que sua Palavra seja melhor compreendida, encontre uma terra boa que produza muito fruto. E quer ajudar a assembléia a dar, por sua vez, uma resposta adequada à Palavra proclamada, na celebração e na vida, considerando-se sempre que a própria proclamação da Palavra de Deus já constitui um ato de culto, uma renovação da aliança entre Deus e os seres humanos em Cristo Jesus.
            Em outras palavras, a homilia é o momento do confronto entre a Palavra proclamada, no contexto do mistério celebrado e a vida do cristão. Deste confronto brotará, como resposta, a conversão. Esta conversão pode adquirir a forma de arrependimento, de adoração, de intercessão, de louvor, de ação de graças e de compromisso de vida.
            Resumindo, podemos dizer que a homilia tem por finalidade colaborar com Deus para que sua Palavra se encarne no hoje da vida dos fiéis; ajudar o povo fiel e ao próprio homiliasta que celebram os mistérios de Cristo, a darem uma resposta à Palavra ouvida na fé, na esperança e na caridade, na celebração e na vida; levar à conversão permanente, que consiste em voltar-se cada vez mais para Deus e para o próximo no amor; recolher os motivos de ação de graças; despertar as atitudes do sacrifício de Cristo, do seu Corpo dado e do seu Sangue derramado, na Liturgia e na vida; levar ao compromisso de viver de acordo com a Palavra ouvida e os mistérios celebrados.
            2.2. O caráter contemplativo orante da homilia. - A homilia quer atingir o coração das pessoas, o ser humano em sua totalidade, em todas as suas faculdades e sentidos. Ajuda a assembléia a contemplar o mistério celebrado para lançar-se mais profundamente nele, para melhor vivenciá-lo na Liturgia celebrada e na liturgia da vida.
            A Palavra de Deus celebrada, ritualmente proclamada, distingue-se por seu caráter orante. Ela é ouvida em atitude de fé, na esperança, visando sempre a caridade. Contemplando os mistérios de Cristo, a assembléia mergulha neles, é atingida por eles. Na sua escuta, a Palavra de Deus é contemplada.
            Hoje em dia, fala-se muito em leitura orante da Bíblia. Certamente, a Liturgia da Palavra nas assembléias do culto da Igreja, constitui a forma mais original da lectio divina. Ela pertence à espiritualidade cristã desde as origens. Firmou-se na Celebração da Eucaristia, nas Vigílias e nos Noturnos, agora, Ofício das Leituras da Liturgia das Horas. Permaneceu viva através dos séculos entre os monges, em momento próprio fora das celebração. Hoje, está sendo resgatada. Convém que seja feita também individualmente, sobretudo pelo homiliasta.
            No entanto, importa ajudar a assembléia litúrgica a realizar uma escuta orante da Palavra de Deus. As leituras e o Evangelho devem ser rezados na própria escuta, constituindo verdadeiro diálogo entre a proposta de Deus e a resposta da assembléia, onde já se renova a aliança entre Deus e a assembléia. Neste sentido, a homilia não é simples transição entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia eucarística, mas ela mesma constitui um diálogo entre Deus e a assembléia, onde se renova a Aliança em Cristo Jesus.
            Esta escuta orante da Palavra de Deus, por vezes, toma a forma de oração propriamente dita. É o caso, por exemplo, do Salmo responsorial e da Aclamação ao Evangelho.
            Assim também a homilia. Nela estará presente a oração sob vários aspectos. Sendo a homilia antes de tudo contemplação do mistério da fé e sua explicação, (explanação) ou explicitação, atualizando-a no aqui e agora de uma Comunidade de fé, o ministro da homilia só poderá falar na força do Espírito Santo. É no Espírito recebido em sua ordenação, que o homiliasta exerce sua missão de profeta, sacerdote e guia da grei a ele confiada. Também para a pregação no culto, o sacerdote recebeu o Espírito Santo pela imposição das mãos e para isso foi enviado. Só na luz e na força do Espírito Santo, ele poderá dar testemunho do que prega e ser fiel ao mistério de Cristo contemplado e proclamado. Não estaria aqui a razão por que o ministro ordinário e próprio da homilia é o ministro ordenado, sobretudo o Bispo? Aos Apóstolos foi confiado o tríplice poder messiânico de preta, sacerdote e rei, ou do anúncio do Evangelho, da santificação e de governo ou pastoreio.
            É sobretudo na eucaristia, que o bispo é chamado a anunciar o Evangelho, conforme o ensinamento de São Paulo: “Trago-vos à memória, irmãos, o Evangelho que vos tenho pregado e recebestes, no qual estais firmes. Por ele sereis salvos, se o conservardes como eu vos preguei. De outra forma em vão tereis abraçado a fé. Pois, na verdade eu vos transmiti, em primeiro lugar, o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu por nossos peados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e que apareceu a Cefas, depois aos Doze. Posteriormente apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais muitos ainda vivem, outros já morreram. Depois apareceu a Tiago, depois a todos os apóstolos. E depois de todos, como a um filho abortivo apareceu também a mim”.
            Este é o mistério pascal sempre de novo comemorado e renovado na celebração dos sacramentos, particularmente na eucaristia.
            Repito, a finalidade primeira da homilia não é a de transmitir verdades nem a mera explicação exegética da Palavra de Deus, mas a de evocar, contemplar, proclamar, testemunhar e comunicar os mistérios de Deus revelados e realizados em Jesus Cristo e atualizados na celebração memorial dos mesmos.
            Mas, a própria homilia constitui uma forma de oração, com caráter de contemplação dos mistérios celebrados, em forma de profissão e testemunho da fé, em forma de ação de graças pelas maravilhas de Deus, manifestadas na história da Salvação. Possui o caráter de louvor e de glorificação.
            Quando o homiliasta crê no que prega, reza o que contempla, também a homilia se torna uma forma de oração para toda a assembléia. Ela se reuniu para a oração, ela conseguiu entrar em íntima comunhão com Deus, por Cristo, no Espírito Santo. Então, ela não se dispersará com a impressão de não ter levado nada, pois ela carrega em si o mistério a ser vivido no dia-a-dia, na liturgia vivida, na ação da caridade. Terá havido conversão, terá havido crescimento no amor de Deus e do próximo. É isto que entendemos por comunicação litúrgica na homilia, distinta da arte da comunicação também importante. Dá-se uma participação ativa e eficaz.
            Ao fazer a homilia, o sacerdote se inclui. Ele fala também para si mesmo. Ele proclama sua fé, ele dá testemunho do mistério pascal de Cristo, núcleo central de toda pregação cristã.
            O homiliasta nunca deve esquecer de que a mensagem transmitida pela Palavra de Deus é sempre maior do que o conteúdo de sua pregação. Cada fiel ouvinte, hoje, quando a Palavra de Deus é proclamada na língua do povo, captará também conteúdos da mensagem, diretamente, pela ação do Espírito Santo. Nesta acolhida da mensagem, o fiel será auxiliado, enriquecido pela homilia. Quando a Palavra era “lida” em língua desconhecida e em voz baixa, o homiliasta, tinha que se transformar em anunciador do conteúdo da fé, em catequista. A própria Palavra proclamada e rezada já é anúncio, já é mensagem. Cada ouvinte da Palavra é atingido pela ação do Espírito Santo. O homiliasta realça, explica (desdobra), ilumina o aspecto pascal do mistério pascal celebrado.
            Neste sentido, o discurso homilético talvez seja mais amplo do que a homilia propriamente dita. Ele se manifesta também nas introduções à celebração e à liturgia da Palavra como um todo, dispondo os participantes a acolherem a Palavra em atitude orante, em atitude de conversão, abertos à ação do Espírito Santo. Quem faz a homilia dispõe-se a incluir toda essa ação da Palavra nos corações dos fiéis na ação de graças e no sacrifício memorial de Cristo na Cruz.
            Esta contemplação vivenciada levará a um compromisso renovado de vida. Trata-se de despertar atitudes, evocar motivos de ação de graças, exortar para o crescimento e a perseverança no seguimento de Cristo.
            2.3. O caráter eucarístico ou de ação de graças da homilia. - Podemos dizer também que a homilia busca recolher os motivos de ação de graças a partir de uma penetração mais profunda na mensagem da Palavra de Deus e do mistério celebrado e dispor os corações para entrarem na atitude sacrificial de Cristo, isto é, do Corpo de Cristo dado e do Sangue de Cristo derramado, na atitude do amor, da entrega total a Deus e ao próximo.
            A homilia evoca, narra, proclama os benefícios de Deus em favor do ser humano, manifestados sobretudo em Jesus Cristo, razão ou motivo da ação de graças que se segue. Desperta a fé, a esperança e a caridade. Ajuda a assembléia a conformar sua vida com o plano de Deus que se torna presente na celebração. Ajudará a despertar a atitude sacrificial dos membros da assembléia, atitude que consiste em entrar na própria atitude de Cristo diante do Pai, manifestada no mistério de sua morte e ressurreição: atitude de entrega, atitude de Filho muito amado. A Assembléia, acolhendo a Palavra, deixa-se possuir por ela nas virtudes da fé, da esperança e da caridade; ela gera a Palavra e a devolve a Deus com frutos pela palavra e o testemunho de vida. Trata-se, pois, de ser ouvinte atento da palavra, de acolhê-la, de concebê-la no coração, a exemplo de Maria e restituí-la a Deus com frutos.
            2.4. Dimensão pascal da homilia. - Sendo memorial dos mistérios de Cristo, do mistério do Cristo total, Cabeça e membros, a homilia tem dimensão pascal. Faz memória da Páscoa de Cristo e dos cristãos, ou das páscoas dos cristãos na Páscoa de Cristo. Os mistérios de Cristo, (páscoa de Cristo), continuam, por obra do Espírito Santo, nos cristãos. Cristo continua agindo pelo seu Espírito no serviço de salvação através dos cristãos. Estas ações pascais dos cristãos completam o mistério de Cristo. Neste sentido, a homilia possui também uma dimensão eclesial.
            É próprio da expressão significativa da Liturgia, o rito, acolher e expressar o mistério do Cristo total, Cabeça e membros, em sua dimensão pascal.
            Esta páscoa-fato da Igreja e da humanidade toda - mistérios de Cristo - realiza-se nas várias dimensões de sua vida. Penso que a Igreja no Brasil teve uma feliz inspiração, quando apresentou toda a sua vida e sua ação nas conhecidas seis dimensões.
            O mistério pascal não se restringe à morte e ressurreição de Jesus. Ele se consuma nos cristãos, nos membros de Cristo. Esta compreensão da páscoa adquire profundo significado no despertar da dimensão sócio-transformadora da vida cristã em geral e, em especial, na experiência libertadora dos povos da América Latina, incentivada e assumida pela Igreja.
            Penso aqui no ser humano nas suas diversas dimensões: o homo religiosus, o homo sapiens, o homo faber, o homo ludens, o homo solidarius, o homo patiens. Todas elas podem ser perpassadas do religioso, do sagrado, da dimensão pascal em Cristo, e todas elas deverão refletir-se no momento celebrativo de sua vida, portanto também na homilia.
            O homiliasta trará todas estas ações pascais dos cristãos à memória para que os fiéis as transformem em ação de graças e oblação, com Cristo e em Cristo. Ilumina todas essas realidades à luz do Plano de Deus da Salvação, para que os cristãos as vivam no dia-a-dia em dimensão pascal.
            Desse caráter da homilia se deduz a necessidade de o homiliasta, em sua pregação, levar sempre em consideração três elementos que nunca poderão faltar: O elemento exegético ou interpretação da mensagem da Sagrada Escritura proclamada na Liturgia da Palavra; o elemento vital, ou aplicação da mensagem à vida da comunidade e de cada um dos que a integram; e o elemento litúrgico ou aplicação da mensagem à celebração litúrgica e à assembléia que celebra.
            Daí a necessidade de o homiliasta estar por dentro das realidades da vida humana e da sociedade onde ele vive; a necessidade de, como bom pastor, caminhar com seu rebanho, para poder captar todas as realidades vividas por ele, iluminá-las pela Palavra de Deus e trazê-las para dentro da celebração. Como escreve Reginaldo Veloso: “A homilia é a leitura pascal da vida”.
            2.5 Caráter narrativo da homilia: proclamação das maravilhas divinas. - Esta característica decorre do caráter memorial da homilia. A homilia, em si mesma, não desenvolve um tema, não expõe nem defende verdades. Proclamando, ela narra a Economia Divina da Salvação, ou o Plano de Deus da Salvação, manifestado na História da Salvação, sobretudo, em Jesus Cristo.
            A homilia deve expor os mistérios da fé, mas em sua dimensão salvífica, como boa-nova a se atualizar na celebração. Deve anunciar, sempre de novo, o Amor de Deus, o Deus Amor, que pede uma resposta de amor da parte do ser humano. A homilia como ação litúrgica atualiza os mistérios do amor de Deus, manifestados em seu Filho Jesus Cristo, no mistério da encarnação e em sua Igreja através dos séculos.
            Os fiéis, já iniciados na fé cristã e no seguimento de Cristo, não se reúnem em assembléia eucarística para conhecer mais, mas para amar mais. Creio que, em grande parte a pregação litúrgica adquiriu formas temáticas, doutrinárias ou catequéticas, pelo fato de a própria Liturgia, sobretudo a Palavra de Deus, em língua estranha e cristalizada, já por si mesma não ser anunciadora da boa-nova, de Jesus Cristo.
            No Brasil, até hoje, sentimos esta falha, e continuamos a transformar a celebração dos mistérios de Cristo nos Sacramentos e, sobretudo, na Celebração Eucarística, em instrumento de evangelização, em ocasião de catequese, em imposição de ideologias. A ação evangelizadora deve encontrar outros momentos e lugares para o primeiro anúncio e para a Catequese que não o momento celebrativo que os supõem. Os que se reúnem para participar da Ceia do Senhor ou celebrar os mistérios de Cristo nos sacramentos, vêm porque já crêem no Cristo, já foram iniciados na vida cristã pela Catequese.
            2.6 Dimensão trinitária. - Sendo que na Liturgia temos sempre a revelação e a ação da Trindade, também a homilia terá uma dimensão trinitária. A liturgia é opus Trinitatis. O Pai revela e envia o Filho; o Filho, por sua vez, revela e envia o Espírito Santo. O Espírito Santo, por sua vez, revela, faz conhecer melhor o Filho e conduz para ele; o Filho vai levando a um conhecimento sempre maior do Pai e a ele conduz. Tudo isso acontece naquele dinamismo divino, ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, próprio da liturgia.
            A homilia, pois, contempla e revela o Pai, que age na ordem da criação e da salvação pelo Filho, no Espírito Santo. A Economia divina da salvação brota da Trindade e manifesta-se na história, realizada pelo Filho, no Espírito Santo. O homiliasta contempla e narra esta maravilhosa economia divina à luz das atribuições às Pessoas da Trindade Santa. Trata-se de um Deus Trindade na história da humanidade e na vida de cada pessoa humana. O homiliasta ajudará a trazer esta realidade ao presente na celebração da Igreja, onde o Pai continua a obra da criação, o Filho continua salvando e o Espírito Santo, santificando. Ele ajudará os fiéis a viverem esta dimensão trinitária de suas vidas particularmente na Oração eucarística.
            3. A interpretação da Palavra de Deus na homilia
             Não sendo a homilia uma exposição exegética da Bíblia, ela deve, contudo, ser fiel à ciência exegética, para que a mensagem da Palavra de Deus seja autêntica. Claro, sempre à luz da teologia e fiel ao magistério da Igreja.
            Contudo, a Sagrada Liturgia tem uma hermenêutica própria no uso da Sagrada Escritura. Sendo uma ação cultual, fiel ao sentido literal das Escrituras, a Liturgia se interessa em haurir da Bíblia seu conteúdo mistérico, seu conteúdo salvífico. Toda interpretação das Sagradas Escrituras tem certamente seu fundamento na exegese literal. Mas, a exegese racional e científica apenas precede a exegese cristã dos livros sagrados e é como que seu fundamento.
            Na Liturgia, a Igreja usa uma exegese espiritual. Ela consiste em reconhecer que o livro sagrado não é um documento puramente histórico, mas a Palavra de Deus. É uma palavra dirigida a pessoas e que exige hoje uma resposta pessoal. A exegese literal pode ser para o cristão somente o fundamento de uma hermenêutica litúrgica em que se atualiza a Palavra de Deus. A exegese espiritual, contudo, não se acrescenta simplesmente a uma interpretação puramente literal do texto: ela é a verdadeira, a plena interpretação duma Palavra que já para o hagiógrafo não era um simples documento humano, mas Palavra de Deus. A exegese espiritual prolonga no tempo a vida do livro sagrado. Os acontecimentos são proféticos: em cada acontecimento, cada pessoa que escuta, encontra-se a si mesma. Trata-se da Palavra de Deus que convoca e realiza a comunidade, a Qahal Jahweh do Antigo Testamento, a Ecclesia dos cristãos, e prenuncia a Jerusalém celeste.
            A Liturgia da Igreja interpreta a Palavra de Deus por aquilo que se cumpre nela mesma. A Sagrada Escritura revela um Deus que age na História, que por seu Verbo divino faz surgir a história e a conduz à consumação.
            A sagrada liturgia, portanto, também o homiliasta, lê a Sagrada Escritura num sentido bem determinado, todo seu, sob uma luz própria, que constitui como que a sua norma de interpretação. É o princípio da unidade do mistério de Cristo e da História da Salvação.
            O mistério de Cristo é um só, desde o plano eterno de Deus, passando pela criação do mundo e do ser humano, a história do povo de Deus do Antigo Testamento, o fato da encarnação do Verbo de Deus e sua expressão no tempo da Igreja até a consumação na parusia.
            Nos textos bíblicos encontramos as três ou quatro dimensões do sinal litúrgico, dimensões que abrangem toda a história, toda a realidade, tornando-a atual, colocando-a, por assim dizer, acima do tempo, no mistério.
            Os textos bíblicos e as fórmulas e os sinais inspirados na Bíblia, comemoram o passado e, comemorando o passado, indicam realidades presentes e anunciam o futuro. São sinais comemorativos, indicativos e proféticos, suscitando uma atitude e resposta na fé, o que chamamos de dimensão empenhativa.
             4. Comunicação litúrgica homilética
             Também na homilia devemos distinguir entre a comunicação litúrgica e a arte da comunicação na liturgia.
            Uma vez que a homilia tem as características essenciais da Liturgia, faz parte da Liturgia, é litúrgica, também nela deve realizar-se a comunhão ou comunicação com Deus no homiliasta e na assembléia. O homiliasta comunica Deus à assembléia e comunica a assembléia com Deus. Quem faz homilia, ajuda a Deus a comunicar, a encarnar a sua Palavra e ajuda a assembléia a responder à Palavra na celebração e na vida. Desperta a adesão à Palavra, ou seja, leva à conversão.
            Por isso, o Presidente há de se incluir na comunhão com a Palavra de Deus, há de tornar-se um com a Palavra de Deus. Através da acolhida da Palavra, entrando em comunhão com a Palavra de Deus, ele entra em comunhão consigo mesmo, com Deus e com a assembléia. Procura vivenciar a mensagem ouvida e dar testemunho dela. Ajuda, enfim, a mergulhar no mistério revelado. Realiza-se uma comunicação litúrgica.
            A arte da comunicação, como a oratória, a eloqüência, os instrumentos técnicos de comunicação usados, constituem meios preciosos para tornar a comunicação litúrgica mais intensa, mais eficaz.
            O homiliasta dialoga consigo mesmo e comunica-se com Deus e com a assembléia com todo o seu ser. Não só pela palavra, pelo raciocínio, pelo discurso, mas como Presidente da assembléia, com todo o seu ser e agir: o olhar, a expressão da face, o gesto, a emoção. A assembléia toda comunica-se com Deus através da pessoa do homiliasta, confrontando-se com a Palavra de Deus proclamada, arrependendo-se do mal, pedindo perdão, intercedendo, adorando, bendizendo, renovando a aliança com Deus, comprometendo-se a viver segundo a Palavra proclamada, enfim, rezando. Também na homilia a assembléia reza, ou seja, entra em íntima comunhão com Deus.
          Concluindo, certamente uma das prioridades na formação do homiliasta será sua introdução à compreensão teológica da Liturgia e sua iniciação na natureza litúrgica da homilia.
frei Alberto Beckhäuser, OFM
Pequena indicação bibliográfica:
 1. Gebhard Fesenmay, o. f. m., A Homilia na Celebração Eucarística, em Fr. Guilherme Baraúna, A Sagrada Liturgia Renovada pelo Concílio, Vozes, Petrópolis, 1964, p. 405-427.
2. Irineu Sansão, Aspectos Teológico-Pastorais da Pregação no culto Divino à luz do Vaticano II, Vozes, Petrópolis 1969.
3. CELAM, Homilia, Edições Paulinas, São Paulo 1983.
4. Luigi Della Torre, Homilia, em Dicionário de Liturgia, Edições Paulinas/Edições Paulistas, São Paulo 1992.
5. Lucien Deiss, A Homilia, em A Palavra de Deus Celebrada. Teologia da Celebração da Palavra de Deus, Vozes, Petrópolis 75-108.
5. Luis Maldonado, A Homilia: Pregação, liturgia, comunidade, tr. Paulus Editora, São Paulo 1997.
6. Alberto Beckhäuser, OFM, A homilia à luz da Sagrada Lituriga em Pe. Geraldo L. B. Hackmann (Org.), Sub Umbris Fideliter. Festschrift em homenagem a Frei Boaventura Kloppenburg, EDIPUCRS, Porto Alegre 1999, p.11-39.
7. Alberto Beckhäuser, OFM, Comunicação homilética, em Comunicação litúrgica: Presidência, Homilia, Meios Eletrônicos, Vozes, Petrópolis 2003, p. 35-84.
8. Frei Alberto Beckhäuser, OFM, Hermenêutica e Liturgia: REB 32 (1972) 568-580.
9. Dizionario di Omiletica, a cura di Manlio Sodi - Achille M. Triacca, Editrice Elle Di Ci - Editrice VELAR.



