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31 de jul de 2011

Jesus anda sobre as águas - Chiara Lubich



É noite. Os discípulos tentam atravessar o lago de Tiberíades. O barco é agitado pela tempestade e pelo vento contrário. Anteriormente já haviam enfrentado uma situação semelhante, mas o Mestre estava com eles no barco. Dessa vez, não: Ele tinha ficado em terra firme, estava no monte, a rezar.

Mas Jesus não os deixa sozinhos na tempestade. Desce do monte, vai ao encontro deles, caminhando sobre as águas, e os anima: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!". Seria realmente Ele ou apenas uma ilusão? Pedro, cheio de dúvida, pede-lhe uma prova: que também ele possa caminhar sobre as águas. Jesus o chama a si. Pedro sai do barco, mas o vento ameaçador o assusta e ele começa a afundar. Então Jesus o segura pela mão, dizendo-lhe:

 

"Homem fraco de fé, por que duvidaste?"

 

Também hoje Jesus continua dirigindo-nos estas palavras, toda vez que nos sentimos sós e incapazes nas tempestades que freqüentemente desabam sobre a nossa vida. São doenças ou graves situações familiares, violências, injustiças… que insinuam no coração a dúvida, quando não, até mesmo, a rebelião: "Por que Deus não vê isso? Por que não me escuta? Por que Ele não vem? Por que não intervém? Onde está aquele Deus Amor no qual acreditei? É apenas um fantasma, uma ilusão?".

 

Assim como aconteceu com os discípulos assustados e incrédulos, Jesus continua repetindo agora: "Coragem, sou eu! Não tenham medo". E assim como Ele desceu do monte daquela vez para estar perto deles nas suas dificuldades, da mesma forma hoje Ele, o Ressuscitado, continua entrando na nossa vida, caminhando ao nosso lado, fazendo-se companheiro. Jamais nos deixa sozinhos na provação: Ele está aí para compartilhá-la conosco. Mas, pode ser que não acreditemos suficientemente; por isso Ele nos repete:

 

"Homem fraco de fé, por que duvidaste?"

 

Estas palavras, além de serem uma censura, são um convite a reavivar a fé. Quando Jesus estava na terra conosco, prometeu-nos muitas coisas. Ele disse, por exemplo: "Pedi e recebereis…"; "Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e todo o resto virá por acréscimo"; a quem tiver deixado tudo por Ele será dado cem vezes mais nesta vida e como herança a vida eterna.

Podemos obter tudo, mas precisamos acreditar no amor de Deus. Para poder nos dar algo, Jesus pede que pelo menos reconheçamos que Deus nos ama.

Ao passo que muitas vezes nos afligimos como se tivéssemos de enfrentar a vida sozinhos, como se fôssemos órfãos, sem um Pai. Fazemos como Pedro, dando mais atenção às ondas agitadas que parecem nos engolir do que à presença de Jesus que logo nos segura pela mão.

Se ficarmos parados, analisando aquilo que nos faz sofrer, os problemas, as dificuldades, então afundaremos no medo, na angústia, no desencorajamento. Mas não estamos sós! Acreditamos que existe Alguém que cuida de nós. É Nele que devemos fixar o nosso olhar. Ele está perto de nós, mesmo quando não percebemos a sua presença. Precisamos acreditar Nele, confiar nele, confiar-nos a Ele.

Quando a fé passa por uma prova, lutamos, rezamos, do mesmo modo como Pedro, quando gritou: "Senhor, salva-me!", ou como os discípulos, numa outra situação semelhante: "Mestre, não te importa que estejamos perecendo?" Jesus nunca nos deixará faltar a sua ajuda. O seu amor é verdadeiro e Ele assume todos os nossos pesos.

 

"Homem fraco de fé, por que duvidaste?"

 

Também Jean Louis era um jovem "fraco de fé". Apesar de ser cristão, ele duvidava da existência de Deus, ao contrário dos outros membros da família. Vivia bem longe dos pais, em Man, na Costa do Marfim, com os irmãos menores.

Quando a cidade foi tomada por rebeldes, quatro deles entraram na sua casa, saquearam tudo e quiseram recrutar à força o jovem, devido ao seu aspecto atlético. Os irmãos menores suplicavam que o soltassem, mas em vão.

