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31 de mai de 2010

JESUS CURA UM PARALÍTICO

Palavra de Jesus, Palavra de Vida

Em Cristo, diz Paulo na segunda leitura, todas as promessas têm recebido um “sim”. Algo muito diferente do que ocorre com os homens. A palavra sai da pela boca e esquecemos que as palavras só se fazem autênticas, se enchem de valor e verdade, quando vão acompanhadas dos fatos. E isto é aplicável em todos os âmbitos da relação humana: desde a amizade até o nível mais alto política internacional.

Quantas promessas de fidelidade “para sempre” vão ficando rompidas pelo caminho dos matrimônios de nossos dias! Mas também quantas promessas dos políticos que em ano de eleições se apresentam pontualmente e nos pedem fervorosamente o voto, e depois nos esquecem. O que foi titular um dia se converte com o tempo em puro "nada" perdido na memória.

Há algum tempo atrás li em uma revista que em um país tinham os políticos, por quatro vezes seguidas, em governos e em anos diferentes, inaugurado solenemente o começo das obras de uma estrada. Obras que nunca tinham começado realmente. E ali seguia a estrada não só sem ser construída, mais convertida em prova e verificação do valor da palavra daqueles políticos.

Em Cristo, a palavra faz-se vida

Mas em Cristo a palavra faz-se realidade, vida tangível e palpável. O relato de hoje nos faz pensar em uma característica do mundo judeu dos tempos de Jesus. Pensava-se então que a doença tinha uma relação imediata com o pecado da pessoa. Como causa e efeito. Se a pessoa estava doente era a natural consequência de seu pecado.

Assim é mais fácil entender a forma de atuar de Jesus. Primeiro perdoa os pecados ao paralítico. Mas ante a oposição dos que põem em dúvida sua capacidade para fazê-lo, cura também o paralítico. Sua palavra faz-se vida, têm consequências reais. Não fica em um mero “flatus vocis” (estrondo da política), em um som sem consequências. Jesus perdoa os pecados e, ao fazê-lo, abre um novo futuro para a pessoa. Pode sai da cama e sair andando.

Devemos supor que os escribas que punham em dúvida a capacidade de Jesus para perdoar os pecados estão incluídos no “todos” do final do relato evangélico que “ficaram atônitos e davam glória a Deus”. Sua surpresa consiste em descobrir que a palavra de Jesus é viva e eficaz, que perdoa os pecados e cura a doença, que a pessoa pode voltar a andar por si mesma.

A Palavra de Jesus nos empurra para a vida

Jesus abriu um futuro novo para essa pessoa. O que estava deitado, que era levado e transportado pelos outos, agora é capaz de largar a cama e decidir por si mesmo seu próprio rumo. Realmente Jesus tem realizado algo novo! Em Jesus começa essa nova vida que se anuncia na primeira leitura. Essa nova vida faz-se possível porque Deus apaga nossos crimes e esquece-se de nossos pecados, porque Deus abre caminhos no deserto e rios na terra seca.

Ser positivos, otimistas e pessoas de esperança, fazem parte da bagagem pessoal de todo crente. Nós, os discípulos de Jesus somos gentes do “sim”, afirmamos a vida, levantamos aos caídos e os convidamos a largar suas camas e que saiam andando. Porque cremos em um Deus que nos reconcilia, que cura nossas feridas internas e nos chama a tomar nossos próprios caminhos.

Onde nós, com nossa miopia, não vemos mais que um deserto, Deus abre caminhos para construir a fraternidade, para modelar as relações humanas mais justas e mais fraternas. Mas esse já é trabalho e responsabilidade nossa. É questão de abrir os olhos e os ouvidos e acolher sua Palavra de Vida. E fazer que nossa palavra seja também palavra de vida e esperança para os que nos rodeiam.

Fernando Torres

http://www.ciudadredonda.org/subsecc_ma_d.php?sscd=157&scd=1&id=2893

O MESSIAS NÃO É UM GUEREIRO

04 de junho

Evangelho: Marcos 12, 35-37
Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi?

Jesus discute com os fariseus porque deram sentido errado ao anunciado na escritura. O Messias que eles esperam é um rei à maneira de Davi, guerreiro, capaz de formar um exército para libertar-se da dominação romana e fazer de Israel uma grande nação. Jesus lhes diz que o Messias não é somente um homem descendente de Davi, recorda-lhes que na escritura Davi se refere ao Messias chamando-lhe de “meu Senhor” (na linguagem do povo judaico, isto equivale a chamar-lhe de meu Deus), desta forma o Messias é muito mais que um homem descendente de um Rei, é Deus mesmo que o habita.

Mas se o povo judaico nem sequer se atrevia a nomear Deus, então isso produz um grande escândalo: se é como Jesus lhes disse, é impossível, não podem aceitar que Ele é o Messias. Isso finalmente será causa para sua condenação à morte.