A  PRESIDÊNCIA NAS CELEBRAÇÕES
As celebrações acontecem pelo desejo e o fervor das comunidades e graças a pessoas que se consagram a seu serviço, preparando e presidindo as celebrações, tirando tempo e energia para se qualificarem, garantindo, assim, a memória da páscoa no dia do Senhor. O serviço da presidência a cargo de homens e mulheres leigas é reconhecido pela CNBB como verdadeiro ministério litúrgico e vai sendo, pouco a pouco, acolhido pelas comunidades mediante a verificação da habilidade e da fé com que estas pessoas desempenham tal serviço. Vamos ver aqui algumas dicas concretas de como presidir bem essa ação de graças no dia do Senhor.

 Igreja, um povo de sacerdotes
O documento “ luz dos povos” do Vaticano II afirma que: “Cristo Senhor fez do novo povo um reino de sacerdotes para Deus Pai”. Pois os batizados são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo, para que ofereçam sacrifícios espirituais. Por isso todos os discípulos de Cristo oferecem-se como hóstia viva, santa e agradável a Deus.
Está aí proclamado um dado autenticamente bíblico: a comunidade dos batizados em Cristo na força do Espírito Santo constitui toda ela um povo sacerdotal. Povo em que todos são sacerdotes. O sacerdócio ‘comum’ dos fiéis (todos os cristãos) e todo o sacerdócio ministerial (padres e bispos) embora sejam diferentes no seu modo de ser devem completar um ao outro.

A assembléia litúrgica
Quando nos reunimos para celebrar nós formamos uma assembléia litúrgica.
Quando falamos em assembléia litúrgica, não devemos pensar só nas Missas, mas também:
-         Na celebração de todos os sacramentos;
-         Nas celebrações dos sacramentais; (encomendações, bênçãos, procissões...)
-         Nas celebrações da Palavra ou culto dominical;
-         Nas via-sacras, novenas, círculos bíblicos;
-         Na oração do Ofício Divino (oração da manhã, da tarde)

O presidente da assembléia litúrgica
A partir disso, o presidente de uma celebração litúrgica pode ser o bispo, o padre, o cristão leigo (o batizado). Entre os ministérios, ou serviços, há um que merece um momento de maior atenção: “o ministério daquele que preside”. Na expressão de São João Crisóstomo, somos um corpo comunitário. Um corpo é coordenado por uma cabeça. A Igreja sabe que sua cabeça é Jesus Cristo. Ele é o único dirigente, e o Espírito Santo é o único animador, a ‘alma’ da comunidade. Mas precisamos ter entre nós um sinal visível, um sacramento de Cristo-cabeça. Na Missa é sempre o bispo ou o padre, nas celebrações ou culto dominical é sempre alguém da própria comunidade preparado para desempenhar esta função.

O serviço da presidência.
O presidente inicia e encerra as celebrações. Ele faz as orações ao Pai, em nome de todo o povo. Ele coordena os demais ministérios dentro da celebração. Por isso, deve sempre sugerir uma presença viva de Cristo através de sua comunicação, gestos, tom de voz, postura, atenção e pelo anúncio da palavra.
            A presidência das assembléias dominicais constitui um ministério específico em relação aos demais ministérios que compõem a equipe de celebração. É por convicção cristã e pelo desejo de servir a igreja que esses homens e mulheres se oferecem para essa tarefa, justamente num momento em que a falta de ministros ordenados está a exigir tal serviço. Em muitos casos, só o fato de serem casados ou de serem mulheres impede que tais servidores recebam da Igreja o sacramento da ordem para o serviço de animação da comunidade e presidência da eucaristia.
            Enquanto for assim, podemos administrar com inteligência e coração o fato de que aos leigos são confiados ministérios pastorais de importância vital para a comunidade cristã.
            Como presidente, a sua função é ajudar o povo a tomar parte de cada ação litúrgica, e a viver interiormente o sentido de cada uma delas. Não com o discurso, mas fazendo bem e colocando alma naquilo que faz.
            O serviço da presidência pode ser assumido por mais de uma pessoa, num tipo de presidência partilhada, dividindo as funções que lhe são específicas.

Atitudes que o presidente deve evitar.
- Não se colocar acima da comunidade, mas sempre celebrar com a comunidade;
- não fazer tudo sozinho (acumular funções), mas sempre dividir as tarefas;
- não se achar o ‘dono’ da comunidade, mas sempre procurar outras pessoas para ajudar;
- não estar desligado da vida da comunidade, mas vivenciar o espírito comunitário;
- não celebrar com atitudes moralistas, mas sempre procurando mostrar o caminho certo;
- não prolongar muito a celebração, mas ser claro e objetivo.
- Não ser racional demais, mas procurar também se colocar em atitude de oração.

O entrosamento é necessário.
É necessário também que haja entrosamento entre quem preside e os demais servidores (leitores, cantores, salmista, etc.)
A preparação em equipe, além de ser necessária para criar um tal entrosamento, é salutar para que os que assumem a função de presidir não se considerem numa posição de superioridade em relação aos demais ministros. Nesse sentido, também não é recomendável que haja, como via de regra, uma formação só para as pessoas que presidem a celebração. Mesmo que, em algum momento, seja necessária uma formação específica (leitores, músicos, instrumentistas...) é fundamental que todos recebam uma formação básica que os qualifique como agentes de pastoral litúrgica.
O MINISTÉRIO DA PRESIDÊNCIA
O presidente da assembléia litúrgica
Na missa e na celebração dos sacramentos, o presidente da  assembléia é o bispo ou o padre. Ele representa na assembléia reunida o Cristo cabeça de sua Igreja: Cristo que vem até nós, da parte do Pai, para nos salvar e transformar, e Cristo que nos representa junto do Pai e intercede por nós. Por isso, ele tem seu lugar frente ao povo, na cadeira do presidente.
Porém, como “cabeça” ele não pode estar desligado do “Corpo”:
Há muitas celebrações que podem ser feitas mesmo sem a presença de um bispo ou padre: celebrações da Palavra, celebrações penitenciais, vias-sacras, novenas etc. Poderão ser presididas por um outro ministro indicado pelo padre ou pelo bispo: ministro da palavra, ou ministro extraordinário da comunhão eucarística, ou um acólito, ou um catequista, ou por outra pessoa, ou mesmo por uma pequena equipe coordenadora.
O presidente inicia e encerra as celebrações. Ele faz as orações ao Pai, em nome de todo o povo. Ele coordena todos os ministérios. Deve ser como um bom pai ou uma boa mãe, imagem do amor do Pai. Por isso, ele deve sugerir uma presença viva de Jesus Cristo: pelo seu modo de comunicar, pelos seus gestos, tom de voz, atenção às pessoas, pelo anúncio da Palavra ligada às circunstâncias concretas da vida, da comunidade, pela denúncia daquilo que atrapalha o crescimento do Reino, pelo seu modo de se dirigir ao Pai em oração.
O presidente não se coloca acima da comunidade, nem faz tudo sozinho. Preocupa-se em fazer com que toda a comunidade se torne um povo celebrante, ativo e participante, um povo sacerdotal.
Ele não celebra sozinho, não celebra para o povo ou em favor do povo. Quem celebra é todo o povo. O presidente deve, pois, celebrar com o povo, sabendo-se parte dele. Deve ouvir a palavra, cantar, rezar, comprometer-se com Jesus Cristo, junto com todo o povo e ajudá-lo a fazer o mesmo.
O presidente ou dirigente de uma celebração da Palavra ou outra celebração pode ser homem ou mulher. Podemos viver plenamente a novidade evangélica de que em Cristo não existe discriminação por causa da raça, condição social ou sexo. Deste modo, os dons e carismas que o Espírito Santo concede com tanta largueza a homens e mulheres, podem aflorar também na liturgia para o bem de todo o povo de Deus.
A função do presidente é simbolizar a presidência de Cristo. A presidência é, antes de tudo, um símbolo que dá vida a qualquer grupo. Não funciona isoladamente, mas é garantia de participação de todos, pois, na figura de quem preside, todo o grupo se sente parte. Por sua força simbólica, todos se identificam e se sentem membros do grupo. A ausência total deste referencial gera um sentimento de caos e dispersão.
Quem preside deve se encher da compaixão de Jesus, abraçar todos os filhos e filhas que voltam para encontrar o Pai, dirigir-lhes um olhar de bondade, como o de Jesus na multiplicação dos pães (Jo 6,5). Os presidentes não podem esquecer que o Cristo lavou os pés dos presentes: “Não vim para ser servido, mas para servir".


O  ANO  LITÚRGICO  E  SEU  SIGNIFICADO
PARA  A  VIDA  DA  IGREJA
1º  CICLO


2º  CICLO


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CELEBRAÇÃO OU FALAÇÃO

De tanto ouvir reclamar que a missa estava comprida demais, o padre e a equipe passaram a celebrar mais e falar menos. A igreja ficou mais cheia e a qualidade participativa melhorou.
Em cursos, é comum ouvir comentários sobre a celebração. Entre tantos comentários e de todos os tipos, um chama particularmente minha atenção. Muitas, mas muitas pessoas, dizem que a missa se alonga, porque tem muita falação. Numa dessas conversas, alguém me dizia que a missa deveria ser mais leve, mais silenciosa e com menos falação. E receitava: comentários breves, homilia na medida e momentos para a assembléia se envolver pelo silêncio e poder rezar. Eu fiz um pequeno comentário de liturgista: e celebrar melhor.

Pensando nisso, achei por bem falar de um desequilíbrio celebrativo que vem acontecendo em algumas missas: a falação. São dois tipos de falação que atrapalham a missa. Um acontece no interior da assembléia, com aqueles que ficam o tempo todo cochichando com o vizinho; outro é falação de alguns ministros da celebração. Vamos nos concentrar no último.

Os faladores na celebração
As novas Instruções Gerais do Missal Romano pedem que os comentários sejam breves, cuidadosamente preparados, sóbrios e claros (IGMR 105). Mesmo assim, comentaristas há que falam o tempo todo e longamente, abandonando a sobriedade e a clareza por falar demais. Parece se considerarem na obrigação de comentar tudo e achar meios de intervir a todo momento. Comentaristas que assim agem tornam-se faladores na missa.

Junto a esses podem ser incluídos alguns padres que também falam longamente para iniciar a missa, para motivar o ato penitencial, para pedir que a assembléia silencie... e tanto falam e explicam o silêncio, que pouca chance dão aos celebrantes de silenciar.

O que dizer daqueles que, irritadamente, têm a mania de explicar tudo, tintim por tintim. Explicam que vão fazer uma saudação; e depois saúdam. Explicam as partes da missa, como se ela fosse aula de significados, de sinônimos litúrgicos ou celebrativos. Explicam símbolos e sinais para que os celebrantes confirmem que de fato aquilo é um símbolo ou sinal.

Participando de uma missa dominical, ouvi de um jovem comentarista o seguinte esclarecimento para a procissão de entrada: “Na frente virá a cruz processional, depois os ministros e no final da fila, o padre”. Falou para dizer o que todos iriam ver e para dizer o óbvio. A não ser que muitos sejam cegos na assembléia, comentários assim são dispensáveis. A falação em algumas celebrações é tanta que permite perguntar: afinal, estamos celebrando uma missa ou escutando uma falação interminável.

Tudo que é demais dispersa
Sem generalizar, já vi comentaristas que, na ânsia de comentar e preparar a assembléia para ouvir as leituras, fazem autênticos sermões antes da Primeira Leitura. Depois, repetem o mesmo com a Segunda Leitura e com o Evangelho... Sem contar que depois de três sermões, que antecederam as leituras, vem a homilia do padre. E mais uma mini homilia para introduzir a profissão de fé, outro sermãozinho para introduzir as preces da comunidade e.... haja falação. Falar demais, num processo comunicativo como a missa, produz efeito desgastante e dispersa a assembléia.

Sei que alguns ministros da liturgia com a boa intenção de ajudar o povo a compreender a missa chegam ao exagero de fazer missas explicadas para o povo, como se o momento celebrativo da Eucaristia fosse hora para ensinar o que é a missa e cada parte dela em particular. Transformam a missa numa aula de catequese litúrgica, explicando isso e mais aquilo.

Você pergunta: “Não é interessante que a missa seja explicada, para que os celebrantes possam conhecê-la melhor e, conseqüentemente, melhor participem?” Claro que sim! Mas que isso seja feito em outras ocasiões; em encontros, por exemplo. Não se pode confundir celebração eucarística com missa catequética nem transformar a missa em aula. Missa é para ser celebrada.

Aceitar a dinâmica celebrativa
Como sair dessa?! Simples! A celebração tem um processo comunicativo dinâmico com canções, ritos processionais, momentos para falar, instantes de silêncio, hora de sentar para ouvir, de estar de pé para aclamar, momentos para ajoelhar, ocasiões para olhar... Fazer bem cada momento comunicativo, com a característica que lhe é própria e sem se estender em explicações, é o melhor modo de valorizar cada um dos ritos celebrativos que compõem a missa. Fora isso, estaremos sempre correndo o risco de ter muita falação e pouca celebração; muita catequização ou moralização e pouca mistagogia para introduzir os celebrantes no mistério e no compromisso com o projeto do Reino de Deus.
Perguntas para a Pastoral Litúrgica
1 - Você que faz parte da equipe litúrgica ou de uma equipe de celebração, como avalia os comentaristas: falam demais e o todo tempo?
2 - Durante a celebração, quando são feitos muitos comentários e muitas explicações, você e sua equipe de liturgia já analisaram qual o comportamento dos celebrantes? Ficam atentos ou inquietos?
3 - Como você avalia o hábito que alguns têm de fazer comentário o tempo todo e para tudo? Será que depois de 40 anos da Reforma Litúrgica, ainda é preciso comentar tudo e a todo momento?
De São José do Rio Preto (SP),
Serginho Valle,
Coordenador do Serviço de Animação Litúrgica
www.liturgia.pro.br


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COMUNHÃO  SOB  AS  DUAS  ESPÉCIES
Os católicos poderão voltar comungar tanto com a hóstia quanto também com o vinho, privilégio que até então era reservado, nas missas comuns, aos sacerdotes. Foi o que indicou ontem na cidade do Vaticano a Congregação para o culto divino e a Disciplina dos sacramentos a respeito da "comunhão sob as duas espécies".
A nota antecipa o que será publicado na terceira edição do missal romano, aprovada em 20 de abril de 2000 pelo papa João Paulo II. No parágrafo 283 do novo missal pode-se ler as novas regras para o rito romano, que "possibilitam a distribuição da sagrada comunhão sob as duas espécies do pão e do vinho".
Muitos párocos, sem esperar por indicações especiais, já há anos ministram a comunhão com a hóstia e o vinho, em circunstâncias particulares e para pequenos grupos de oração. A novidade é que a Igreja agora passa a readotar essa prática tanto no plano formal quanto universal.
O bispo diocesano estará encarregado de ditar as normas sobre a matéria, sem esperar autorização da conferência episcopal da qual faz parte. O documento do Vaticano não entra em detalhes sobre como o vinho deverá ser distribuído durante a comunhão. Em torno disso, foram arquitetadas hipóteses, entre elas as de cálices individuais, canequinhas e hóstias molhadas em vinho.
A implementação da norma não será fácil nas concorridas missas dominicais, embora a modalidade deva ser decidida em nível local.
O padre franciscano Rinaldo Falsini, estudioso da liturgia, indicou no semanário Settimana a importância histórica da nova regra do Vaticano, com a qual "desaparece essa proibição (do vinho para os fiéis) que remonta ao Concílio de Constança, de 1415" e que, em parte, "havia sido desbloqueada pelo Concílio Vaticano em 1963".
O Povo