Quando já estavam para sair com Jean Louis, o chefe do grupo mudou de idéia e decidiu deixá-lo. Depois sussurrou para a maiorzinha das irmãs: "Vão embora o quanto antes, porque amanhã nós vamos voltar…". E indicou a direção que eles deveriam tomar.

Seria o caminho certo? Não seria uma armadilha?, perguntaram-se os adolescentes.

Partiram logo ao amanhecer, sem um tostão no bolso, porém com uma migalha de fé. Caminharam por 45 quilômetros. Encontram alguém que lhes pagou uma passagem de caminhão para chegarem até a casa de seus pais. Pelo caminho, foram acolhidos por pessoas desconhecidas que também lhes deram de comer. Nos postos de controle e ao atravessar a fronteira, ninguém lhes pediu documentos, até que finalmente chegaram em casa.

A mãe conta: "Não estavam em boas condições, mas se sentiam arrebatados pelo amor de Deus!".

A primeira coisa que Jean Louis fez, foi perguntar onde havia uma Igreja. E disse: "Papai, o teu Deus é realmente forte!"

 

 

A lâmpada é acendida para ser colocada sobre o candeeiro - Vera Lúcia


19 de setembro

Neste Evangelho, Jesus nos lembra que no batismo recebemos a sua luz, e devemos continuar a sua missão, iluminando o mundo. "Não temas as trevas, se trazes dentro de ti a luz".

Candeeiro é uma espécie de cabide na parede interna da casa, onde se pendurava a candeia, cujo pavio, untado com azeite, mantinha a chama acesa. Quanto mais alto estava o candeeiro, melhor iluminava a casa. Temos a missão de ser luz do mundo. "Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro?"

Colocamos a nossa luz debaixo do caixote quando escondemos a nossa fé católica, ou damos mau exemplo.

As pessoas só são plenamente felizes quando são iluminadas pela verdadeira luz de Cristo, presente na sua Igreja, que é una, santa, católica e apostólica. Faça uma experiência: amarre um pano nos olhos e tente caminhar... É horrível! A gente se sente inseguro e tem medo de andar. O mesmo acontece com uma pessoa que anda longe do Caminho, da Verdade e da Vida.

A Comunidade cristã é como o arco-íris: Cada membro dela irradia a luz de Cristo com um matiz diferente.

"Prestai atenção no que ouvis." Em outras palavras: vocês perdem seu tempo se me escutam e param aí, sem deixar que minhas palavras dêem fruto.

Em seguida, no Evangelho de hoje, Jesus fala: "Com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem". Quer dizer: se começarmos a fazer algo bom, receberemos de Deus novas forças e conhecimentos. Mas se não fazemos nada, nossas crenças religiosas não servirão para nada.

Quem acolhe a Boa Nova, aprende a ver e agir de acordo com a visão e a ação de Jesus. Essa compreensão e essa ação vão aumentando à medida que se age. Quem não age, perde até mesmo a pouca compreensão que já tem.

Certa vez, um andarilho estava dormindo na frente de uma banca de jornal, debaixo da marquise. Quando o dono da banca chegou, de madrugada, acordou-o, para abrir a porta, e o convidou para irem juntos ao bar ao lado tomar um café. Em seguida o convidou para irem juntos à redação do jornal, a fim de trazer exemplares. O jornaleiro nem percebeu que se tratava de um jovem de pouco mais de vinte e cinco anos.

Como o mendigo ficou por ali, na hora do almoço o jornaleiro pediu que ele ficasse na banca, enquanto ele ia almoçar, que na volta lhe traria um prato.

Resumindo, esse jovem, ex-andarilho, de tanto ir ao jornal, acabou arrumando um emprego lá. Como era inteligente, tinha estudo e boa comunicação, passou a fazer parte da equipe de pesquisa do jornal. Viajava pelos bairros e outras cidades, junto com os mais experientes, fazendo entrevistas.

Um dia, ele pediu ao seu chefe licença para fazer uma entrevista numa cidade vizinha. Pegou o carro que ele usava, que tinha a tarjeta do jornal, e foi. Antes, porém, alugou uma roupa de palhaço e a vestiu.

Ao chegar à cidade, foi direto a uma residência. Como era sábado, a família estava em casa.