Para muitos, até hoje é impossível aceitar que Deus não cai do céu, mas que habita o ser humano, com toda a riqueza, toda a limitação e finitude que isso implica. Deus dá à mulher e ao homem uma dimensão superior ao resto da criação, é então um Deus conosco, um Deus em nós.

Missionários Claretianos

EUCARISTIA


Evangelho: Lucas 9,11b-17
Todos comeram e ficaram satisfeitos.

A primeira leitura de hoje é uma espécie de prefiguração sacercotal-eucarística na misteriosa pessoa de Melquisedec. A segunda leitura nos faz passar da imagem à realidade, através da catequese eucarística de Paulo à comunidade de Corinto. Finalmente, o evangelho nos recorda que a eucaristia é e deve ser sempre expressão e fonte de caridade: nasce do amor de Cristo e se torna fundamento do amor entre os fiéis reunidos em torno do Pão doado por Jesus e distribuído por seus discípulos entre os irmãos.

A eucaristia sustenta toda a vida da comunidade dos crentes. Enquanto tornamos presente o “amor até o extremo” pelo qual Jesus ofereceu sua vida na cruz (passado), nos comprometemos a formar um só corpo, animado pela fé e pela caridade solidária (presente), “enquanto esperamos sua vinda gloriosa” (1Cor 11,26) (futuro).

A primeira leitura (Gn 14,18-20) é um antigo texto, originalmente talvez de natureza político-militar, no qual o misterioso personagem Melquisedec, rei de Salém, oferece a Abraão um pouco de pão e de vinho. Trata-se de um gesto de solidariedade: através daquele alimento, Abraão e seus homens podem se estabelecer depois de voltar da batalha contra quatro reis (Gn 14,17). A passagem, contudo, parece conter uma cena de caráter religioso, sendo Melquisedec um sacerdote segundo a práxis teológica oriental.

O gesto poderia conter um matiz de sacrifício ou de rito de ação de graças pela vitória. O v. 19, entretanto, conserva as palavras de uma bênção. As palavras de Melquisedec e seu gesto oferecem uma nova luz sobre a vida de Abraão: seus inimigos foram derrotados e seu nome é enaltecido por um rei-sacerdote. O capítulo 7 da Carta aos Hebreus tornou possível uma reflexão em torno do Cristo Sacerdote à luz deste misterioso texto do Genesis, segundo a linha teológica e já presente nas palavras do Sl 110,4 dirige ao rei-messias: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec”.

A segunda leitura (1Cor 11,23-26) pertence à catequese que Paulo dirige à comunidade de Corinto em relação com a celebração das assembléias cristãs, onde os mais poderosos e ricos humilhavam e desprezavam os mais pobres. Paulo aproveita a oportunidade para recordar uma antiga tradição recebida sobre a ceia eucarística, já que o desprezo, a humilhação e a falta de atenção aos pobres nas assembléias estavam destruindo pela raiz o sentido mais profundo da Ceia do Senhor.

Coloca-se assim em sintonia com os profetas do Antigo Testamento que haviam condenado com energia o culto hipócrita que não ia acompanhado de uma vida de caridade e de justiça (cf. Am 5,21-25; Is 1,10-20), a exemplo de Jesus (cf. Mt 5,23-24; Mc 7,9-13). A Eucaristia, memorial da entrega de amor de Jesus, deve ser vivida pelos crentes com o mesmo espírito de doação e de caridade como o Senhor “entregou” seu corpo e seu sangue na cruz por “vós”.

A leitura paulina nos recorda as palavras de Jesus na última ceia, com as quais o Senhor interpretou sua futura paixão e morte como “aliança selada com seu sangue” (1Cor 11,25) e “corpo entregue por vós” (1Cor 11,24), mistério de amor que se atualiza e se torna presente “cada vez que comam este pão e bebam este cálice” (1Cor 11,26). A fórmula do cálice eucarístico, semelhante à fórmula da última ceia em Lucas (Mateus e Marcos refletem uma outra tradição), está centrada no tema da nova aliança, que lembra a célebre passagem de Jer 31,31-33. Cristo estabelece uma verdadeira aliança que se realiza, não através do sangue de animais, derramado sobre o povo (Ex 24), mas com seu próprio sangue, instrumento perfeito de comunhão entre Deus e os homens.

A celebração eucarística abraça e enche toda a história dando-lhe um novo sentido: torna presente realmente a Jesus em seu mistério de amor e de doação na Cruz (passado); a comunidade, obediente ao mandato de seu Senhor, deverá repetir o gesto da ceia continuamente enquanto dure a história “em memória de mim” (1Cor 11,24) (presente); e o fará sempre com a expectativa de sua, “até que ele venha” (1 Cor 11,26) (futuro). O mistério da instituição da Eucaristia nasce do amor de Cristo que se entrega por nós e, portanto, deverá sempre ser vivido e celebrado no amor e na entrega generosa, à imagem do Senhor, sem divisões nem hipocrisias.