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O CULTO EUCARÍSTICO
A Eucaristia, que desde a origem está no centro do culto cristão, é também o centro da vida interior de cada fiel. As formas devocionais que dele surgiram foram se desenvolvendo com o correr dos tempos. A Igreja e o seu Magistério, por sua vez, introduziram-nas na liturgia, ou autorizaram sua prática privada. O resumo que segue pretende oferecer uma visão histórica desta devoção.
SÍNTESE  HISTÓRICA
A devoção eucarística, assim como existe hoje, aparece somente após o século X. No entanto, desde os santos Padres (séculos IV - V), e sobretudo na alta Idade Média (século XIII), certas manifestações devocionais prenunciam outras formas de culto e vivência eucarística.
A celebração da eucaristia, inicialmente, era restrita à liturgia dominical. Ao redor desta celebração semanal, muito cedo tida como de fundamental importância, surge, no tempo de Tertuliano († 220), uma celebração - mais freqüente e até mesmo diária.
A obrigatoriedade da participação da missa dominical aparece somente em 529, por determinação do Concílio de Orange. Nos séculos III e IV, a missa e a comunhão cotidianas passam a ser generalizadas.
A fim de possibilitar a comunhão dos doentes, se estabelece, desde o início, o costume de conservar as santas espécies após a comunhão dos fiéis (reserva eucarística). Durante os primeiros séculos, por causa das poucas igrejas e da utilização das casas de família, esta prática necessariamente assume caráter privado.
Justino († 165), na sua Apologia dirigida ao imperador Antoniano, diz que os diáconos são encarregados de levar a eucaristia aos ausentes.
A reserva eucarística, uma vez terminadas as perseguições, é cercada sempre mais de respeito e solenemente conservada. O sínodo de Verdum (século VI) determina que se conserve a eucaristia em lugar eminente e honroso e haja uma lâmpada acesa.
Leão IV († 855) indica expressamente que se conserve o santo sacramento sobre o altar. Às vezes, se conserva também o vinho consagrado. Uma carta de são João Crisóstomo a Inocêncio I faz alusão, por exemplo, ao precioso sangue profanado no lugar em que estavam conservadas as santas espécies.
A devoção à presença do Cristo, como tal, se desenvolve mais tarde.
Santo Agostinho († 430) nos dá testemunho disso: “Ninguém coma daquela carne sem primeiro tê-la adorado...”
O sacramentário Leonino, do século VII, declara que é toda a pessoa de Cristo, com sua natureza divina e sua natureza humana, que se adora na eucaristia. Certas liturgias antigas assinalam que, no momento da comunhão, se fazia uma elevação pela qual os elementos consagrados eram apresentados aos fiéis com estas palavras: “As coisas santas para os santos!”.
A devoção à eucaristia é, de modo particular, vivenciada pelo monges que vivem nos mosteiros. Suas celas são contíguas à igreja e, pelo hagioscópio (abertura que permite ver o altar), eles assistem à missa, aos ofícios e comungam.
INCREMENTO DO CULTO EUCARÍSTICO
O movimento em favor da devoção à eucaristia se manifesta cada vez mais vigoroso entre fiéis e teólogos. Porém, a partir de 1200, a teologia e o culto eucarístico tornam-se, em quase toda a Igreja, objeto de constante preocupação. Não é de estranhar que, meio século mais tarde, seja instituída a festa do Corpo de Deus (Corpus Christi).
É sobretudo na Bélgica que este fervor provoca o aparecimento do culto à eucaristia tal qual o conhecemos hoje. Em Liège existem mosteiros inteiros dedicados à adoração do SS. Sacramento.
Santa Juliana (1192 - 1258), primeira abadessa das agostinianas de Mont-Cornillon, tem visões que pedem a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Alguns teólogos consultados se declaram favoráveis.
Roberto de Torote, pouco favorável no começo, muda de idéia depois de um diálogo com Juliana e, em junho de 1246, institui a festa do Santíssimo Sacramento decidindo que seja anualmente celebrada na quinta-feira depois de Pentecostes.
O papa Urbano IV († 1264) estende a festa do Santíssimo Sacramento para toda a Igreja, em 11 de outubro de 1264. A instituição da solenidade de “Corpus Christi”, como uma das maiores festas do ano litúrgico, confere à devoção eucarística um caráter oficial.
A eucaristia, a partir do século XII, dá origem às confrarias, ordens e congregações religiosas instituídas para promover o culto ao Santíssimo Sacramento. Importante é também o surgimento, no século XIX, dos congressos eucarísticos diocesanos, nacionais e internacionais, ocasiões de aprofundamento da teologia eucarística.
LIÇÕES  DA  HISTÓRIA
Fica demonstrado portanto que a fé no culto eucarístico nem sempre se desenvolveu com equilíbrio, acusando, cá e lá, certos exageros e desvios. Assim, o desejo de ver a hóstia, que se concretizou posteriormente no rito da elevação e nas exposições do Santíssimo, alimentou excessivamente a dimensão individual do culto eucarístico, deixando, à sombra, a dimensão sócio-eclesial.
O aspecto social se restringiu preferentemente a algumas formas exteriores de culto, mas o espírito que animou estas expressões continuou profundamente individualista. Isso empobreceu a dimensão plena e integral da eucaristia.
A acentuação exagerada da eucaristia, enquanto sacramento, chegou mesmo a alimentar atitudes religiosas marcadas por elementos de superstição, como: colocar a hóstia na boca dos defuntos, dentro da mesa do altar, etc. A piedade popular careceu de uma teologia mais sólida do mistério eucarístico como um todo celebrativo, visão que orientasse a devoção eucarística fora da missa.
A presença real do Cristo na eucaristia foi de fato considerado, muitas vezes, apenas como um valor isolado. Cristo não se faz presente na eucaristia para ser simplesmente adorado, mas para ser alimento dos cristãos. Em outros termos, a presença real acontece em função da comunhão:
“Isto é o meu corpo que é dado por vós... meu sangue... derramado por vós”. “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,21).
O motivo primeiro é a comunhão. Evidentemente, dado que o Cristo está real e substancialmente presente na eucaristia, é digno de toda nossa adoração e do nosso respeito.
O desenvolvimento deste culto eucarístico fora da missa aconteceu, historicamente, no momento em que o povo se distanciava da celebração litúrgica, porque não mais a compreendia por falta de catequese e pela distância que se estabeleceu entre liturgia e povo. Conseqüência: a não-participação ativa dos fiéis, reduzidos a meros espectadores da ação litúrgica. Dessa forma, os cristãos buscaram formas isoladas e individuais para alimentar a sua piedade e manifestar o seu amor à eucaristia.
EUCARISTIA  E  ECUMENISMO
O papa Paulo VI lembra os frutos do culto eucarístico, particularmente em vista do ecumenismo:
“O nosso Santíssimo Redentor, pouco antes de morrer, pediu ao Pai que todos aqueles que viessem a crer nele se tornassem uma só coisa, como Ele e o Pai são uma só coisa.
Oxalá que todos celebremos, com uma só voz e uma fé, o mistério da eucaristia e, tornando-nos participantes do Corpo de Cristo, formemos um só corpo, unido com os mesmos vínculos que Ele determinou” (Mysterium Fidei, 75).
Finalizando. Nunca devemos esquecer que a presença real está em relação com a comunhão e que Cristo está presente na eucaristia, em primeiro lugar, para ser alimento dos fiéis. Por isso mesmo, a eucaristia é digna de adoração e reverência também fora da santa Missa.
padre Valter Mauricio Goedert
Instituto teológico de SC (Itesc)


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É SEMPRE IGUAL!
Um senhor já maduro, com ares de quem não gosta de ser contrariado, dizia ao padre da comunidade: "Não gosto de missa, seu padre; é sempre a mesma coisa". E sentou-se desafiador!
Dizer que não gosta de missa porque é sempre a mesma coisa tornou-se refrão conhecido e tão velho quanto quê. Pode ser que você já tenha pensado a mesma coisa. Se ficarmos somente na ritualidade da missa, de fato, sua estrutura ritual é sempre igual: ritos iniciais, liturgia da palavra, liturgia sacramental e ritos finais. Mas, o que muda na missa é a vida que lá se leva para ser celebrada no Mistério da Salvação de Jesus Cristo. Por isso, cada rito, cada leitura, cada comunhão terão sentido diferentes; serão diferentes em cada missa.
Se você parar na ritualidade, concordo: “as missas são iguais”. O que dá sentido para a missa não é a ritualidade, mas a vida sintonizada com o projeto de Deus. Isso nem sempre é compreendido e, infelizmente, muitas equipes de celebrações querem fazer bonito, usam muita criatividade, mas esquecem de afinar missa com vida e projeto divino. Quando falta essa ligação, todas as missas ficam iguais.
O segredo está em celebrar
Tenho certeza de que você é daqueles que vê sentido na missa e já percebeu que uma é diferente da outra. É assim mesmo! Quando a gente vai à missa para assistir, então é sempre a mesma coisa. O padre que reza lá na frente e o povo que senta e levanta, ajoelha e canta até terminar a celebração. É uma sucessão de ritos e canções, rezas, homilia e comentários. Mas, quando a gente deixa de assistir e passa a celebrar, a coisa muda. E muda para melhor. O segredo está em celebrar a missa e, não, em assisti-la.
Muda porque, na assistência da missa, você só vai à igreja para ver a missa, como se vê televisão ou se assiste a um teatro. De fato, quem não celebra a missa pára na ritualidade. Quando uma equipe de celebração só se preocupa em executar ritos, a missa transforma-se em ritualismo. Quando a gente celebra, a coisa fica diferente. Cada missa torna-se uma “celebre-ação” nova, diferente da anterior.
Cada vez, encontra-se um sentido novo, uma razão diferente para celebrar. As equipes de celebrações têm uma função importantíssima nesse sentido: ajudar os celebrantes a colocar a vida pessoal e a vida da comunidade na salvação de Deus, que se celebra na missa.
Quando assim acontece, haverá um domingo que a celebração motiva a suplicar a presença e a luz divina para resolver algum problema. Noutro, celebra-se para agradecer. Se está triste ou magoado com alguém, ela ajuda a celebrar com os irmãos a paz na provação e incentiva a perdoar. Noutro domingo, tudo é alegria e se quer abraçar o mundo e, então, celebramos com Deus e com os irmãos a alegria de viver. A cada domingo, celebra-se a própria vida na vida de Deus. Assim, o projeto de Deus, pelo Evangelho, passa a dar sentido ao viver. É Deus passando na vida de cada um; Deus passando na vida da comunidade. Como é possível dizer que é sempre a mesma coisa?
Na missa, Deus se manifesta
Mas, é bom lembrar que Deus não é alguém passivo que só recebe louvores e pedidos na missa. Ele também se manifesta. A gente ouve Deus falando pela Bíblia, pela mensagem do padre, pela poesia das canções, das orações... Ele se manifesta pelos símbolos e pelo silêncio. Isso complica, quando o padre fala sempre a mesma coisa ou se os músicos cantam qualquer canção, sem se preocuparem com o contexto celebrativo da missa. Também quando os símbolos não têm relação com a celebração. Mas, quando a equipe de celebração sabe comunicar-se liturgicamente, então os celebrantes falam menos e ouvem mais Deus, comunicando-se nos símbolos, sinais, gestos, pela Palavra e pela canção, pelos ritos, pela alegria da paz interior e pelo silêncio.
E, por falar em símbolo e sacramento, o mais importante de todos é o pão e o vinho que se tornam Corpo e Sangue do Senhor. Também esses ganham sentidos novos em cada missa. Cada vez que você se alimentar na missa é Cristo que você comunga; é a vida divina enriquecendo e santificando sua vida humana. Mas, como uma missa nunca é igual a outra, o efeito do alimento divino na vida do cristão sempre será diferente, sempre provocará um compromisso novo com o projeto do Reino de Deus.
Depois de mudar o olhar e a mentalidade no modo de perceber a missa, será possível dizer que missa é sempre igual? Não sei se aquele homem entendeu toda a explicação do padre, mas entender a missa como celebração pela qual Deus e a gente se misturam na troca de vidas, é descobrir-lhe a beleza sempre nova e cativante.
Serginho Valle


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LITURGIA  E  TEMPO 
Os mistérios que Jesus Cristo viveu neste mundo, Ele os viveu por amor de nós; neles se mostra nosso modelo, mas sobretudo quer unir-se a nós como Chefe de um só Corpo Místico, do qual Ele é a Cabeça e nós os membros. A virtude desses mistérios é sempre operante e eficaz.
Se Deus nos revela os segredos do Seu amor para conosco é para que os aceitemos afim de nos adaptarmos ao plano eterno, de onde emana santidade e salvação. Se Cristo nos revela os tesouros insondáveis através dos seus mistérios é para os fazermos frutificar. Para tanto é preciso conhecer o Cristo Jesus através de seus mistérios.
É principalmente no Evangelho que devemos procurar o conhecimento de Jesus e dos seus mistérios. Outra maneira, porém, de conhecer os mistérios de Jesus é associar-se à Igreja na sua liturgia. É sobretudo através da liturgia que a Igreja instrui e educa a alma de seus filhos, de modo a santificá-los tornando-os semelhantes a Jesus Cristo.
Para meditar sobre os mistérios da vida de Jesus, a Igreja instituiu um "Tempo Litúrgico", pelo qual ela recorda a obra salvífica realizada pelo Cristo: e isso ela faz a partir do "dia do Senhor" (dies Domini), durante a semana se estendendo durante todo o ano, incluindo as diversas festas dos santos. No Domingo, a Igreja recorda a ressurreição do Senhor, celebrada uma vez ao ano (Páscoa) unindo os mistérios da Paixão-Morte-Ressurreição e gloriosa Ascensão de Jesus aos céus.
A Igreja desdobra o mistério de Cristo durante todo o ano denominado "ano litúrgico". Esse ano litúrgico "é o desdobramento dos diversos aspectos do único mistério pascal" (CaIC 1171). Começando pelo Advento, depois o nascimento de Jesus, a epifania até chegar à vida pública, paixão, morte e ressurreição, em seguida, ascensão e envio do Espírito Santo, a Igreja celebra todo um ciclo que faz o memorial do mistério pascal durante todo o ano, reservando sempre para o domingo a celebração da ressurreição de Cristo. O dia do Senhor é ao mesmo tempo o primeiro dia da semana (lembrando o primeiro dia da criação, visto que Cristo faz novas todas as coisas) e o oitavo dia em que Cristo inaugura o "Hodie", o "dia que não conhece ocaso" (cf. CaIC 1166). Nesse dia, os fiéis se reúnem para ouvir a Palavra de Deus e realizar a Eucaristia (Sacramento dos Sacramentos), fazendo memória, isto é, tornando presente o mistério pascal.
A liturgia da Igreja tem por finalidade render graças a Deus. Por isso "toda a vida da Igreja gravita em torno do sacrifício eucarístico e dos sacramentos" (CaIC 1113), pois a oferenda mais preciosa que podemos ofertar a Deus é o seu próprio Filho que, imolado por nós, nos salvou e glorificou o Pai.
Fora da Eucaristia, o mistério de Cristo nela celebrado encontra especial expressão na Liturgia das Horas, pois penetrando e transfigurando o tempo de cada dia com tal mistério, a Igreja realiza a recomendação apostólica "orai sem cessar" (1Ts 5,17). Sem dúvida, no centro da religião está o Santo Sacrifício Eucarístico, verdadeiro sacrifício que renova a obra da nossa redenção, aplicando-lhe os seus frutos; acompanha essa "oblação" com cerimônias sagradas; cerca-a de um conjunto de leituras, cânticos, hinos, salmos, que servem de preparação ou ação de graças à imolação eucarística. Esse conjunto constitui o "Ofício Divino", que tem por função a santificação dos vários momentos do dia, santificando, assim, o homem e prestando culto a Deus.
Os judeus costumavam rezar três vezes por dia a fim de santificá-lo: de manhã, ao meio-dia e no fim do dia (cf. Sl 55,17). Os cristãos herdaram esta prática e acrescentaram a oração noturna seguindo o testemunho de Jesus e dos Apóstolos (cf. Lc 6,12; At 16,25)
São Bento determina na Regra para os seus monges sete horas canônicas (cf. RB 16), seguindo o que diz o Salmista: "Louvei-vos sete vezes por dia" (Sl 118,164). Essas horas canônicas são as Matinas, Prima (hoje, Laudes), Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas.
LAUDES. "Segundo uma venerável tradição de toda a Igreja, as Laudes, como oração da manhã, e as Vésperas, como oração da tarde, constituem como que os dois pólos do Ofício cotidiano. Sejam consideradas como as horas principais e como tais sejam celebradas" (SC n. 89a.). Esse louvor da manhã consagra os primeiros momentos de nosso dia a Deus. Após as trevas da noite, renasce um novo dia, lembrando a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, "luz verdadeira que ilumina todo homem" (Jo 1,9) e "Sol de justiça que nasce do Alto" (Lc 1,78). Por isso se inseriu o Cântico de Zacarias (Benedictus) nesta hora canônica, pois uma de suas tônicas é a glorificação do Senhor que obteve a vitória sobre a morte.
VÉSPERAS. As Vésperas recebem seu nome do astro luminoso Vésper (Vênus), que começa a brilhar logo que caem as trevas da noite. Celebradas à tarde, ao declinar do dia, conclui o dia e dá início à noite, agradecendo a Deus os dons por ele recebidos naquele dia. Elas lembram também que o cristão deve cultivar a esperança da vinda definitiva do Reino de Deus, que se dará no fim da jornada deste mundo, quando habitaremos a Jerusalém celeste, onde não se precisará mais da lâmpada nem da luz do sol. Os cristão celebram as Vésperas e repetem com os discípulos de Emaús: "Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina" (Lc 24,29).
Ofício de Leituras. O Ofício de Leituras pode ser celebrado a qualquer hora desde o anoitecer até o fim do dia seguinte. A característica desse Ofício é que nele podemos escutar mais longamente a Palavra de Deus e ter contato com os autores de espiritualidade tanto antigos como modernos, além de diversos documentos da Igreja.

Terça (9h), Sexta (12h) e Noa (15h) evocam cada uma um acontecimento do Evangelho ou dos Atos dos Apóstolos.
Terça recorda a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos reunidos com Maria no Cenáculo (cf. At 2,15). Conforme Mc 15,25, é a hora da crucifixão de Jesus.
Sexta lembra a hora em que Pedro saiu no terraço para rezar e teve uma visão. Conforme Mt 27,45, é a hora da agonia de Cristo na Cruz.
Noa lembra a oração de Pedro e João no Templo, onde Pedro curou o paralítico,conforme At 3,1. Lembra também a morte de Jesus na Cruz, segundo Mt 27,46
Completas deve-se rezar antes do repouso da noite. Nesse momento, faz-se um ato penitencial pelas faltas cometidas naquele dia e a salmodia exprime a confiança no Senhor: o sono da noite, que lembra o sono da morte, leva o cristão a se entregar e abandonar ao Senhor antes do repouso noturno.
São Bento quer que o monge esteja todo inteiro no momento do Ofício Divino. Por isso, diz que, na salmodia, nossa mente concorde com a nossa voz (RB 19), indicando todo o empenho, devoção e temor de Deus que se deve empregar na recitação do Ofício Divino.
Dizia Santa Terezinha: "Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria". É através da oração que nossa alma se eleva até Deus, também através da oração nós pedimos alguma coisa a Deus ou agradecemos a Ele pelo dom recebido. Ver Jo 4, 7-10: Assim é a maravilha da oração: nós vamos até a beira do poço onde vamos procurar nossa água e encontramos Cristo. Ele vem ao nosso encontro e nos dá água-viva. Jesus tem sede e nós também: a oração é, pois, o encontro entre a sede de Deus e a nossa sede. Deus chama incansavelmente toda pessoa ao encontro misterioso com Ele.
Os salmos são rezados e realizados em Cristo, por isso são um elemento essencial e permanente da oração de sua Igreja e são adequados a todos os homens de qualquer condição e tempo.

dom Adriano Bellini, OSB

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LITURGIA  DA  MISSA
A missa, ou celebração da Eucaristia, não é a oração de um só homem, pois já não basta rezar só em casa; a igreja sempre foi e continua sendo a casa de Deus e o lugar de oração em comunidade.  Jesus frequentava o Templo em Jerusalém com Maria, José e os Apóstolos. Jesus já dizia: "se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, o que seja, conseguirão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, ai estou eu no meio deles" (Mt 18, 19-20).
É bom que cada fiél católico entenda bem cada parte da missa a fim de que a Santa Eucaristia não se constitua em um mero rito mecâncico, onde as pessoas só "copiam" o que as outras fazem (gestos, sinal da cruz, genuflexão, etc.) sem entender exatamente o que está acontecendo.  A missa é igual para toda a Assembléia mas a maneira de cada um participar pode ser diferente pois depende da fé que as pessoas têm e também do grau de formação na religião. As vezes vamos fazendo muitas coisas sem saber por quê. Para participar da missa com fé e alegria, além da sua formação catequética básica, o fiel  deve conhecer todas as etapas da liturgia da missa pois ninguém ama o que não conhece.
O objetivo desta página é de apresentar alguns fundamentos básicos da liturgia da missa a fim de que o fiel católico tire todo o proveito espiritual que a Santa Eucaristia oferece para todos nós, a quase dois milênios a fio. O fiel católico deve ser, sobretudo, um fiel bem informado; se não nos salvarmos a culpa é nossa, já dizia São João Crisóstomo!.
PARTES DA MISSA
A missa é composta pelas seguintes etapas: 
    • Abertura da Celebração;
    • Liturgia da Palavra;
    • Liturgia Eucarística;
    • Rito Final
 ABERTURA DA CELEBRAÇÃO
Observando-se a Liturgia da Missa, vemos que ela inicia-se com o canto e a procissão de entrada. A seguir, o sacerdote dialoga com a comunidade, acolhendo-a em nome de Deus. Segue-se o ato penitencial, as aclamações e súplicas e a oração conclusiva.
Estes ritos têm por finalidade: 
    • Reunir os fiéis, possibilitando-lhes uma comunhão;
    • Dispô-los a ouvir com proveito a Palavra de Deus;
    • E a celebrar frutuosamente a Eucaristia.
O canto de entrada e "sinal da Cruz"
O canto está a serviço do louvor de Deus e de nossa santificação. Quem canta, reza duas vezes. Não é apenas para embelezar a Missa, mas para nos ajudar a rezar. O canto de entrada deverá estar em plena sintonia com o momento litúrgico que se celebra. Ele tem a função de:
 