Apertou a campainha, veio um rapaz, ele se apresentou como da equipe de entrevistas do jornal, explicou que usava roupa de palhaço para a família se sentir mais a vontade, e pediu licença para fazer uma entrevista com a família. O rapaz que o recebeu, logo viu o carro oficial do jornal, acreditou e sentiu-se até honrado em dar a entrevista.

De início, o entrevistador pediu que, se possível, toda a família estivesse presente. O rapaz foi lá dentro, chamou e logo vieram.

Ele pegou uma plancheta, com papel oficial do jornal, e fez a primeira pergunta: "Quantos filhos tem o casal?" O rapaz respondeu: "Cinco".

"Você é o mais velho?" perguntou o entrevistador. "Não" – disse o moço – temos um irmão mais velho, mas ele não prestava e faz cinco anos que sumiu. Deve ter morrido".

O entrevistador se interessou pelo caso e disse: "Ah! É? Como que era esse irmão?"

O pai tomou a palavra e falou: "Aquele moleque era um marginal; vivia em más companhias fazendo coisas erradas. Ele era a vergonha da nossa família. Eu proibi até meus filhos de conversar com ele. Um dia ele foi preso; passou uma semana na cadeia. Quando voltou, nós o expulsamos. Tudo indica que já morreu".

Nisto, o garotinho disse: "Pai, o palhaço está chorando!" O menino caminhou até o palhaço e o abraçou.

O "palhaço" não agüentou mais. Tirou a máscara e disse: "Pai, eu não morri não. Estou aqui!" Claro que naquela sala só virou choradeira.

Temos aí um exemplo claro, por parte do pai e da família, de não ser luz; e por parte do filho-palhaço, o exemplo contrário de como tornar-se luz.

Maria Santíssima é somente luz. Peçamos a ela que nos ajude a sermos luz cada vez mais brilhante e a produzirmos bons frutos de fé e de testemunho.

A lâmpada é acendida para ser colocada sobre o candeeiro.

 

O socorro de Jesus sempre nos chega a tempo, precisamos estar confiantes de que Sua ajuda é certa – Maria Regina



                                     O Evangelho nos conta que após o milagre da multiplicação dos pães "Jesus mandou que seus discípulos entrassem na barca seguissem à frente para o outro lado do mar". Jesus deixou que eles continuassem sós, no mar aberto e subiu ao monte para orar, porém de longe os avistava. Quando já era noite e o vento lhes era contrário, Ele se aproximou dos discípulos andando sobre as águas. Jesus atravessou o mar caminhando sobre as águas para salvá-los, mas eles ainda não estavam acostumados com as manifestações de Jesus e, por isso, tiveram medo. Na nossa caminhada com Jesus também acontece mais ou menos assim. Quando temos um encontro com Jesus e a Sua salvação nós permanecemos sempre juntos Dele, testemunhamos as graças e os prodígios que Ele realiza e nos extasiamos diante da Sua presença real na nossa vida.

                               Há, porém, um momento em que Jesus nos dá a liberdade para ir em frente com os nossos propósitos de vida, e, Ele mesmo nos motiva a seguir adiante, para que enfrentemos as intempéries da nossa caminhada. A nossa maturidade espiritual é que irá dimensionar a nossa fé e nos dar a certeza de que Jesus está atento aos nossos movimentos e conhece o caminho que nós estamos percorrendo. Por isso, a qualquer momento poderá Ele manifestar- se e, quando estivermos correndo perigo, também virá ao nosso encontro como aconteceu com os discípulos. O Seu socorro sempre nos chega a tempo, por isso, precisamos estar confiantes de que a Sua ajuda é certa e, mesmo que demore e a noite se aproxime não precisamos temer nem tampouco confundi-Lo com os fantasmas quando Ele se aproximar de nós.

                               Jesus também vem por cima das ondas que nos assustam no meio das tempestades que caem sobre a nossa vida e agita o nosso barco. Por isso, precisamos estar vigilantes a qualquer investida de Jesus para logo pedir o Seu amparo a fim de que a borrasca não assole a barca da nossa vida. Jesus não quer que O retenhamos somente para nós e nos manda mar a fora a fim de anunciá-Lo a outros povos. No entanto, quando aparecer Ele espera que corramos ao Seu encontro por sobre as dificuldades da nossa caminhada, pois assim, nos ajudará a vencê-las e participaremos com Ele da vitória final! Reflitamos: – Em quem você tem confiado para seguir em frente nos seus projetos de vida? – Como você tem atravessado o mar da sua vida? – Você se sente sozinho  ou sabe que Jesus está atento aos seus movimentos? – Você tem tido medo de Deus? Por que? – Pedro fez a experiência de ir ao encontro de Jesus sobre as águas Como isto poderia acontecer com você?