O evangelho (Lucas 9,10-17) relata o episódio da multiplicação dos pães, que aparece com diversos matizes também nos outros evangelhos (duas vezes em Marcos), o que demonstra, não somente que o evento possui um alto grau de historicidade, mas que também é fundamental para compreender a missão de Jesus.

Jesus está próximo de Betsaida e tem diante de si uma grande multidão de gente pobre, enferma, faminta. É a este povo marginalizado e oprimido, ao qual Jesus se dirige, “falando-lhes do reino de Deus e curando aos necessitados” (v. 11). Na sequência, Lucas acrescenta um dado importante com o qual introduz o diálogo entre Jesus e os Doze: começa a cair a tarde (v. 12). O momento lembra o convite dos dois peregrinos que caminhavam para Emaús, precisamente ao cair da tarde: “Fica conosco, Senhor, porque é tarde e o dia declina” (Lc 24,29). Nos dois episódios, a bênção do pão acontece no fim da tarde.

O diálogo entre Jesus e os Doze coloca em evidencia duas perspectivas. Por uma parte os apóstolos que querem enviar o povo às cidades vizinhas para que comprem comida, propõem uma solução “realista”. No fundo, pensam que está bem dar graças à pregação, porém que é justo que cada qual se preocupe com o material. A perspectiva de Jesus, contudo, representa a iniciativa do amor, a gratuidade total e a prova inquestionável de que o anúncio do reino abarca também a solução às necessidades materiais do povo.

No final do v. 12 percebemos que tudo está ocorrendo em um lugar desértico. Isto lembra, sem dúvida, o começo do povo eleito através do deserto desde o Egito até a terra prometida, época na qual Israel experimentou a misericórdia divina, através dos grandes prodígios, como por exemplo, o dom do maná. A atitude dos discípulos lembra as resistências e a incredulidade de Israel diante do poder de Deus que se concretiza através de obras salvadoras a favor do povo (Ex 16,3-4).

A resposta de Jesus: “dai-lhes vós mesmos de comer” (v. 13), não somente é provocativa, dada a pouca quantidade de alimento, mas que sobretudo tenta colocar em evidencia a missão dos discípulos no interior do gesto misericordioso que Jesus vai realizar. Os discípulos, naquela tarde e nas proximidades de Betsaida e ao longo de toda a história da Igreja, são chamados a colaborar com Jesus, preocupando-se por conseguir o pão para seus irmãos. Depois dos discípulos terem acomodado o povo, Jesus “tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu-os e os deu aos discípulos para que os distribuíssem ao povo” (v.16).

O gesto de “elevar os olhos aos céus” coloca em evidencia a atitude orante de Jesus que vive em permanente comunhão com o Deus do reino; a bênção (a beraká hebraica) é uma oração que, ao mesmo tempo expressa gratuidade e louvor pelo dom recebido, ou que está para receber. É digno de nota que Jesus abençoe os alimentos, pois para ele “todos os alimentos são puros” (Mc 7,9), mas que bendiz a Deus pelo alimento reconhecendo-o como a fonte de todos os dons e todos os bens. O gesto de partir o pão e distribuí-lo indiscutivelmente recorda a última ceia de Jesus, na qual o Senhor dá um novo sentido ao pão e ao vinho da ceia pascal, fazendo-os sinal sacramental de sua vida e sua morte como dinamismo de amor até o extremo pelos seus.

No final todos ficam saciados e sobram doze cestos (v. 17). O tema da “saciedade” é típico do tempo messiânico. A saciedade é a conseqüência da ação poderosa de Deus no tempo messiânico (Ex 16,12; Sal 22,27; 78,29; Jr 31,14). Jesus é o grande profeta dos últimos tempos, que recapitula em si as grandes ações de Deus, que alimentou a seu povo no passado (Ex 16; 2Rs 4,42-44). Os doze cestos que sobram, não somente sublinha a superabundância do dom, mas que também coloca em evidencia o papel dos “doze” como mediadores na obra da salvação. Os Doze representam o fundamento da Igreja, são como a síntese e a raiz da comunidade cristã, chamada a colaborar ativamente a fim de que o dom de Jesus possa alcançar a todos os seres humanos.

No texto, como já vimos, diversos níveis de significado são sobrepostos uns aos outros. O milagre realizado por Jesus o apresenta como o projeta dos últimos tempos. Ao mesmo tempo o evento antecipa o gesto realizado por Jesus na última ceia, quando o Senhor doa à comunidade no pão e no vinho o sinal sacramental de sua presença.

Por outra parte, o dom do pão no deserto inaugura o tempo novo da fraternidade, que prefigura a comunhão escatológica em plenitude. Além disso, coloca-se em evidência, como já assinalamos antes, o papel essencial dos discípulos de Jesus como mediadores do reino. Através daqueles que cremos no Senhor deveria chegar a todos os homens o pão que do bem estar material, que permite uma vida digna de filhos de Deus, o pão da esperança e da gratuidade do amor, e sobretudo, o pão da Palavra e da Eucaristia, sacramento da presença de Jesus e de seu amor misericordioso em favor de todos os homens.

Missionários Claretianos