    • favorecer a união dos fiéis;
    • Criar um clima festivo;
    • Introduzir o povo no mistério ou festa celebrados;
    • Acompanhar a procissão de entrada do celebrante e ministros.
Durante o Canto de Entrada, o celebrante que preside a Missa, acompanhado dos Ministros ou Acólitos, dirige-se para o altar. Faz uma inclinação profunda e depois beija o altar. O beijo tem um endereço: não é propriamente para o mármore ou a madeira do altar, mas para o Cristo, que é o centro de nossa piedade. A procissão de entrada deve ser solene, passando pelo meio do povo, especialmente nos dias festivos. Neste momento o Presidente faz o sinal da cruz e toda a Assembléia o acompanha, dizendo ao final, Amém. A expressão "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", tem um sentido bíblico: não quer dizer apenas o "nome", como para nós, ocidentais. "Nome", em sentido bíblico, quer dizer a própria pessoa. Isto significa dizer que iniciamos a Missa colocando a nossa vida e toda a ação nas mãos da Santíssima Trindade. 
O diálogo do celebrante com o povo
Estabelece uma comunicação inicial, criando a comunhão. Pela saudação, o celebrante significa à Assembléia a presença do Senhor no meio do seu povo. A resposta é o reconhecimento desta presença. O diálogo simboliza o mistério da Igreja reunida e vem atualizar o encontro de Cristo com o seu povo.
Preparação penitencial
Os fiéis, unidos pelos cantos e diálogos, conscientes de sua reunião em Cristo e de sua presença na assembléia confessam que são pecadores se reconciliam entre si e com Deus.
Após um momento de silêncio, usa-se uma das seguintes fórmulas:
I Formula
TODOS: Confesso a Deus todo-poderoso / e a vós, irmãos, / que pequei muitas vezes / por pensamentos e palavras, / atos e omissões, / (e, batendo no peito, dizem) por minha culpa, minha tão grande culpa. / E peço à Virgem Maria, / aos anjos e santos / e a vós, irmãos, / que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.
II Formula
CEL: Senhor, que viestes salvar os corações arrempendidos, tende piedade de nós.
ASS: Senhor, tende piedade de nós.
CEL: Cristo, que viestes chamar os pecadores, tende piedade de nós.
ASS: Cristo, tende piedade de nós.
CEL: Senhor, que intercedeis por nós junto do Pai, tende piedade de nós.
ASS: Senhor, tende piedade de nós.
CEL: Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.
ASS: Amém!
Canto do glória
É o hino pelo qual a Igreja louva, agradece e suplica ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. O Glória pode também ser recitado, como segue:
CEL: Glória a Deus nas alturas
ASS: e paz na terra aos homens por ele amados. / Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso: / nós vos louvamos, / nós vos bendizemos, / nós vos adoramos, / nós vos glorificamos, / nós vos damos graças / por vossa imensa glória. / Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito, / Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. / Vós que tirais o pecado do mundo, / tende piedade de nós. / Vós que tirais o pecado do mundo, / acolhei a nossa súplica. / Vós que estais à direita do Pai, / tende piedade de nós. / Só vós sois o Santo, / só vós, o Senhor, / só vós, o Altíssimo, / Jesus Cristo, / com o Espírito Santo, / na glória de Deus Pai, / Amém
O Canto do Glória é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro, é cantado pela Assembléia dos fiéis ou pelo povo que o alterna com o grupo de cantores ou pelo próprio grupo de cantores. Se não for cantado, dever ser recitado por todos, juntos ou alternadamente.
O Canto do Glória é cantado ou recitado aos domingos, exceto no tempo do Advento e da Quaresma, nas solenidades e festas e ainda em celebrações especiais mais solenes

Oração do dia (coleta)
O celebrante, em nome de toda a Igreja reunida, se dirige a Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Há sempre uma oração do dia para cada momento litúrgico, conforme estabelece o Missal Romano, cuja versão para a língua portuguêsa, para o Brasil, foi aprovada pela Comisssão Episcopal de Textos Litúrgicos (CETEL), da CNBB, em uso desde 25/09/91. A oração da coleta exprime a índole da celebração e dirige, pelas palavras do celebrante, uma súplica a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo.
Aqui todos os fiéis oram, em silêncio, por algum tempo. No fim da oração a Assembléia aclama com um Amém. Em seguida todos sentam-se para ouvir com atenção a Liturgia da Palavra.
LITURGIA DA PALAVRA
A Liturgia da Palavra é composta por
 
    • Leituras: Antigo Testamento, Novo Testamento, e Evangelho.
    • Cânticos Interlecionais: Salmo responsorial ou canto de meditação e Aclamação ao Evangelho.
    • Homilia
    • Profissão de Fé
    • Oração Universal (Prece dos Fiéis).
Através das leituras, Deus fala a seu povo. Como por tradição, o ofício de proferir as leituras não é função presidencial, mas ministerial, convém que via de regra o diácono, ou na falta dele outro sacerdote, leia o Evangelho; o leitor faça as demais leituras.
Através dos cânticos, a Assembléia responde a Deus. O salmo responsorial ou gradual é tirado do Lecionário, pois cada um de seus textos se acha diretamente ligado à respectiva leitura; assim a acolhida dos salmos depende das leituras.
O cântico de aclamação ao Evangelho é feito através do "Aleluia" ou outro canto de acordo com o tempo litúrgico, preparado pela Equipe de Liturgia. O "Aleluia" é cantado em todos os tempos, exceto na Quaresma
A Homilia é a explicação da Palavras do Senhor. Convém que seja uma explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de outro texto do Ordinário ou próprio da Missa do dia, levando em conta tanto o mistério celebrado, como as necessidades particulares dos ouvintes.
A Profissão de Fé é a adesão da comunidade à Palavra do Senhor. Ela tem por objetivo levar o povo a dar seu assentimento e resposta à palavra de Deus ouvida nas leituras e na homilia, bem como recordar-lhe a regra da fé antes de iniciar a celebração da Eucaristia. Quando cantado, deve sê-lo por todo o povo, seja por inteiro, seja alternadamente.
A oração do Credo pode ser aquela do símbolo apostólico, que aparece normalmente em todos os jornais litúrgicos, ou a do símbolo Niceno-Constantinopolitano, a seguir:
Creio em um só Deus, / Pai todo-poderoso, / criador do céu e da terra, / de todas as coisas visíveis e invisíveis. / Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, / Filho unigênito de Deus, / nascido do Pai antes de todos os séculos: / Deus de Deus, / luz da luz, / Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; / gerado, não criado, / consubstancial ao Pai. / Por ele todas as coisas foram feitas. / E por nós, homens, e para nossa salvação, / desceu dos céus: (referência) / e se encarnou pelo Espírito Santo, / no seio da virgem Maria, / e se fez homem. / Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; / padeceu e foi sepultado. / Ressuscitou ao terceiro dia, / conforme as Escrituras, / e subiu aos céus, / onde está sentado à direita do Pai. / E de novo há de vir, em sua glória, / para julgar os vivos e os mortos; / e o seu reino não terá fim. / Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, / e procede do Pai e do Filho; / e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: / ele que falou pelos profetas. / Creio na Igreja, / una, santa, católica e apostólica. / Professo um só batismo para remissão dos pecados. / E espero a ressurreição dos mortos / e a vida do mundo que há de vir. / Amém.
A Oração Universal ou Prece dos Fiéis é a súplica comunitária pelas necessidades da Igreja universal, do mundo e Igreja local. Ela encerra a Liturgia da Palavra . Os fiéis fazem essas orações confiando em Jesus, que disse: "Pedi e recebereis, buscai e encontrareis, batei e a porte se abrirá. Porque todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e a quem bate se abrirá" (Mt 7, 7-8). Convém que, normalmente, se faça esta oração nas Missas com o povo, de tal sorte que se reze pelas seguintes intenções:

    • Pelas necessidades da Igreja;
    • Pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
    • Pelos que sofrem qualquer necessidade;
    • Pela comunidade local.
É bom que se faça preces curtas e bem objetivas, colocando-se em mente que não se trata de uma pequena homilia particular, com textos longos e verdades próprias. A participação do leigo, com orientação das Equipes de Liturgia, é de fundamental importância. Além das preces já preparadas previamente é importante que o celebrante incentive a Assembléia a fazer outras preces complementares, caso haja condições práticas para tal (Assembléias pequenas, etc.).
LITURGIA EUCARÍSTICA
Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal, que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz, quando o sacerdote, representante do Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória.É composta pelas seguintes partes:

    • Preparação dos dons;
    • Oração Eucarística
    • Ritos da Comunhão.
 
Preparação dos dons ou das ofertas
Na Preparação sobre as oferendas, levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos. Em primeiro lugar prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal, o purificatório, o Missal Romano e o cálice, a não ser que se prepare na credência (mesa junto ao altar, onde se colocam as galhetas e outros acessórios da missa). A seguir trazem-se as oferendas. É louvável que os fiéis apresentem o pão e o vinho que o sacerdote ou o diácono recebem em lugar conveniente e depõem sobre o altar, proferindo as fórmulas estabelecidas. Também são recebidos o dinheiro ou outros donativos oferecidos pelos fiéis para os pobres ou para a Igreja, ou recolhidos no recinto dela; serão, no entanto, colocados em lugar conveniente, fora da mesa eucarística. Em seguida o celebrante lava as mãos, exprimindo por esse rito o seu desejo de purificação interior. Aqui, o celebrante levanta a patena com o pão dizendo:
CEL: Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos, e para nós se vai tornar pão da vida.
Se não houver o canto do ofertório o povo poderá aclamar:
ASS: Bendito seja Deus para sempre!
O celebrante derrama vinho e um pouco de água no cálice, rezando em silêncio:
CEL: (reza em silêncio) Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade.
Em seguida o celebrante reza:
CEL: Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos de vossa bondade, fruto da videira e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar vinho da salvação.
Se não houver o canto ao ofertório, o povo poderá aclamar:
ASS: Bendito seja Deus para sempre!
O celebrante, inclinado, reza em silêncio:
CEL: De coração contrito e humilde, sejamos Senhor, acolhidos por vós; e seja o vosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, Senhor, nosso Deus.
O sacerdote lava as mãos, dizendo em silêncio:
CEL: Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado.
Agora, o celebrante faz a oração sobre as ofertas:
CEL: Orai, irmãos, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.
ASS: Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória do seu nome, para no nosso bem e de toda a santa Igreja.
O celebrante agora profere a oração sobre as ofertas, que é tirada do Missal Romano e é própria de cada celebração, de acordo com o momento litúrgico. No fim a Assembléia responde com "Amém".
Oração Eucarística
Na Oração Eucarística rendem-se graças a Deus por toda a obra salvífica e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de Cristo. Pela fração do mesmo pão manifesta-se a unidade dos fiéis e pela comunhão os fiéis recebem o Corpo e o Sangue do Senhor como os Apóstolos o receberam das mãos do próprio Cristo.
É o ponto central da ação litúrgica: é a ação de graças e consagração.
Por ela os fiéis se unem a Cristo para proclamar as maravilhas de Deus e oferecer o verdadeiro sacrifício: oferecem o Cristo, pelo sacerdote; e unidos a Cristo, oferecem a sim mesmos ao Pai.
Inicia-se pelo prefácio do celebrante, que é sempre oração de ação de graças pela obra da salvação e de glorificação ao Pai. O prefácio é variável e há um ou mais para cada tempo da Liturgia, conforme o Missal Romano. Por exemplo: Prefácios do Advento, do Natal, da Epifania, da Quaresma, da Paixão, da Páscoa, da Ascensão do Senhor, do Pentecostes, de Cristo Rei, da Eucaristia, da Santíssima Trindade, de nossa Senhora, de São José, dos Apóstolos, dos Santos, dos Mártires, dos Pastores, das Virgens e Religiosos, dos Anjos, dos Mortos e diversos Prefácios do Tempo Comum, além de alguns Prefácios especiais que fazem parte da Oração Eucarística. O prefácio é um hino de "abertura" que nos introduz no Mistério Eucarístico. Por isso, o presidente convida a Assembléia para elevar os corações a Deus, dizendo: "Corações ao alto!". É um hino que proclama a santidade de Deus e dá graças ao Senhor.
O final do prefácio é sempre igual. Termina com esta aclamação "Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! O céu e a terra proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!" Às vezes, quanto o "Santo" é cantado, mudam-se algumas palavras. Mas o sentido deve permanecer o mesmo. Em geral, é cantado nas Missas dominicais e recitado nas Missas simples do meio da semana. O "Santo" é tirado do profeta Isaías (6,3), o qual teve a seguinte visão: Serafins, no Templo, aclamavam em alta voz: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos! Toda a terra está cheia de sua glória!" A repetição, dizendo três vezes "Santo", é um reforço de expressão para significar o máximo de santidade. É como se dissesse que Deus é "Santíssimo". O que o profeta Isaías quer dizer é que ele é um homem de lábios impuros, indigno de falar em nome de Deus, e que, no entanto, viu a glória do Senhor no templo. Por isso estava atemorizado e dizia: "Ai de mim, estou perdido!" Então veio um anjo e purificou os seus lábios com uma brasa viva. Esta passagem é uma lição para nós, que participamos da Eucaristia. Também nós somos pecadores, de lábios impuros, e estamos nos preparando para receber o Corpo do Senhor em nossa boca.
O Missal Romano apresenta cinco Orações Eucarísticas básicas que contemplam os seguintes aspectos:
 
    • A Igreja invoca o Pai para que sejam consagrados os dons oferecidos pela comunidade. (Orações Eucarísticas I e III)
    • A Igreja invoca o Pai para que sejam consagrados os dons oferecidos pela comunidade. Os dons apresentados, pela ação do Espírito Santo, se tornarão corpo e sangue do Senhor (Orações Eucarísticas II e IV);
    • A ação de graças se prolonga: a criação do homem a desobediência deste e o socorro salvífico, anunciado na esperança dos profetas, e na encarnação do Filho de Deus, que entregou-se à morte, mas ressuscitou glorioso, enviando o Espírito Santo para levar à plenitude a obra da redenção (Oração Eucarística IV, pag. 488 do Missal Romano)
    • A Igreja intercede pelo santo padre, pelo bispo local e por todos os presentes (todas as Orações Eucarísticas);
    • A Igreja da terra se une aos santos do céu (Oração Eucarística I, pág. 469);
    • Os dons apresentados pela ação do Espírito Santo se tornarão corpo e sangue do Senhor (Orações Eucarísticas I e III);
    • A narrativa da Instituição revive a última ceia na qual Cristo instituiu o sacramento de sua paixão e ressurreição (todas as Orações Eucarísticas);
    • A Igreja rememora o oferecimento do próprio Cristo ao Pai, recordando sua paixão, ressurreição e ascensão ao céu. É o verdadeiro ofertório da missa (todas as Orações Eucarísticas);
    • As intercessões são a prece pela qual se manifesta que a celebração eucarística é feita em união com toda a Igreja, a da terra e a do céu, pelos vivos e mortos (todas as Orações Eucarísticas);
    • A doxologia (forma de louvor à glória de Deus) final é a expressão da glorificação de Deus, uno e trino, que a comunidade ratifica (todas as Orações Eucarísticas);
    • A igreja reconhece a necessidade de louvar a Deus. Este louvor leva a Igreja a ser santa (Oração Eucarística V, página 495 do Missal Romano).
Um detalhe interessante a ser observado pela Assembléia é o anúncio, pelo celebrante, de "Tudo isto é Mistério da Fé!", proferido logo após a narrativa da Instituição; nesse momento todos os que se ajoelharam deverão ficar de pé e recitar de alto e bom som a seguinte citação:
Toda vez que se come deste pão, toda vez que se bebe deste vinho, se recorda a paixão de Jesus Cristo e se fica esperando a sua volta.
O Missal Romano apresenta ainda Orações Eucarísticas para diversas circunstâncias com Missas com crianças (I, II e III), sobre reconciliação (I, pág 866 e II, pág 871) entre outras.
Ritos da comunhão
Visam preparar os fiéis para receberem o corpo e o sangue do Senhor como alimento espiritual. Na Oração do Senhor, o Pai-Nosso, os fiéis vivenciam os seguintes aspectos:
 
    • Todos sentem com filhos do mesmo Pai que está nos céus;
    • Pedem o pão de cada dia e a vinda do reino de Deus;
    • Imploram o perdão e perdoam seus irmãos.
A seguir a Assembléia pede paz e unidade para a Igreja. Saúdam-se todos, fraternalmente, no amor do Senhor. No abraço da paz todos, segundo o costume do lugar, manifestam uns aos outros a paz e a caridade. Ao cumprimentar o seu irmão, pergunte pelo nome dele, repetindo-o na sua saudação. Fica mais elegante e aproximam mais as pessoas.
Ao término todos voltam a fazer silêncio para que haja um clima de comunhão associado às orações do momento. Aqui o celebrante parte o pão e coloca um pedaço no cálice, rezando em silêncio: "Esta união do corpo e do sangue de Jesus, o Cristo e Senhor nosso, que vamos receber, nos serva para a vida eterna!" Enquanto isso a Assembléia canta ou recita o "Cordeiro de Deus"
A seguir o celebrante reza em silêncio: "Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, que cumprindo a vontade do Pai e agindo com o Espírito Santo, pela vossa morte destes vida ao mundo: livrai-me dos meus pecados e de todo mal; pelo vosso corpo e pelo vosso sangue, dai-me cumprir sempre a vossa vontade e jamais separar-me de vós." ou ainda: "Senhor Jesus Cristo, o vosso corpo e o vosso sangue, que vou receber, não se tornem causa de juízo e condenação; mas, por vossa bondade, sejam sustento e remédio para minha vida".
Agora temos a comunhão propriamente dita, sendo o momento da participação mais perfeita: comunhão com Cristo após a comunhão com os irmãos. O sacerdote diz em voz alta: "Felizes os convidados para a ceia do Senhor! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". Agora ele acrescenta, com o povo: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo". Em seguida ele reza em silêncio: "Que o corpo de Cristo me guarde para a vida eterna". Ele comunga o corpo de Cristo e depois reza em silêncio: "Que o sangue de Cristo me guarde para a vida eterna." Nesse momento ele comunga o sangue de Cristo. A seguir, o celebrante e/ou diácono(s) e ministros da eucaristia toma o cibório e diz a cada um dos que vão comungar: "O corpo de Cristo". O que vai comungar responde: "Amém!".
Ao final, enquanto faz a purificação o celebrante reza em silêncio: "Fazei, Senhor, que conservemos num coração puro o que nossa boca recebeu. E que esta dádiva temporal se transforme para nós em remédio eterno." É aconselhável guardar um momento de silêncio ou recitar algum salmo ou cântico de louvor.
 Enquanto o celebrante comunga o corpo de Cristo, inicia-se o canto da comunhão
RITO FINAL
Conhecido como o Rito da Bênção, é o desfecho da Santa Eucaristia. Após os comunicados e avisos importantes a serem apresentados à comunidade é uma boa prática que a Equipe de Liturgia indique à Assembléia o compromisso da semana, baseada na liturgia que acaba de ser desenvolvida.
Ao dar a bênção, o celebrante traça uma cruz sobre a Assembléia, e todos podem inclinar a cabeça. Existem outras fórmulas de bênçãos mais solenes, de acordo com a festa litúrgica. Eis, por exemplo, a bênção que o Missal Romano traz para o primeiro dia do ano:
CEL: Que Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda a bênção, vos conceda a sua graça, derrame sobre vós as suas bênçãos e vos guarde sãos e salvos todos os dias deste ano!
ASS: Amém!
CEL: Que vos conserve íntegros na fé, pacientes na esperança e perseverantes até o fim na caridade!
ASS: Amém!
CEL: Que Ele disponha na sua paz os vossos atos e vossos dias, atenda sempre vossas preces e vos conduza à vida eterna!
ASS: Amém!
CEL: A bênção de Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre!
ASS: Amém!
O celebrante pode também abençoar com outras palavras, de acordo com as circuinstâncias. Os franciscanos por exemplo utilizam muito a oração conforme Nm 6, 22-27, que diz: "O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno; o Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a paz"
Cada fiel deve se colocar pessoalmente sob aquela bênção, como seu nome e sua vida. Não saia da igreja antes da bênção final. A missa termina com a bênção e em seguida vem o canto final, que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado da Missa. E desejável também que a Assembléia só saia da igreja após a retirada do celebrante, acólitos e ministros. Exercite também o espírito de comunidade, conversando mais com seus irmãos. Ao chegar em casa, dê um abraço em todas as pessoas da sua família, saudando com "A Paz e Cristo"; mostre que você está em estado de graça pois acaba de vir da Santa Eucaristia, que representa um encontro com o Senhor e com os irmãos em Cristo.
Fonte:
Missal Romano, co-edição de Edições Paulinas e Editora Vozes, 1991
A Missa Parte por Parte, Padre Luiz Cechinato, Editora Vozes, 1993
Liturgia da Missa (Opúsculo), Edições Paulinas, 1979
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LITURGIA  DA  MISSA - breve introdução
"Liturgia é uma ação sagrada, através da qual, com ritos, na Igreja e pela Igreja, se exerce e prolonga a obra sacerdotal de Cristo, que tem por objetivos a santificação dos homens e a glorificação de Deus" (SC 7).
 Introdução
 Liturgia não é somente a “Festa do Rei Jesus...”
Um dos nossos maiores pecados hoje em dia é reduzirmos o assunto liturgia à celebração da missa e defini-la apenas como um conjunto de rituais e orações que nos levam ao céu. E tudo isso fruto de uma crescente automação religiosa, que podemos perceber a cada domingo em nossas assembléias litúrgicas. As pessoas vão à missa sem saber o porque de estarem ali e nem o que está acontecendo perante elas. São meros espectadores do preceito dominical ensinado por seus pais. Talvez seja por isso que nós católicos sejamos tão criticados.
Destinados àqueles que querem assumir em plenitude o mistério que Cristo confiou à sua Igreja, e romper com “tradicionalismos”, este manual, de maneira simples e objetiva, abordará de um modo geral a liturgia em si, dedicando, a seguir, uma atenção especial ao rito da missa, que é muito mais que “a festa do Rei Jesus...”
 Uma breve palavra sobre história da salvação
http://www.padrefelix.com.br/imagens/litur_missa01.gif
O gráfico acima é uma representação do plano de salvação de Deus para a humanidade. Vale aqui recordar que o sentido da palavra “salvar” em Teologia significa “unir com Deus”. O gráfico mostra como Deus, após a queda original, age na história da humanidade, até que esta assuma sua plenitude, conforme os planos originais do Pai (I Jo 3,2).
E como se dá a ação do Pai na história? Ela é essencialmente cristológica. Cristo é o nosso intercessor ao longo de toda história (Ef 1), por ele somos salvos. De fato, Cristo esteve presente no início da história, pois todas as coisas foram criadas nele (Jo 1,3). Está presente junto ao povo da antiga aliança, através da promessa, manifestada através dos patriarcas e profetas. Encarna-se na plenitude dos tempos, salvando-nos definitivamente através de sua paixão, morte e ressurreição. Ascende aos céus, prometendo permanecer conosco até o fim dos tempos (Mt 28,20). Presença essa mística, manifesta em sua Igreja e em seus sacramentos - a liturgia. No final dos tempos Cristo retornará para levar toda criação à plenitude.
 Definição
Após considerarmos estes aspectos, podemos apropriar-nos da definição que a Igreja faz da liturgia:
“Liturgia é uma ação sagrada, através da qual, com ritos, na Igreja e pela Igreja, se exerce e prolonga a obra sacerdotal de Cristo, que tem por objetivos a santificação dos homens e a glorificação de Deus” (SC 7).
Em outras palavras, a liturgia é a continuidade do plano de salvação do Pai, através da presença mística de Cristo nos sacramentos, que são administrados e perpetuados pela Igreja. Note-se, à Igreja cabe a missão de continuar a obra de Cristo, que se dá, sobretudo, através da liturgia. Sem liturgia, não há Igreja e sem Igreja não há liturgia. E sem liturgia não há continuidade no mistério da salvação da humanidade.
A liturgia da missa
 Sentido, valor e utilidade
Certa ocasião, numa cidade do interior, o bispo da diocese fora visitar as obras de construção de uma Igreja. Ele então, viu vários operários carregando tijolos de um lado para outro e resolveu conversar com alguns deles:
- O que você está fazendo?
E o primeiro responde-lhe:
- Carrego tijolos.
O segundo, feita a mesma pergunta, responde:
- Estou garantindo o leite de meus filhos.
Fazendo a mesma pergunta a um terceiro operário, este responde ao bispo:
- Estou ajudando a construir uma igreja, aonde as pessoas virão agradecer a Deus por tudo que ele faz em suas vidas.
Três pessoas, a mesma ação. E para cada uma delas a ação tinha um sentido diferente. É o mesmo que ocorre com a missa. Para alguns, não há sentido, pois fazem seus atos sem ter consciência deles. Outros têm uma visão muito individualista do que fazem, e por fim há os que enxergam o todo da realidade em que participam, fazendo seus atos terem um sentido total. E nós, em qual grupo nos encaixamos?
Antes de respondermos, analisemos o sentido da missa. A missa é uma celebração. E celebrar, “é tornar presente uma realidade através de um rito”. Na celebração, temos sempre presentes o passado, o presente e o futuro, que em breves momentos unem-se num tempo só, a eternidade. E qual a finalidade de uma celebração? Nenhuma. A celebração possui valor. Aliás, as coisas mais importantes do homem como o lazer, o amor, a arte, a oração não tem uma finalidade produtiva, mas sim valor. E o valor da missa é tornarmos presente a paixão-morte-ressurreição de Cristo através da celebração, e assim participarmos mais ainda do mistério de salvação da humanidade.
Vale a pena ainda lembrar que, ao tornarmos presente o sacrifício de Cristo não quer dizer que estejamos novamente sacrificando o Cristo. Partindo do princípio que a salvação de Cristo não se prende à nossa visão de presente, passado e futuro, mas coloca-se no nível da eternidade, podemos afirmar que Cristo ao morrer na cruz salva todos os homens em todos os tempos, e a cada instante. É como se em cada missa, você estivesse aos pés da cruz contemplando o mistério da redenção da humanidade. E é o que acontece em cada missa, em cada eucaristia celebrada. E aí está o amor de Cristo ao dar-se na Eucaristia, em forma de alimento.
 “Receita” de missa
Para realizarmos uma missa precisamos de alguns ingredientes, assim como uma receita de bolo:
a)    A palavra de Deus
b)   Altar (a missa é uma ceia, precisamos de uma mesa);
c)    Assembléia (no mínimo uma pessoa);
d)   Intenção do que se faz, tanto da parte da assembléia quanto do ministro;
e)    Ministro ordenado (padre ou bispo);
f)     Pão, água e vinho.
Estes são os ingredientes indispensáveis a qualquer celebração eucarística. Sobre cada um deles, explicaremos no decorrer de cada parte da missa.
Uma mudança de palavras
Outrora, a missa não possuía este nome, mas era chamada de ceia do Senhor ou eucaristia. De fato, a missa é uma ceia onde nos encontramos com os irmãos para juntos alimentarmo-nos do próprio Deus, que se dá em alimento por sua Palavra e pelo pão e o vinho. E a missa também é eucaristia. O que vem a ser isso?
Eucaristia significa ação de graças. No capítulo 24 do livro do Gênesis, vemos um exemplo de ação de graças. Após a morte de sua esposa Sara, Abraão pede ao seu servo mais antigo que procure uma esposa para seu filho Isaac. O servo parte em busca desta mulher, mas como iria reconhecê-la? Pede a Deus um sinal e o servo a reconhece quando uma bela jovem dá de beber de seu cântaro ao servo e seus camelos. E qual sua reação após este fato? “O servo inclinou-se diante do Senhor. Bendito seja, exclamou ele, o Deus de Abraão, meu senhor, que não faltou à sua bondade e à sua fidelidade. Ele conduziu-me diretamente à casa dos parentes de meu Senhor” (Gn. 24,26 - 27). Eis aqui uma ação de graças.
Quais os seus elementos? Temos antes de tudo um fato maravilhoso, uma bênção, um benefício, uma graça alcançada, manifestação da bondade de Deus. Depois, a admiração. O servo inclina-se diante do Senhor. Esta admiração manifesta-se pela exclamação e aclamação. Ele não faltou à sua bondade e à sua fidelidade. Proclama, então, o fato, narra o acontecimento, o benefício, a Bênção recebida. Todos estes elementos encontram-se no contexto da missa, como veremos adiante.
E por que então a missa possui este nome? Por enquanto acompanhemos a missa parte por parte e as respostas serão dadas.
Ritos iniciais
Instrução Geral ao missal romano, n.º 24:
“Os ritos iniciais ou as partes que precedem a liturgia da palavra, isto é, cântico de entrada, saudação, ato penitencial, Senhor, Glória e oração da coleta, têm o caráter de exórdio, introdução e preparação. Estes ritos têm por finalidade fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembléia, constituam uma comunhão e se disponham para ouvir atentamente a Palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia”.
1. Comentário inicial
Este tem por fim introduzir os fiéis ao mistério celebrado. Sua posição correta seria após a saudação do padre, pois ao nos encontrarmos com uma pessoa primeiro a saudamos para depois iniciarmos qualquer atividade com ela.
2. Canto de entrada
“Reunido o povo, enquanto o sacerdote entra com os ministros, começa o canto de entrada. A finalidade desse canto é abrir a celebração, promover a união da assembléia, introduzir no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e acompanhar a procissão do sacerdote e dos ministros”(IGMR n.25)
Durante o canto de entrada percebemos alguns elementos que compõem o início da missa:
a) O canto
Durante a missa, todas as músicas fazem parte de cada momento. Através da música participamos da missa cantando. A música não é simplesmente acompanhamento ou trilha musical da celebração: a música é também nossa forma de louvarmos a Deus. Daí a importância da participação de toda assembléia durante os cantos.
b) A procissão
O povo de Deus é um povo peregrino, que caminha rumo ao coração do Pai. Todas as procissões têm esse sentido: caminho a se percorrer e objetivo a que se quer chegar.
c) O beijo no altar
Durante a missa, o pão e o vinho são consagrados no altar, ou seja, é no altar que ocorre o mistério eucarístico. O presidente da celebração ao chegar beija o altar em sinal de carinho e reverência por tão sublime lugar.
Por incrível que possa parecer, o local mais importante de uma igreja é o altar, pois ao contrário do que muita gente pensa, as hóstias guardadas no sacrário nunca poderiam estar ali se não houvesse um altar para consagrá-las.
3. Saudação
a) Sinal da cruz
O presidente da celebração e a assembléia recordam-se por que estão celebrando a missa. É, sobretudo pela graça de Deus, em resposta ao seu amor. Nenhum motivo particular deve sobrepor-se à gratuidade. Pelo sinal da cruz nos lembramos que pela cruz de Cristo nos aproximamos da Santíssima Trindade.
b) Saudação
Retirada na sua maioria dos cumprimentos de Paulo, o presidente da celebração e a assembléia se saúdam. O encontro eucarístico é movido unicamente pelo amor de Deus, mas também é encontro com os irmãos.
 4. Ato penitencial
Após saudar a assembléia presente, o sacerdote convida toda assembléia a, em um momento de silêncio, reconhecer-se pecadora e necessitada da misericórdia de Deus. Após o reconhecimento da necessidade da misericórdia divina, o povo a pede em forma de ato de contrição: Confesso a Deus Todo-Poderoso... Em forma de diálogo por versículos bíblicos: Tende compaixão de nós... Ou em forma de ladainha: Senhor, que viestes salvar... Após, segue-se a absolvição do sacerdote. Tal ato pode ser substituído pela aspersão da água, que nos convida a rememorar-nos o nosso compromisso assumido pelo batismo e através do simbolismo da água pedirmos para sermos purificados.
Cabe aqui dizer, que o “Senhor, tende piedade” não pertence necessariamente ao ato penitencial. Este se dá após a absolvição do padre e é um canto que clama pela piedade de Deus. Daí ser um erro omiti-lo após o ato penitencial quando este é cantando. O “Senhor, tende piedade” poderá fazer parte do ato penitencial, mas para isso é necessário a inserção de uma característica de Deus. Ainda com relação ao texto do “Senhor...”, os vocativos presentes em cada frase referem-se a Jesus Cristo, aquele que intercede ao Pai por nossos pecados.
 5. Hino de louvor
Espécie de salmo composto pela Igreja, o glória é uma mistura de louvor e súplica, em que a assembléia congregada no Espírito Santo, dirige-se ao Pai e ao Cordeiro. é proclamado nos domingos - exceto os do tempo da quaresma e do advento - e em celebrações especiais, de caráter mais solene.
 6. Oração da coleta
Encerra o rito de entrada e introduz a assembléia na celebração do dia.
“Após o convite do celebrante, todos se conservam em silêncio por alguns instantes, tomando consciência de que estão na presença de Deus e formulando interiormente seus pedidos. Depois o sacerdote diz a oração que se costuma chamar de ‘coleta’, a qual a assembléia dá o seu assentimento com o ‘Amém’ final” (IGMR 32).
Dentro da oração da coleta podemos perceber os seguintes elementos: invocação, pedido e finalidade.
 Liturgia da Palavra
Não existe celebração na liturgia cristã em que não se proclame a Palavra de Deus. Isto porque a Igreja antes de tornar presente os mistérios de Cristo ela os contempla. Pela palavra, Deus convoca e recria o seu povo, através de uma resposta de conversão da parte de quem a ouve.
“A parte principal da Palavra de Deus é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos Cânticos que ocorrem entre elas, sendo desenvolvida e concluída pela homilia, a profissão de fé e a oração universal ou dos fiéis. Pois nas leituras explanadas pela homilia Deus fala ao seu povo, revela o mistério da redenção e da salvação, e oferece alimento espiritual.; e o próprio Cristo, por sua palavra, se acha presente no meio dos fiéis. Pelos cânticos, o povo se apropria dessa palavra de Deus e a ele adere pela profissão de fé. Alimentado por esta palavra, reza na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro”(IGMR 33)
1. I , II Leituras e salmo
Para compreendermos melhor a liturgia da Palavra é necessário distinguir entre a liturgia dominical e a liturgia dos dias da semana. A primeira é dividida em três anos, nos quais a Igreja procura ler toda a Bíblia. Nos dias de domingo e festas  o esquema das leituras é o seguinte: Primeira leitura, salmo, segunda leitura, aclamação ao Evangelho e evangelho. A primeira leitura e o evangelho tratam geralmente do mesmo assunto, para mostrar Jesus como aquele que leva à plenitude a antiga aliança; o salmo, é uma meditação da leitura, uma espécie de comentário cantado - daí ser insubstituível; a segunda leitura é feita de forma semi-contínua, sempre extraída da carta do apóstolo. Já a liturgia dos dias da semana não apresenta a segunda leitura, e toda a Bíblia é lida todos os anos.
2. Evangelho
É o ponto alto da liturgia da Palavra. Cristo torna-se presente através de sua Palavra e da pessoa do sacerdote. Tal momento é revestido de cerimônia, devido sua importância. Todos ficam de pé e aclamam o Cristo que fala. O diácono ou o padre dirigem-se à mesa da palavra para proclamá-la. O que proclama a Palavra do evangelho menciona a presença do Cristo vivo entre nós. Faz o sinal da cruz na testa, na boca e no coração para que todo o ser fique impregnado da mensagem do Evangelho: a mente a acolha, a boca a proclame e o coração a sinta e a viva.
3. Homilia
A homilia faz a transição entre a palavra de Deus e sua resposta. É feita exclusivamente por um ministro ordenado, pois este recebeu, através da imposição das mãos o dom especial para pregar o Evangelho. A função da homilia é confrontar o mistério celebrado com a vida da comunidade. Na homilia, o sacerdote anima o povo, exorta-o e se for preciso o denuncia, mostrando a distância entre o ideal proposto e a vida concreta do povo.
4. Profissão de fé
“O símbolo ou profissão de fé, na celebração da missa, tem por objetivo levar o povo a dar seu assentimento e resposta à palavra de Deus ouvida nas leituras e homilia, bem como lhe recordar a regra da fé antes de iniciar a celebração da eucaristia”(IGMR 43).
A profissão de fé consiste na primeira resposta dada à Palavra de Deus. Nela cremos e aderimos, manifestando também nossa fé naquela que possui a incumbência de perpetuar esta palavra: a Igreja Católica. Possui duas formas, sendo a mais extensa proclamada em solenidades especiais, como o Natal, Anunciação etc.
5. Preces da comunidade
“Na oração dos fiéis ou oração universal, a assembléia dos fiéis, iluminada pela graça de Deus, à qual de certo modo responde, pede normalmente pelas necessidades da Igreja universal e da comunidade local, pela salvação do mundo, pelos que se encontram em qualquer necessidade e por grupos determinados de pessoas” (IGMR 30).
O povo de Deus ouve a Palavra de Deus, a acolhe e dá a sua resposta. Esta pode ser em forma de louvor, de súplica, adoração ou intercessão. Pede a Deus a graça de poder realizar a sua vontade; porém ele não é egoísta: pede por todos para que também possam realizar esta palavra e assim encontrar o sentido para suas vidas. Pede pela Igreja, para que esta tenha coragem de continuar proclamando esta palavra. Pede por aqueles que sofrem e pelas autoridades locais, para que concretizem o Reino de Deus entre nós. Finalmente faz seus pedidos pela comunidade local.
Talvez seria de imensa riqueza para a liturgia se as preces fossem feitas de modo espontâneo, mas para isso seria necessário ordem e instrução por parte da assembléia. Seria necessário lembrar que a resposta à Palavra de Deus nunca se dá de modo egoísta.
 Liturgia eucarística
Na liturgia eucarística atingimos o ponto alto da celebração. Durante ela a Igreja irá tornar presente o sacrifício que Cristo fez para nossa salvação. Não se trata de outro sacrifício, mas sim de trazer à nossa realidade a salvação que Deus nos deu. Durante esta parte a Igreja eleva ao Pai, por Cristo, sua oferta e Cristo dá-se como oferta por nós ao Pai, trazendo-nos graças e bênçãos para nossas vidas.

“Cristo na verdade, tomou o pão e o cálice em suas mãos, deu graças, partiu o pão e deu-os aos seus discípulos dizendo: ‘Tomai, comei, isto é o meu Corpo, este é o cálice do meu Sangue. Fazei isto em memória de mim’. Por isso, a Igreja dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em partes que correspondam às palavras e gestos de Cristo: 1) no ofertório leva-se o pão e o vinho com água, isto é, os elementos que Cristo tomou em suas mãos; 2) na oração eucarística rendem-se graças a Deus por toda obra salvífica e o pão e vinho tornam-se o Corpo e o Sangue de Cristo; 3) pela fração do mesmo pão manifesta-se a unidade dos fiéis, e pela comunhão recebem o Corpo e o Sangue do Senhor como os discípulos o receberam das mãos do próprio Cristo” (IGMR 48).
É durante a liturgia eucarística que podemos entender a missa como uma ceia, pois afinal de contas nela podemos enxergar todos os elementos que compõem uma: temos a mesa - mais propriamente a mesa da Palavra e a mesa do pão. Temos o pão e o vinho, ou seja o alimento sólido e líquido presentes em qualquer ceia. Tudo conforme o espírito da ceia pascal judaica, em que Cristo instituiu a eucaristia.
E de fato, a Eucaristia no início da Igreja era celebrada em uma ceia fraterna. Porém foram ocorrendo alguns abusos, como Paulo os sinaliza na Primeira Carta aos Coríntios. Aos poucos foi sendo inserida a celebração da palavra de Deus antes da ceia fraterna e da consagração. Já no século II a liturgia da Missa apresentava o esquema que possui hoje em dia.
Após essa lembrança de que a Missa também é uma ceia, podemos nos questionar sobre o sentido de uma ceia, desde o cafezinho oferecido ao visitante até o mais requintado jantar diplomático. Uma ceia significa, entre outros: festa, encontro, união, amor, comunhão, comemoração, homenagem, amizade, presença, confraternização, diálogo, ou seja, vida. Aplicando esses aspectos a Missa, entenderemos o seu significado, principalmente quando vemos que é o próprio Deus que se dá em alimento. Vemos que a Missa também é um convívio no Senhor.
A liturgia eucarística divide-se em: apresentação das oferendas, oração eucarística e rito da comunhão.
Apresentação das oferendas
Apesar de conhecida como ofertório, esta parte da Missa é apenas uma apresentação dos dons que serão ofertados junto com o Cristo durante a consagração. Devido ao fato de maioria das Missas essa parte ser cantada não podemos ver o que acontece durante esse momento. Conhecendo esses aspectos poderemos dar mais sentido à celebração.
Analisemos inicialmente os elementos do ofertório: o pão o vinho e a água. O que significam? De fato foram os elementos utilizados por Cristo na última ceia, mas eles possuem todo um significado especial:
1) o pão e o vinho representam a vida do homem, o que ele é, uma vez que ninguém vive sem comer nem beber;
2) representam também o que o homem faz, pois ninguém vai na roça colher pão nem na fonte buscar vinho;
3) em Cristo o pão e o vinho adquirem um novo significado, tornando-se o Corpo e o Sangue de Cristo. Como podemos ver, o que o homem é, e o que o homem faz adquirem um novo sentido em Jesus Cristo.
E a água? Durante a apresentação das oferendas, o sacerdote mergulha algumas gotas de água no vinho. E o porquê disso? Sabemos que no tempo de Jesus os judeus bebiam vinho diluído em um pouco de água, e certamente Cristo também devia fazê-lo pois era verdadeiramente homem. Por outro lado, a água quando misturada ao vinho adquire a cor e o sabor deste. Ora, as gotas de água representam a humanidade que se transforma quando diluída em Cristo.
 Os tempos da preparação das oferendas:
a) Preparação do altar
“Em primeiro lugar prepara-se o altar ou a mesa do Senhor, que é o centro de toda liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal, o purificatório, o cálice e o missal , a não ser que se prepare na credência”(IGMR 49).
b) Procissão das oferendas
Neste momento, trazem-se os dons em forma de procissão. Lembrando que o pão e o vinho representam o que é o homem e o que ele faz, esta procissão deve revestir-se do sentimento de doação, ao invés de ser apenas uma entrega da água e do vinho ao sacerdote.
c) Apresentação das oferendas a Deus
O sacerdote apresenta a Deus as oferendas através da fórmula: Bendito sejais... e o povo aclama: Bendito seja Deus para sempre! Este momento passa despercebido da maioria das pessoas devido ao canto do ofertório. O ideal seria que todo o povo participasse desse momento, sendo o canto usado apenas durante a procissão e a coleta fosse feita sem as pessoas saírem de seus locais. O canto não é proibido, mas deve procurar durar exatamente o tempo da apresentação das oferendas, para que o sacerdote não fique esperando para dar prosseguimento à celebração.
d) A coleta do ofertório
Já nas sinagogas hebraicas, após a celebração da Palavra de Deus, as pessoas costumavam deixar alguma oferta para auxiliar as pessoas pobres. E de fato, este momento do ofertório só tem sentido se reflete nossa atitude interior de dispormos os nossos dons em favor do próximo. Aqui, o que importa não é a quantidade, mas sim o nosso desejo de assim como Cristo, nos darmos pelo próximo. Representa o nosso desejo de aos poucos, deixarmos de celebrar a eucaristia para nos tornarmos eucaristia.
e) O lavar as mãos
Após o sacerdote apresentar as oferendas ele lava suas mãos. Antigamente, quando as pessoas traziam os elementos da celebração de suas casas, este gesto tinha caráter utilitário, pois após pegar os produtos do campo era necessário que lavasse as mãos. Hoje em dia este gesto representa a atitude, por parte do sacerdote, de tornar-se puro para celebrar dignamente a eucaristia.
f) O Orai irmãos...
Agora o sacerdote convida toda assembléia à unir suas orações à ação de graças do sacerdote.
g) Oração sobre as oferendas
Esta oração coleta os motivos da ação de graças e lança no que segue, ou seja, a oração eucarística. Sempre muito rica, deve ser acompanhada com muita atenção e confirmada com o nosso amém!
A Oração eucarística
É na oração eucarística em que atingimos o ponto alto da celebração. Nela, através de Cristo que se dá por nós, mergulhamos no mistério da Santíssima Trindade, mistério da nossa salvação:
“A oração eucarística é o centro e ápice de toda celebração, é prece de ação de graças e santificação. O sacerdote convida o povo a elevar os corações ao Senhor na oração e na ação de graças e o associa à prece que dirige a Deus Pai por Jesus Cristo em nome de toda comunidade. O sentido desta oração é que toda a assembléia se una com Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício” (IGMR 54).
Para melhor compreendermos a oração eucarística é necessário que tenhamos em mente as palavras: ação de graças, sacrifício e páscoa.
1. A missa é ação de graças
Como já foi referida anteriormente, a missa também pode ser chamada de eucaristia, ou seja, ação de graças. E a partir da passagem do servo de Abraão pudemos ter uma noção do que é uma oração eucarística ou de ação de graças. Pois bem, esta atitude de ação de graças recebe o nome de berakah em hebraico, que traduzindo-se para o grego originou três outras palavras: euloguia, que traduz-se por bendizer; eucharistia, que significa gratidão pelo dom recebido de graça; e exomologuia, que significa reconhecimento ou confissão.
Diante da riqueza desses significados podemos nos perguntar: quem dá graças a quem? Ou melhor dizendo, quem dá dons, quem dá bênçãos a quem? Diante dessa pergunta podemos perceber que Deus dá graças a sim mesmo, uma vez que sendo uma comunidade perfeita o Pai ama o Filho e se dá por ele e o Filho também se dá ao Pai, e deste amor surge o Espírito Santo. Por sua vez, Deus dá graças ao homem, uma vez que não se poupou nem de dar a si mesmo por nós e em resposta o homem dá graças a Deus, reconhecendo-se criatura e entregando-se ao amor de Deus. Ora, o homem também dá graças ao homem, através da doação ao próximo a exemplo de Deus. Também o homem dá graças a natureza, respeitando-a e tratando-a como criatura do mesmo Criador. O problema ecológico que atravessamos é, sobretudo, um problema eucarístico. A natureza também dá graças ao homem, se respeitada e amada. A natureza dá graças a Deus estando à serviço de seu criador a todo instante.
A partir desta visão da ação de graças começamos a perceber que a missa não reduz-se apenas a uma cerimônia realizada nas Igrejas, ao contrário, a celebração da eucaristia é a vivência da ação de Deus em nós, sobretudo através da libertação que Ele nos trouxe em seu Filho Jesus. Cristo é a verdadeira e definitiva libertação e aliança, levando à plenitude a libertação do povo judeu do Egito e a aliança realizada aos pés do monte Sinai.
2. A missa é sacrifício
Sacrifício é uma palavra que possui a mesma raiz grega da palavra sacerdócio, que do latim temos sacer-dos, o dom sagrado. O dom sagrado do homem é a vida, pois esta vem de Deus. Por natureza o homem é um sacerdote. Perdeu esta condição por causa do pecado. Sacrifício, então, significa o que é feito sagrado. O homem torna sua vida sagrada quando reconhece que esta é dom de Deus. Jesus Cristo faz justamente isso: na condição de homem reconhece-se como criatura e se entrega totalmente ao Pai, não poupando nem sua própria vida. Jesus nesse momento está representando toda a humanidade. Através de sua morte na cruz dá a chance aos homens e às mulheres de novamente orientarem suas vidas ao Pai assumindo assim sua condição de sacerdotes e sacerdotisas.
Com isso queremos tirar aquela visão negativa de que sacrifício é algo que representa a morte e a dor. Estas coisas são necessárias dentro do mistério da salvação pois só assim o homem pode reconhecer sua fraqueza e sua condição de criatura.
3. A missa também é Páscoa
A Páscoa foi a passagem da escravidão do Egito para a liberdade, bem como a aliança selada no monte Sinai entre Deus e o povo hebreu. E diante desses fatos o povo hebreu sempre celebrou essa passagem, através da Páscoa anual, das celebrações da Palavra aos sábados, na sinagoga e diariamente, antes de levantar-se e deitar-se, reconhecendo a experiência de Deus em suas vidas e louvando a Deus pelas experiências pascais vividas ao longo do dia. O povo judeu vivia em atitude de ação de graças, vivendo a todo instante a Páscoa em suas vidas.
E é dentro da celebração da Páscoa anual dos judeus que Jesus Cristo institui o sacramento da Eucaristia, dando o seu corpo como sinal de libertação definitiva e dando seu sangue para selar a nova e eterna aliança. Em Cristo dá-se a verdadeira páscoa, o encontro definitivo do homem com Deus.
Fazei isto em memória de mim
Cristo ao instituir a Páscoa-rito para os cristãos deixa uma ordem ao final dela: “Fazei isto em memória de mim”. Mas o que pode significar esta ordem? Pode significar o fato de que, todas as vezes que quisermos celebrar a Páscoa devemos dar graças, consagrar o pão e reparti-lo com os irmãos. Mas será que apenas foi isto que Cristo mencionou na última ceia? Durante as palavras da consagração é muito forte a idéia de doação: “Tomou o pão e o deu a seus discípulos”, “Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue dados por vós”. A meu ver, Cristo nos chama a ser pão e vinho dado aos irmãos. Cristo nos chama a darmos o nosso corpo e o nosso sangue para, desse modo, fazermos memória a ele.
O esquema da oração eucarística segue aquele esquema referente a berakah dos judeus. Em resumo temos o seguinte:
1)   O fato maravilhoso - Expresso no prefácio, relembra os benefícios, as bênçãos de Deus em nossas vidas.
2)   Admiração - Sentimento que atravessa toda oração.
3)   Exclamações e aclamações da assembléia ao longo da oração eucarística.
4)   Proclamação ou a memória dos benefícios, através da consagração das espécies.
5)   Pedidos e intercessões
6)   Louvor final - Por Cristo, com Cristo, em Cristo...
Após essas breves considerações vejamos agora como se esquematiza a oração eucarística:
a) Definição
“Trata-se de uma ação de graças ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. A Igreja rende graças a Deus Pai pelas maravilhas operadas por Cristo, no Espírito Santo. Ela louva, bendiz e agradece ao Pai. Comemora o Filho. Invoca o Espírito Santo”.
b) Prefácio
Após o diálogo introdutório, o prefácio possui a função de introduzir a assembléia na grande ação de graças que se dá a partir deste ponto. Existem inúmeros prefácios, abordando sobre os mais diversos temas: a vida dos santos, Nossa Senhora, Páscoa etc.
c) O Santo
É a primeira grande aclamação da assembléia a Deus Pai em Jesus Cristo. O correto é que seja sempre cantado.
d) A invocação do Espírito Santo
Através dele Cristo realizou sua ação quando presente na história e a realiza nos tempos atuais. A Igreja nasce do espírito Santo, que transforma o pão e o vinho. A Igreja tem sua força na Eucaristia.
e) A consagração
Deve ser toda acompanhada por nós. É reprovável o hábito de permanecer-se de cabeça baixa durante esse momento. Reprovável ainda é qualquer tipo de manifestação quando o sacerdote ergue a hóstia, pois este é um momento sublime e de profunda adoração. Nesse momento o mistério do amor do Pai é renovado em nós. Cristo dá-se por nós ao Pai trazendo graças para nossos corações. Daí ser esse um momento de profundo silêncio.
f) Preces e intercessões
Reconhecendo a ação de Cristo pelo Espírito Santo em nós, a Igreja pede a graça de abrir-se a ela, tornando-se uma só unidade. Pede para que o papa e seus auxiliares sejam capazes de levar o Espírito Santo a todos. Pede pelos fiéis que já se foram e pede a graça de, a exemplo de Nossa Senhora e dos santos, os fiéis possam chegar ao Reino para todos preparados pelo Pai.
g) Doxologia final
É uma espécie de resumo de toda a oração eucarística, em que o sacerdote tendo o Corpo e Sangue de Cristo em suas mãos louva ao Pai e toda assembléia responde com um grande “amém”, que confirma tudo aquilo que ela viveu.
Rito da comunhão
A oração eucarística representa a dimensão vertical da Missa, em que nos unimos plenamente a Deus em Cristo. Após alcançarmos a comunhão com Deus Pai, o desencadeamento natural dos fatos é o encontro com os irmãos, uma vez que Cristo é único e é tudo em todos. Este é o momento horizontal da missa. Tem também esse momento o intuito de preparar-nos ao banquete eucarístico.
a) O Pai-Nosso
É o desfecho natural da oração eucarística. Uma vez que unidos a Cristo e por ele reconciliados com Deus, nada mais oportuno do que dizer: Pai nosso... Esta oração deve ser rezada em grande exaltação, se possível cantada. Após o Pai Nosso segue o seu embolismo, ou seja, a continuação do último pensamento da oração. Segue aqui uma observação: o único local em que não dizemos “amém” ao final do Pai Nosso é na Missa, dada a continuidade da oração expressa no embolismo.
b) Oração pela paz
Uma vez reconciliados em Cristo, pedimos que a paz se estenda a todas as pessoas, presentes ou não, para que possam viver em plenitude o mistério de Cristo. Pede-se também a Paz para a Igreja, para que, desse modo, possa continuar sua missão.
c) O cumprimento da Paz
É um gesto simbólico, representando nosso bem-querer ao próximo. Por ser um gesto simbólico não há a necessidade em sair do local para cumprimentar a todos na Igreja. Se todos tivessem em mente o simbolismo expresso nesse momento não seria necessária a dispersão que o caracteriza na maioria dos casos. Também não é conveniente que se cante durante esse momento, uma vez que deveria durar pouco tempo. A música pode ficar para Missas celebradas em pequenos grupos.
d) O Cordeiro de Deus
O sacerdote e a assembléia se preparam em silêncio para a comunhão. Neste momento o padre mergulha um pedaço do pão no vinho, representando a união de Cristo presente por inteiro nas duas espécies. A seguir todos reconhecem sua pequenez diante de Cristo e como o Centurião exclamam: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo. Cristo não nos dá apenas sua palavra, mas dá-se por amor a cada um de nós.
e) A comunhão
Durante esse momento a assembléia dirige-se à mesa eucarística. O canto deve procurar ser um canto de louvor moderado, salientando a doação de Cristo por nós. A comunhão pode ser recebida nas mãos ou na boca, tendo o cuidado de, no primeiro caso, a mão que recebe a hóstia não ser a mesma que a leva a boca. Aqueles que por um motivo ou outro não comungam é importante que façam desse momento também um momento de encontro com o Cristo. Após a comunhão segue-se a ação de graças, que pode ser feita em forma de um canto de meditação ou pelo silêncio, que dentro da liturgia possui sua linguagem. O que não pode é esse momento ser esquecido ou utilizado para conversar com que está ao nosso lado.
f) Oração após a comunhão
Infelizmente criou-se o mau costume em nossas assembléias de se fazer essa oração após os avisos, como uma espécie de convite apressado para se ir embora. Esta oração liga-se ainda a liturgia eucarística, e é o seu fechamento, pedindo a Deus as graças necessárias para se viver no dia-a-dia tudo que se manifestou perante a assembléia durante a celebração.
Ritos finais
“O rito de encerramento da missa consta fundamentalmente de três elementos: a saudação do sacerdote, a bênção, que em certos dias e ocasiões é enriquecida e expressa pela oração sobre o povo, ou por outra forma mais solene, e a própria despedida, em que se despede a assembléia, afim de que todos voltem ás suas atividades louvando e bendizendo o Senhor com suas boas obras” (IGMR 57).
Para muitos, este momento é um alívio, está cumprido o preceito dominical. Mas para outros, esta parte é o envio, é o início da transformação do compromisso assumido na Missa em gestos e atitudes concretas. Ouvimos a Palavra de Deus e a aceitamos em nossas vidas. Revivemos a Páscoa de Cristo, assumindo também nós esta passagem da morte para a vida e unimo-nos ao sacrifício de Cristo ao reconhecer nossa vida como dom de Deus e orientando-a em sua direção.
Sem demais delongas, este momento é o oportuno para dar-se avisos à comunidade, bem como para as últimas orientações do presidente da celebração. Após, segue-se a bênção do sacerdote e a despedida. Para alguns liturgistas, esse momento é um momento de envio, pois o sacerdote abençoa os fiéis para que estes saiam pelo mundo louvando a Deus com palavras e gestos, contribuindo assim para sua transformação. Vejamos o porquê disso.
Passando a despedida para o latim ela soa da seguinte forma: “Ite, Missa est”. Traduzindo-se para o português, soa algo como “Ide, tendes uma bênção e uma missão a cumprir”, pois em latim, missa significa missão ou demissão, como também pode significar bênção. Nesse sentido, eucaristia significa bênção, o que não deixa de ser uma realidade, já que através da doação de seu Filho, Deus abençoa toda a humanidade. De posse desta boa-graça dada pelo Pai, os cristãos são re-enviados ao mundo para que se tornem eucaristia, fonte de bênçãos para o próximo. Desse modo a Missa reassume todo seu significado.
Bibliografia
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Cechinato, Luiz. A Missa Parte por Parte. Petrópolis, Ed. Vozes, 1979.
Duarte, Luiz Miguel. Liturgia: conheça mais para celebrar melhor. São Paulo, Paulus, 1996.
Instrução Geral ao Missal Romano(IGMR).
Góis, João de Deus. Breve Curso de Liturgia. São Paulo, Ed. Loyola, 1987.
Junior, Joviano de Lima. A Eucaristia que Celebramos: explicação popular da Missa. São Paulo, Ed. Paulinas, 1982.
Schnitzler, Theodor. Missa, mensagem de vida: entenda a missa para participar melhor. São Paulo, Ed. Paulinas, 1978

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LITURGIA: REPOUSO E NÃO ESTRESSE
Hoje em dia muitas celebrações litúrgicas, em vez de levarem ao repouso, conduzem a um verdadeiro cansaço, um perigoso estresse. Uma senhora me dizia, em Goiânia, que na terra onde mora, perto de Belém do Pará, as Missas estão se tornando insuportáveis devido ao estrépito, à barulheira do canto, dos conjuntos musicais, além de comentários intermináveis e avisos que não terminam. Às vezes, ainda consegue levar o marido à Missa, diz ela, mas a certa altura ele diz: "Mulher, não agüento mais, vou embora". De fato, levanta-se e se retira.
 
Ora, a sagrada Liturgia não constitui um espetáculo. Toda a assembléia celebrante brinca diante de Deus e em Deus. A Liturgia não é conquista humana. Não é eficaz pela força das palavras como se fosse uma conquista. É obra de Deus, puro dom divino, Deus mesmo a ser acolhido. A Liturgia leva a assembléia ao repouso em Deus e não ao cansaço, ao estresse do esgotamento físico e psíquico.
 
Na ação litúrgica já participamos do "repouso" prometido por Deus a seu povo (cf. Sl 94). Ela conduz à tranqüilidade, ao descanso, ao sossego da comunhão de vida e do amor com Deus e em Deus. Seu desenrolar aos poucos vai aquietando os corações dos que chegam à assembléia celebrante cheios de tensões causadas pela vida agitada, pelas preocupações do dia-a-dia. Aos poucos, na escuta da Palavra de Deus, o coração se deixa reconciliar, estabelece-se novamente a harmonia com Deus, com o próximo e com toda a criação. Os participantes acolhem a Palavra e a deixam aninhar-se no seu coração. Todos vão se deixando enlevar pelo ritmo dos diversos ritos, que estabelecem o clima de oração, melhor, que constituem oração, relação efetiva e afetiva com Deus por Cristo e em Cristo Jesus.
 
Por isso, as nossas celebrações devem voltar a ser mais contemplativas dos mistérios de Cristo que se tornam presentes, onde entrará sobretudo a linguagem da escuta atenta, da acolhida, da contemplação, dos ritos em si mesmos, inclusive, do silêncio.
 
A celebração cristã não pode estar repleta de estímulos externos, de estrépito, de barulho, repleta de ruídos. Evitar-se-ão toda surpresa, toda quebra do ritmo do rito, toda interrupção do fluir da relação orante com Deus através de todas as faculdades e todos os sentidos, embalada pelo ritmo do rito. A palavra, o som, o canto e a música constituem apenas um aspecto da participação ativa. É um desastre quando o som da palavra e da música se torna atordoante e ensurdecedor. Isto não leva ao repouso em Deus, mas a maior tensão, ao estresse. As pessoas deixam a celebração mais tensas do que quando chegaram.
 
Diria que a participação ativa é antes uma acolhida passiva do dom de Deus, do próprio Deus no coração, deixando-se envolver por Deus, revestir-se de Deus, fazendo sua a glorificação prestada por Jesus Cristo ao Pai. Deus não se agrada com um culto de multiplicação de palavras. Compraz-se com um coração contrito e humilhado.
 
Toda celebração litúrgica, particularmente a Eucaristia, possui uma dinâmica interna. O início pode ser mais vivo para despertar e motivar a celebração. Aos poucos, porém, a partir da escuta e da contemplação dos mistérios, brota a resposta orante de admiração, de adoração, de louvor, de ação de graças. Comer e beber juntos exige tranqüilidade, sossego, satisfação, plenitude. Assim, toda a assembléia flui para o repouso, a comunhão, a linguagem do coração, a linguagem do esposo e da esposa, para o silêncio profundo da satisfação em Deus. Acontece, então, a reconciliação total, o descanso, o repouso em Deus. O coração e a alma se retemperam em Deus, se fortalecem com o dom de Deus. Assim, reconciliadas, as pessoas podem retornar à luta do dia-a-dia.

frei Alberto Beckhäuser, OFM

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MINISTÉRIOS  LITÚRGICOS
Existem na Igreja atualmente três tipos de ministérios litúrgicos:
- os ministros ordenados: bispo, padre, diácono;
- os ministros instituídos: leitor e acólito;
- uma infinidade de outros ministros que vão surgindo
de acordo com a vida e a necessidade de cada paróquia ou comunidade: leitores, acólitos, comentaristas ou animadores, cantores e instrumentistas, sacristãos, equipe de acolhimento,
servidores da Eucaristia, ministros do batismo, dirigente de celebração, dirigentes da via-sacra, da novena de natal, etc...
Todos eles assumem um verdadeiro ministério litúrgico, cada um na sua função.
Quanto mais viva e participativa é a comunidade, mais serviços e ministérios vão surgindo para acompanhar o crescimento da comunidade e a diversificação de suas celebrações litúrgicas.
Quando falamos em assembléia litúrgica, não devemos pensar só na Missa, mas também: na celebração de todos os sacramentos (batismo, crisma, penitência, casamento, ordenação, unção dos enfermos); na celebração dos sacramentais (encomendação de um defunto, procissões, bênçãos...) nas inúmeras formas de celebração da palavra (vias-sacras, novenas, círculos bíblicos etc); nas orações feitas no início ou no final de uma reunião de grupo ou movimento, etc.

Cada um na sua função
Como no corpo humano cada membro tem a sua função, assim também no corpo que é a igreja, há várias funções e cada um deve exercer bem a sua função e somente a sua. Um pé não deve fazer as vezes de mão, a mão não pode substituir a cabeça. Da mesma maneira o padre não deve fazer as leituras ou as preces que cabem ao povo. Cada um deve ficar com a sua função, com o seu serviço, com o seu ministério. E não deve a mesma pessoa acumular o serviço de vários: ser leitor e acólito, cantor e animador...

ELENCO DE MINISTÉRIOS LITÚRGICOS
Cristãos leigos, mulheres e homens, estão exercendo ministérios litúrgicos, de forma estável, nas comunidades, na casas, nos hospitais e nas matrizes paroquiais.
Elencamos alguns ministérios exercidos na celebrações dominicais da Palavra de Deus, nas celebrações do batismo e no matrimônio:

Coordenar a celebração (geralmente de forma partilhada);
Proclamar as orações;
Introduzir e concluir as preces;
Proclamar o Evangelho;
Dirigir a partilha da Palavra;
Proclamar o louvor;
Invocar bênçãos sobre pessoas, pão, água...
Ungir, batizar, receber o compromisso dos noivos...

Ministérios em celebrações dos sacramentais:

Celebração das exéquias
Bênção das casas
Bênção dos doentes

Ministérios leigos nas celebrações e orações comunitárias:

Presidência do ofício divino;
Louvor;
Adoração do Santíssimo;
Reza do terço;
Ladainha;
Novenas; via-sacra...

Ministérios  nos diversos serviços de uma celebração:

Acolher os que chegam para a celebração;
Indicar os gestos e atitudes corporais;
Proclamar a Palavra de Deus;
Cantar ou recitar o salmo responsorial;
Recitar as preces;
Distribuir a comunhão Eucarística;
Anotar e apresentar as intenções;
Animar o canto da assembléia;
Tocar instrumentos;
Manejar o incenso, velas, cruz, água, missal...
Cuidar do som e da luz;
Ornamentar e zelar pelo espaço;
Cuidar do material da sacristia, etc.
MINISTÉRIO  DA  PRESIDÊNCIA
O presidente da assembléia litúrgica:
Na missa e na celebração dos sacramentos, o presidente da  assembléia é o bispo ou o padre. Ele representa na assembléia reunida o Cristo cabeça de sua Igreja: Cristo que vem até nós, da parte do Pai, para nos salvar e transformar, e Cristo que nos representa junto do Pai e intercede por nós. Por isso, ele tem seu lugar frente ao povo, na cadeira do presidente.
Porém, como “cabeça” ele não pode estar desligado do “Corpo”:
Há muitas celebrações que podem ser feitas mesmo sem a presença de um bispo ou padre: celebrações da Palavra, celebrações penitenciais, vias-sacras, novenas etc. Poderão ser presididas por um outro ministro indicado pelo padre ou pelo bispo: ministro da palavra, ou ministro extraordinário da comunhão eucarística, ou um acólito, ou um catequista, ou por outra
pessoa, ou mesmo por uma pequena equipe coordenadora.
O presidente inicia e encerra as celebrações. Ele faz as orações ao Pai, em nome de todo o povo. Ele coordena todos os ministérios. Deve ser como um bom pai ou uma boa mãe, imagem do amor do Pai. Por isso, ele deve sugerir uma presença viva de Jesus Cristo: pelo seu modo de comunicar, pelos seus gestos, tom de voz, atenção às pessoas, pelo anúncio da Palavra ligada às circunstâncias concretas da vida, da comunidade, pela denúncia daquilo que atrapalha o crescimento do Reino, pelo seu modo de se dirigir ao Pai em oração.
O presidente não se coloca acima da comunidade, nem faz tudo sozinho. Preocupa-se em fazer com que toda a comunidade se torne um povo celebrante, ativo e participante, um povo sacerdotal.
Ele não celebra sozinho, não celebra para o povo ou em favor do povo. Quem celebra é todo o povo. O presidente deve, pois, celebrar com o povo, sabendo-se parte dele. Deve ouvir a palavra, cantar, rezar, comprometer-se com Jesus Cristo, junto com todo o povo e ajudá-lo a fazer o mesmo.
O presidente ou dirigente de uma celebração da Palavra ou outra celebração pode ser homem ou mulher. Podemos viver plenamente a novidade evangélica de que em Cristo não existe discriminação por causa da raça, condição social ou sexo. Deste modo, os dons e carismas que o Espírito Santo concede com tanta largueza a homens e mulheres, podem aflorar também na liturgia para o bem de todo o povo de Deus.
A função do presidente é simbolizar a presidência de Cristo. A presidência é, antes de tudo, um símbolo que dá vida a qualquer grupo. Não funciona isoladamente, mas é garantia de participação de todos, pois, na figura de quem preside, todo o grupo se sente parte. Por sua força simbólica, todos se identificam e se sentem membros do grupo. A ausência total deste referencial gera um sentimento de caos e dispersão.
Quem preside deve se encher da compaixão de Jesus, abraçar todos os filhos e filhas que voltam para encontrar o Pai, dirigir-lhes um olhar de bondade, como o de Jesus na multiplicação dos pães (Jo 6,5). Os presidentes não podem esquecer que o Cristo lavou os pés dos presentes: “Não vim para ser servido, mas para servir”.

MINISTÉRIO  DA  ACOLHIDA

Uma equipe para acolher os irmãos

A liturgia é a celebração de um povo reunido em nome do Senhor, que fez de nós irmãos, filhos do mesmo Pai, membros de um mesmo corpo, ramos da mesma árvore.
Não terá, pois, sentido celebrar a liturgia, se não houver um real esforço de transformar a assembléia em encontro de irmãos.
Um dos meios para criar o clima fraterno entre os participantes é a acolhida por parte de uma equipe, que recebe os irmãos à porta da igreja, ajuda todos a acharem seus lugares, providencia os folhetos ou livros necessários para a celebração e organiza as procissões. Quando vêm pessoas de fora, de outras comunidades, a equipe de acolhimento as receberá em nome da comunidade local e, conforme as circunstâncias, poderá apresentá-las ao celebrante e demais membros da comunidade em momento oportuno.
Também durante a celebração deve ficar atento ao bem-estar dos presentes: cuidar da ventilação e da luz, avisar discretamente se a palavra dos ministros não está chegando até o fundo da igreja (por falha dos microfones, por exemplo..); ajudar se alguém estiver se sentindo mal; convidar delicadamente para uma conversa lá fora quem estiver atrapalhando a celebração. Numa palavra, fazer as vezes de donos da casa, recebendo seus hóspedes.
Lembrem-se os membros desta equipe de acolhimento que eles estão acolhendo em nome de Jesus Cristo, o Bom Pastor, que conhece cada ovelha pelo nome. E que também devem pôr em prática o que diz São Tiago na sua carta (2,1-4), recebendo pobres e ricos com a mesma atenção e consideração.
Nossas comunidades precisam se organizar a ponto de se ter até uma Pastoral da acolhida.

Dez chaves para manter aberta a porta da acolhida:
1 Manter uma atitude de abertura de coração e alegria com a presença do outro, sabendo que quem acolhe um irmão ou uma irmã está acolhendo o próprio Cristo;
2 Manter uma atitude de prontidão para ajudar nas necessidades dos que procuram a Igreja, também nos momentos imprevistos, não programados;
3 Manter uma atitude onde quem chega, possa sentir-se bem em nossos ambientes: considerado, valorizado e acolhido;
4 Rezar pelas pessoas que nos procuram, sobretudo pelas que estão em situações mais difíceis de modo que, em nossa missão evangelizadora, a graça de Deus possa estar sempre presente.
5 Dar o primeiro passo na acolhida, tanto para quem nos procura, quanto para os que visitamos, desejando-lhes sempre a paz: “a paz esteja nesta casa e com todos os moradores”.
6 Evitar que as pessoas passem por constrangimentos ao buscar a ajuda da Igreja. Ver uma forma de agir, sobretudo, nos casos de pessoas em situação “irregular” diante da lei da Igreja para que elas possam se aproximar e não se afastar.
7 Evitar atitudes autoritárias sobretudo quando as pessoas têm comportamentos que não condizem com certos ambientes e espaços da Igreja. Ver a melhor maneira de fazer as observações para não ferir.
8 Ter uma mentalidade de mudança nas posturas pessoais e institucionais, sempre abertos a rever nossas atitudes pessoais e de equipe.
9 Atender bem as pessoas ao telefone com um tom de voz agradável, alegre, disponível, mantendo uma atitude positiva: (conte com a gente
10 Olhar para o Cristo, Mestre, Caminho, Verdade e Vida e aprender dele, cada dia, como acolher melhor as pessoas.
MINISTÉRIO  DA  COORDENAÇÃO
Equipes de celebração
Na idéia geral do povo, quem celebrava a missa antes do Concílio era o padre. E agora, quem celebra a missa?... Se respondermos que hoje – graças a Deus – o padre tem uma equipe que celebra a missa – junto com ele, então ainda não chegamos a entender nada da renovação litúrgica.
Quem deve celebrar a missa e os outros sacramentos é o POVO de Deus. É toda a assembléia de cristãos reunida. É o corpo de Cristo que deve celebrar e participar de maneira ativa, consciente e frutuosa. É o corpo do qual todos nós, pelo batismo, fomos feitos membros. É o povo todo que deve cantar, rezar, aclamar, louvar, pedir... é o corpo todo que deve oferecer o sacrifício de Cristo e se oferecer juntamente com ele. É o povo todo que deve ouvir a palavra de Deus e a ela responder.
Isto vale dizer que o celebrante, o leitor, o cantor... devem agir como parte do povo, como membro dentro do corpo, sentindo junto com o corpo. É preciso celebrar COM o povo e não diante dele! Afinal a função da equipe é fazer o povo todo participar!

Como um corpo
            Porém, não basta ter bons leitores, bons animadores, cantores, recepcionistas, um bom celebrante... É preciso que juntos formem uma equipe de celebração.
            Uma equipe é como uma banda: cada instrumento é importante para o conjunto, mas nenhum instrumento deve tocar isolado dos outros.
            Uma equipe é como um time de futebol: cada jogador tem uma tarefa e uma posição. Mas é o time que joga, é o time que perde, é o time que ganha, e não cada jogador isolado.
            Uma equipe é como uma palavra: somente o conjunto das letras é que dá o significado da palavra. As letras isoladas uma da outra não dizem nada.
            Assim também numa equipe de celebração; não é o leitor o único responsável pela leitura, e sim toda a equipe. Não é o coro o único responsável por um canto e sim toda a equipe. Não é o presidente o único responsável por um clima de oração e de participação: toda equipe é responsável.

E o padre?
            Normalmente, o padre faz parte da equipe. Porém, com a sobrecarga de trabalho, a maioria dos padres não têm condições de estar presente às reuniões. Como então assegurar o relacionamento entre o padre e o restante da equipe? Algumas pistas:
-         o padre participa da reunião uma vez por mês, ou cada dois meses, conforme suas possibilidades. Nesta ocasião costuma-se fazer a avaliação e programação do trabalho da equipe.
-         O padre tem contato mais direto com o coordenador da equipe que o mantém informado das decisões e recebe dele sugestões para o trabalho.
-         O padre encontra com a equipe alguns minutos antes da celebração e se informa sobre aquilo que a equipe preparou, valorizando e respeitando, na medida do possível, as decisões tomadas pela equipe.
-         Como pastor, o padre deve adaptar a celebração às necessidades pastorais da comunidade reunida. E a equipe deve ser formada neste espírito de flexibilidade.

Nada de monopólios
            A equipe deve lembrar sempre que está aí como parte da assembléia. Deve ficar em permanente contato com a comunidade, colhendo sugestões e críticas, convidando pessoas para entrar na equipe, criando novas equipes para  atender as novas necessidades da comunidade.
            Tudo deve ser feito em espírito de serviço: com competência e humildade, com amor e disponibilidade, com dedicação e simplicidade. Nada de autoritarismo, formalismo e ares de poder.
MINISTÉRIO DA MÚSICA
 As equipes de cantos
Na reunião litúrgica, o canto deve ser sempre a expressão da fé e da vida da comunidade, e sua função é ajudar o povo a rezar melhor, manifestar sua fé, gritar seus anseios, declarar seu amor a Deus, implorar o perdão e proclamar a Ressurreição de Cristo.
Portanto, uma celebração sem canto fica morta, apagada, desanimada. O canto anima, desperta, dá vida e tem poder de reunir, congregar, dar mais abertura. “Cantar é próprio de quem ama” – dizia Santo Agostinho.
A carta de S. Paulo aos Efésios associa canto com Espírito Santo e espírito tem relação com sopro-vento. Sopro e vento produzem vibração. Portanto, o Espírito é quem suscita em nós o som, a vibração, o ar, a voz. Cantar e falar são dons que nos vem do Espírito de Deus, que também produz em nós a alegria, o louvor, a Ação de Graças, o Amor, atitudes estas que, se vividas com intensidade, tornam-se voz, aclamação, canto, oração. Atitude e canto tornam-se uma coisa só...
Não cantamos na liturgia como um enfeite ou divertimento para tornar a liturgia mais leve e agradável, mas precisamos cantar “no Espírito”, abrindo-nos a Deus que nos transforma também através do canto.
Portanto, não é válido escolher qualquer música para cantar na Liturgia, mas cantos que expressem o mistério de Deus celebrado na liturgia e vivenciado no dia-a-dia, e cantos que retomem ou combinem com a Liturgia do dia.
O canto na liturgia, não é privilégio apenas de algumas pessoas, de um grupo, de um cantor, de um coral. É o povo todo que canta, e o canto deve ajudar o povo a rezar melhor.
Para que isso aconteça, é necessário que haja pessoas preparadas: um animador, um grupo de cantores que sustentem o canto, o salmista e os instrumentistas, cada um com sua função específica, mas formando todos juntos um conjunto harmonioso.

Equipes de canto – dicas práticas:
- Se a equipe de canto não fizer do canto uma oração, não poderá fazer a assembléia rezar também.
- Não é a beleza ou o timbre de voz que conta, mas a capacidade de levar a assembléia a rezar cantando.
- Equipe de canto não é equipe de show, que centraliza a atenção do povo sobre ela.
- O animador e de preferência toda a equipe, devem ficar de frente para a assembléia, para facilitar a comunicação, sem dar as costas ao celebrante e ao altar.
- A equipe de canto deve estar presente na preparação da celebração para escolher junto os cantos e estar por dentro do conteúdo da celebração. Isto é sério!
- Os números dos cantos devem ser anunciados com clareza, e a equipe de canto aguarda até a assembléia localizar o canto no livro.
- A introdução rítmica do canto feitos pelos instrumentistas, é de suma importância, pois o povo já percebe em que ritmo irá cantar. Mas não exagerar no tempo da introdução. Três a quatro compassos são suficientes.
- Os instrumentos não podem abafar as vozes, principalmente no Salmo Responsorial. Este só pode ser acompanhado com 1 violão, ou o atabaque, ou órgão bem suave. Aliás todos os solos seguem esta norma.
- Todas as pessoas da equipe de canto devem ser treinadas a cantar forte, mas não gritado, de modo que ouça a voz dos seus vizinhos. (Se não ouvir, é porque está gritando)
- Treinar diariamente a respiração abdominal, ajuda a impostar a voz, para que seja forte sem ser gritada, e que seja de cabeça, e não de garganta e nem nasal.
- Lembre-se: a equipe de canto, que é responsável por 80% da participação da assembléia.

Funções nas equipes de cantos:
Animador do canto: É aquele que dirige o canto do povo durante a ação litúrgica, e coordena ao mesmo tempo o canto do salmista, do grupo de cantores e dos instrumentistas, a fim de formar uma grande harmonia a fazer a assembléia rezar cantando, com sua animação que vem do Espírito do Senhor. 

São suas tarefas também:
- Fazer antes da celebração um ensaio das partes que cabem ao povo. (se for possível, andar no meio do povo para motivar melhor)
- Ensaiar regularmente com a equipe de canto, para que esteja segura das melodias e ritmos. (este ensaio nunca deverá ser feito antes da celebração, pois é espaço reservado para ensaio com o povo)
- Refletir junto à equipe de canto, a função do canto na liturgia e a importância de cada canto na liturgia: (entrada, salmo, aclamação, santo, etc...)
- Ir treinando vários salmistas, para outros terem a oportunidade de participar.
- Preocupar-se sempre com a participação da assembléia.

Grupo de cantores
É o grupo que sustentar o canto. Nunca porém, pode substituir o canto do povo ou “roubar” a vez do povo, naquelas músicas destinadas pelas leis litúrgicas a toda a assembléia: o santo, o refrão do Salmo, as respostas e aclamações, o canto de entrada e comunhão, o glória, o cordeiro de Deus e o Pai Nosso.
É o grupo de canto que ajuda o animador na hora do ensaio, porém, com meia voz, para não abafar a voz da assembléia.

Instrumentistas
É de fundamental importância o papel dos instrumentistas nas celebrações, porque eles têm a função de criar um clima de oração e meditação desde que a assembléia vai chegando e durante toda a celebração.
Além disso, são os instrumentos que sustentam o canto do povo e determinam em que ritmo serão cantados. Podem ser usados todos os instrumentos (órgão, teclado, violão, viola, cavaquinho, acordeon, violino, saxofone, batuques...) pois nenhum instrumento é mais litúrgico ou menos litúrgico, mas tudo depende da maneira de utilizá-lo.
- Quando um instrumento acompanha o canto, ele não pode sobrepor as vozes, pois as palavras devem ser ouvidas.
- Os instrumentos de preferência deveriam acompanhar o andamento do povo e não tocar de tal modo que o povo tenha que correr atrás do instrumento. (acompanhar é diferente do que fazer um solo com o instrumento).
- A afinação dos instrumentos nunca deverá ser feita na igreja ou local de celebração, enquanto o povo já está entrando, mas antes, e em local reservado. É preciso respeitar quem chega antes à igreja para fazer sua oração pessoal.
- Cada instrumentista terá à sua vista a lista dos cantos que serão cantados com o tom e o ritmo anotados para evitar conversas durante a celebração. Não podemos esquecer que a equipe de canto é responsável por 80% da participação da assembléia.

O salmista
É o cantor do salmo entre as leituras. Ele propõe o refrão que o povo repete no início, e após cada verso cantado só pelo salmista. É por isso que é chamado de Salmo responsorial.
- O salmo responsorial tem o mesmo peso que as leituras, pois é tirado da Bíblia, e sempre completa o conteúdo da 1ª leitura. Ele é como a resposta do povo à mensagem de Deus ouvida na 1ª leitura.
- Durante os versos cantados pelo salmista, o instrumento deve tocar bem baixinho, para não perdermos nenhuma palavra do texto.
- Durante o refrão cantado pelo povo, o salmista se cala, principalmente quando usar o microfone, para não se sobrepor a voz da assembléia.

Escolha das músicas
O animador deverá saber escolher as músicas de acordo com o tempo litúrgico. Para tanto, ele deve conhecer muito bem o Ciclo Litúrgico (advento, natal, quaresma, tempo pascal, tempo comum...) e os diferentes momentos das celebrações (entrada, salmo, aclamação, respostas cantadas, etc...).
Para cada celebração deverão ser escolhidos cantos apropriados e que não sejam fora da realidade da comunidade.
Formação litúrgico-musical: O animador e a equipe de canto devem ter um preparo litúrgico-musical para poder levar adiante esse trabalho:
É feio cantar gritando. Precisa cuidar da impostação da boca, principalmente na execução das vogais: “A” como se fosse “O” ; “O” e “E” devem ser bem fechadas.

Normas práticas:
1 Pegar a tonalidade certa para cada canto.
2 Se o canto for muito grave ou agudo a assembléia não consegue cantar.
3 Por isso, o instrumento musical exerce uma função importante.
4 O animador deve esperar que o instrumentista dê a tonalidade certa, e com o canto em andamento.
5 Procurar no livro de cantos a tonalidade certa e não pegar a mais fácil.
6 A tendência é começar numa tonalidade bem grave, sem brilho nenhum.
7 Evitar ‘emendar’ a voz, as notas. Isso deixa o canto triste e feio.
8 O animador do canto aprender a orientar a assembléia com o gesto da mão.
9 Momento bom para ensaiar a assembléia é uns 15 minutos antes das celebrações.

Cuidado com as crianças
Na maioria de nossas comunidades, é grande o número de crianças. Algumas “seguem” atentas as Missas ou celebrações; muitas ficam inquietas, correm por todo lado, gritam ou choram..., outras estão quietas no banco, mas não parecem ter condições para participar.
O que fazer por elas?... Como pode a equipe resolver este problema?
Não parece solução dizer que as mães devem deixá-las em casa; muitas não têm com quem as deixar. Não adianta também pedir que a assembléia não preste atenção às atividades das crianças: com seus gritos e seu choro, ou com suas brincadeiras e correrias na calçada da igreja impedem, de fato, a participação atenta do povo.
Como possibilitar ou facilitar a participação das crianças, de acordo com seu nível de fé e de compreensão? Damos aqui algumas sugestões:
 
1 Crianças muito pequenas podem ficar num local adequado, onde algumas pessoas tomam conta, ou brincam com elas, ou contam histórias, ou passam filme, ou deixam desenhar ou fazer teatro, etc.. antes do final da Missa, as crianças entram para a assembléia, para receberem a bênção, junto com seus pais.
2 Na medida da compreensão das crianças, pode ser feito com elas um tipo de catequese ou uma celebração: contando e explicando o evangelho do dia, dramatizando-o, deixando que as crianças façam orações espontâneas, desenhem ou cantem uma música relacionada ao evangelho.
3 Pode-se mesmo fazer uma verdadeira liturgia da palavra, adequada às crianças, mas seguindo em grandes linhas o roteiro da liturgia da palavra dos adultos. Poderá ser presidida por um(a) catequista ou por um casal ou um jovem que tem jeito e pedagogia para lidar com crianças
4 As crianças que ficam na assembléia devem ser normalmente as que já foram admitidas à primeira comunhão. seja-lhes dada uma atenção especial, para que se sintam entrosadas e interessadas. É preciso que o celebrante lhes dirija a palavra no início, na homilia e no final da missa, por exemplo. Pode ser útil confiar às crianças alguns serviços, como levar as oferendas, executar algum canto, ou distribuir os folhetos ou folhas de cantos.
5 Estando com os pais, aprenderão com eles a participar, mas, de vez em quando, o celebrante poderá também convidá-las a ficar em volta do altar, principalmente durante a oração eucarística, para que possam ver melhor e se sentir mais motivadas a participar.
6 É bom que, de vez em quando, e de preferência num dia de semana, as crianças que já fizeram a primeira comunhão tenham a “sua” missa onde possam celebrar com liberdade uma liturgia viva e adequada à sua idade e sua psicologia. O Diretório das Missas com crianças, da Sagrada Congregação para o Culto Divino, oferece inúmeras sugestões e possibilidades de adaptação. (Missas para crianças, jovens ou outros grupos específicos no domingo não são a melhor solução, pois a assembléia deste dia pretende reunir toda a comunidade, todo o corpo de Cristo).
7 As paróquias e comunidades precisam ter uma catequese mais celebrativa, onde as crianças vão aprender a celebrar, vão aprendendo o significados dos objetos litúrgicos, os símbolos e gestos e assim, vão tomando gosto pela celebração.

MINISTÉRIO DO ANIMADOR

Os comentaristas e a participação do povo
O comentarista surgiu na época em que a liturgia era ainda celebrada em latim. Fazia as leituras na linguagem do povo, comentava explicando e introduzindo os vários ritos e momentos da celebração.
Esta função se tornou oficial pela Instrução de Música Sacra e Sagrada Liturgia (1958) e foi assumida no documento conciliar Sacrossantum Concilium 29. A introdução do Missal Romano, no nº 68 diz o que deve fazer o comentarista:
-  propõe aos fiéis explicações e monições
-  visando introduzi-los na celebração
-  dispô-los melhor a entendê-la”
“Monições” é uma palavra que dificilmente encontraremos no dicionário, mas o sentido é o seguinte: um convite à oração, ao canto, à participação, a estar atento. Não serve para explicar, mas para motivar, provocar a participação da assembléia. É por isso que o termo “animador(a)” seja mais adequado.
Em que momentos da celebração o animador deve intervir? Não há regra geral. Cada comunidade, cada paróquia, cada celebração é diferente. Mas de modo geral, na missa por exemplo, o animador poderá intervir nos seguintes momentos: no início da celebração (antes ou depois do canto de entrada); antes da liturgia da palavra, criando um ambiente de atenção; antes de cada leitura; antes da aclamação ao evangelho; antes da liturgia eucarística, fazendo a ligação entre a liturgia da palavra e a liturgia eucarística (a não ser que o padre já o tenha feito na homilia); antes da comunhão, antes da bênção final, ligando a celebração com a vida.
O animador deve trabalhar em estreita ligação com o presidente da assembléia. Sempre que esta queira tomar a palavra, introduzindo alguma parte da celebração, o animador deve ceder-lhe este lugar e não fazer depois uma segunda introdução.
De que maneira o animador deve exercer seu papel? Ele deve criar um laço entre a assembléia e tudo o que acontece na celebração. Não de maneira ruidosa, chamando a atenção para si, mas de modo discreto, porém animado, convidativo. Não com palavras rebuscadas, complicadas, mas num estilo simples de conversação.
Por isso, jamais deve ler, mas conversar, dialogar, falar, olhando para a assembléia. É claro que pode ter um texto preparado, mas não pode “enfiar o nariz no papel” e ficar lendo! Deve preparar bem o conteúdo e depois falar com suas próprias palavras. Se não fizer assim, não conseguirá participação. E aí estará provavelmente atrapalhando mais do que ajudando.
Às vezes será preciso improvisar. Não se trata de falar só naqueles momentos previstos e depois “desligar”. Deve “sentir” a assembléia e quando perceber que está dispersa, inquieta, distraída, pode e deve – num momento adequado – intervir para tentar criar de novo o clima de oração e participação necessária para uma boa celebração.
Por isso, o animador deve ficar entre o presidente e a assembléia, como um ponto de união. Normalmente, não deve ficar na estante da palavra, pois esta fica reservada para os leitores.
O animador não deve falar muito. Não deve fazer pequenas “homilias”! Deve aprender a falar com poucas palavras, mas palavras cheias de significado. Quanto menor for a comunidade reunida  e quanto mais preparada, tanto menos o animador deve falar.
Jamais deve “dar bronca” ou chamar a atenção de alguém pelo microfone. Deve levar a assembléia sempre pelo lado positivo. (Se alguém estiver atrapalhando muito a celebração, é melhor que a equipe de acolhimento se encarregue do caso, discretamente).
E os folhetos? O animador pode usar o texto oferecido pelos folhetos, mas deve adaptá-lo sempre a cada grupo reunido, a cada circunstância. Não pode se tornar um “leitor de folheto”.

MINISTÉRIO  DO  LEITOR

Proclamação da Palavra de Deus
 “A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; ela sonda os sentimentos e pensamentos mais íntimos” (Hb 4,12)
Todos sabemos da importância da Palavra de Deus em nossas celebrações. Através da Palavra, Deus dialoga com seu povo. Além do destaque que se deve dar ao Livro Sagrado, é necessário que a mensagem nele contida se torne viva, atual. Isso depende da maneira como ela é anunciada. É sobre isso que queremos refletir neste capítulo.
A Palavra deve ser proclamada: Proclamar não é ler. É preciso proclamar a leitura como Palavra de Salvação, como Palavra que proclama o amor e a bondade de Deus, como Palavra que liberta, dá vida e ressuscita, que nos chama à conversão e à comunhão com Deus e com os irmãos. A Palavra transmitida pela leitura deve atingir os ouvintes e fazer brotar do coração uma nova profissão de fé.
Através da leitura, da voz, da comunicação de quem proclama, Deus quer falar pessoalmente com o seu povo reunido. “Presente está pela sua Palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja, isto é, na comunidade reunida”. (S.C. nº 7)
A presença de Jesus Cristo pela sua Palavra é uma presença simbólico-sacramental. Passa pelos sinais sensíveis: o leitor, a leitura, o tom da voz, o lugar da proclamação, a comunicação entre leitor e ouvintes, a disposição em ouvir da parte da assembléia.
Os sinais realizam o que significam, mas a significação não é automática: depende da comunicação, da compreensão, do trabalho a ser feito pela equipe de liturgia preparando os leitores e preparando o povo.
O leitor é aquela pessoa que empresta sua voz a Deus para que Ele possa falar. Não fala em seu próprio nome. Fala a Palavra de Deus. Por isso os leitores precisam estar bem preparados para exercer este ministério. Não se lê de qualquer jeito, nem é suficiente ler bem. É necessário proclamar. O proclamador vai além de simples leitura. Medita a Palavra antes, deixa a Palavra penetrar na sua vida. Estuda o sentido do texto. Pergunta, guarda no coração a Palavra que leu. Quando lê na celebração, as palavras não saem de um texto frio, mas do calor de seu coração.
O leitor é Jesus Cristo presente com o seu espírito, falando na comunidade, anunciando o Reino, denunciando as injustiças, convocando a comunidade, convidando-a para a renovação da Aliança, a conversão, a esperança, purificando-nos e transformando-nos. Por isso alguém da comunidade é chamado a ser ministro, servidor desta Palavra.
O leitor é no meio da comunidade, sinal vivo da Cristo-Palavra e do seu espírito, não só pelo conteúdo da leitura, mas por todo o seu modo de ser e de falar, de olhar e de se movimentar. Jesus Cristo fala à comunidade reunida, pela mediação do leitor. E o Espírito está presente na pessoa que lê e também nos ouvintes para que acolham a Palavra em suas vidas. Os ouvintes devem ouvir, escutar, acolher a Palavra. Ouvem as palavras proclamadas pelos leitores e têm os olhos fixos neles para não perderem nem uma vírgula, nem um sinal daquilo que é anunciado. “Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos Nele”. (Lc 4, 20b)
Para poder transmitir a Palavra contida na leitura e atingir com ela a assembléia ouvinte, é necessário que o leitor conheça e entenda aquilo que está lendo.
Primeiro, o texto em si: saber em que circunstâncias foi escrito, a quem foi dirigido, quem está falando e com que objetivo. Depois saber o sentido do texto no conjunto da revelação e do mistério de Cristo, para que o texto possa se tornar uma palavra de salvação para nós hoje.
O alto funcionário de Candace, da rainha de Etiópia, certamente sabia ler; entendia perfeitamente cada palavra que lia do capítulo 53 do profeta Isaías; porém, escapava-lhe o sentido revelador:
“Compreendes o que lês? Perguntou-lhe Filipe. E ele respondeu: “Como poderia compreender, se não há quem me explique?” (...) Filipe tomou a palavra e, partindo deste texto da Escritura, anunciou-lhe a boa nova de Jesus”. (Vejam o trecho por inteiro em Atos 8, 26 – 40).
O leitor não pode ser daqueles que andam com um véu na frente dos olhos e do coração e por isso, não compreendem as Escrituras. (Vejam em 2 Cor 3,12-18).
Um leitor que não entende aquilo que está lendo, transmitirá dúvidas. Somente o leitor que conhece a leitura a acredita naquilo que lê, será capaz de fazer da leitura um verdadeiro anúncio da Palavra.
Às vezes queremos dar oportunidade para outras pessoas se engajarem na comunidade e as convidamos para serem leitores, sem estarem preparados técnica e espiritualmente. Pode ser um desastre! Para ele(a) ou para a comunidade.
Por isso, os leitores devem Ter a oportunidade de fazer cursos bíblicos e de Ter livros e revistas à disposição, que os ajudem nesta tarefa.

Como preparar a leitura?
Vai aí algumas dicas práticas:
1 Conheça bem o texto.
Qual o contexto do texto na Bíblia? (quem fala? Para quem? A respeito de quê?) Qual o assunto, ou a mensagem, ou a idéia principal do texto? Qual o gênero literário? (carta, norma jurídica, oração, história de uma viagem, parábola, provérbio, hino, exortação, profecia, acusação...) Em que ambiente está se passando? (no deserto, na cidade, no meio da multidão) Quais os personagens? O que sentem? Como se relacionam? Há palavras difíceis no texto? Use o dicionário. Se for preciso, troquem as palavras difíceis por outras equivalentes, conhecidas pelos ouvintes. (Por exemplo: em Jo 15, troquem “videira” por “parreira”.) Tentem perceber as várias partes da leitura (a introdução, o final, o ponto alto...)
2 Sintonize com o texto.
Sintonizar com o texto quer dizer: reconhecer-se dentro do texto, identificar-se com algum personagem ou com a situação narrada no texto. Pergunte-se: Isto já aconteceu conosco? Isto serve para nós? Isto diz respeito à nossa realidade? Qual a mensagem de Deus para nós nesta passagem da Bíblia? Vejam também a relação da leitura com a festa litúrgica e com as outras leituras. Pergunte: por que será que foi escolhida esta leitura?
3 Treine a expressão do texto.
Grife as palavras mais importantes e a frase principal. Marque as pausas e os silêncios.(o silêncio é muito importante para a palavra, pois sem ele a palavra se perde no barulho). Procure o tom de voz que combine com o gênero literário do texto. Dar ênfase nas palavras mais importantes. Preste atenção ao ritmo que mais combina com cada parte do texto. (depressa, mais devagar, freiando ou acelerando). Cuide da respiração, aspirando pelo nariz e sem fazer barulho. Cuide da dicção, pronunciando bem cada palavra, cada sílaba. Diga o texto algumas vezes em voz alta.
4 Faça da leitura uma meditação, uma oração:
“Guarde a palavra no coração”, como fez Maria. “Mastigue” a Palavra, como fez Ezequiel. Aprenda de cor as passagens mais significativas e repita-as várias vezes ao longo do dia, meditando-as. Comece a preparar a leitura de Sábado ou Domingo no início da semana; assim terá o tempo necessário para assimilar melhor a palavra no coração e na vida.

Aspectos práticos que nos ajudam neste serviço.
- O microfone pode ajudar, como pode estragar. Ninguém nasce sabendo. É preciso aprender a usá-lo. Ver o volume, distância da boca, etc. deixa sempre alguém responsável pela regulagem é fundamental.
- Quando se lê um texto diante dos outros é preciso observar bem a pontuação: o sentido da vírgula (,), do ponto final (.), do ponto de interrogação (?), exclamação (!), bem como os sinais gráficos: o hífen (-), a reticências (...), aspas (“), dois pontos (:), entre parênteses ( ). Para isso, é importante o leitor se preparar antes.
- Evitar so-le-trar ou gaguejar ou ainda, fazer a leitura correndo. Evitar a leitura com dentes cerrados (é preciso abrir bem a boca e pronunciar todas as letras). Evitar cabeça baixa, fixada apenas no texto. É preciso se comunicar com os olhos. É preciso treinar, como tudo na vida.
- Nunca começar a leitura se o povo estiver inquieto e barulhento. Não precisa dar “bronca”, mas esperar em silêncio.
- Não indicar uma pessoa qualquer para fazer a leitura ou pegar um leitor de improviso, a não ser em grupos menores.
- Procurar despertar o povo para ouvir a proclamação da Palavra.
- Ler sempre do lecionário ou da Bíblia. (Se libertar de folhetos)