Amém

Abraço carinhoso

Maria Regina

Transfiguração – Vera Lúcia

Sábado  06/08/2011

Mt 17,1-9


Esta maravilhosa cena da transfiguração nos mostra como Jesus está lá no céu. Também Maria Santíssima e os santos. E mostra ainda como nós estaremos lá no céu.

Somos chamados a ir, aos poucos, vencendo o pecado, que nos desfigura, e ir nos transfigurando através das virtudes e das boas obras.

Moisés e Elias representam o Antigo Testamento: A Lei (Moisés) e os profetas (Elias).

Pedro disse: "Senhor, é bom estarmos aqui..." De fato, ali houve uma pequena antecipação do céu. Mas os discípulos ainda tinham uma grande missão a cumprir na terra. São os transfiguradores do mundo.

Uma nuvem luminosa os cobriu. É aquela mesma nuvem que aparece várias vezes na Bíblia. Ela indica a presença da divindade e, ao mesmo tempo, oculta o mistério de Deus. É assim que acontece conosco; o normal aqui na terra é a vida na nuvem.

Este é o meu Filho amado. Jesus estava sofrendo fortes críticas e humilhações. Os próprios discípulos, influenciados pelas autoridades, estavam meio abalados e confusos, a respeito de Jesus. Do jeito que as coisas iam, quando chegasse o momento da condenação, não ia sobrar ninguém do lado dele.

Então a transfiguração veio confirmar a autoridade de Jesus. Ele perdeu toda aquela aparência de fraqueza e de limitação, e se mostrou direitinho conforme a expectativa que o povo tinha do Messias: Um rei glorioso e cercado de glória.

E o apoio que ele recebeu foi pesado. Veio de Deus Pai e dos dois principais líderes do Antigo Testamento: Moisés e Elias.

Este recado vale também para nós, pois a Igreja Católica é Jesus continuado hoje no nosso meio. Precisamos acreditar nela. Por exemplo, agora, envolvendo-nos na Campanha da Fraternidade.

"Escutai-o." Deus Pai quis dizer aos discípulos (nós) que tudo o que ele havia falado no Antigo Testamento, agora é substituído pela palavra de Jesus. O que vale, de agora em diante, é o que Jesus fala, e ponto final.

Os discípulos ficaram muito assustados. A manifestação da divindade nos assusta. Foi por isso que Jesus não se transfigurou diante de todos os Apóstolos. Infelizmente nós não sabemos relacionar-nos com Deus, o que devia ser natural. Vivemos sozinhos e, quando Deus se manifesta, ficamos assustados.

A Campanha da Fraternidade que estamos fazendo, pela defesa da vida, tem com lema: Escolhe, pois, a vida.

Queremos amparar e transfigurar a vida humana, desde a sua concepção até a morte natural, e acolher com amor e solidariedade a vida ameaçada.

Leonardo Da Vinci demorou quase um ano para pintar esse quadro tão bonito e conhecido nosso, a Última Ceia. A primeira pessoa que ele pintou foi o Cristo.

Vários meses depois, faltava apenas um Apóstolo: Judas Iscariotes, o traidor de Jesus.

Leonardo saiu pelas ruas de Roma, a procura de alguém parecido com Judas, para que pudesse copiá-lo na tela.

Encontrou um jovem e o contratou.

Após o serviço, o jovem começou a chorar. Da Vinci perguntou-lhe por quê. Ele respondeu:

"O Cristo que está aí na tela sou eu também! O senhor não está me reconhecendo, porque naquela época eu havia acabado de mudar-me do interior aqui para Roma, e a minha vida era correta! Mas infelizmente eu caí..."

O rapaz abaixou a cabeça e continuou chorando. Da Vinci o abraçou e o convidou a mudar de vida, voltando ao que era.

O pecado nos desfigura. Ele é capaz de, em apenas um ano, transformar um bom cristão em um Judas Iscariotes. Mas Jesus é maravilhoso, e deixou-nos meios de nos levantarmos e readquirir a inocência batismal. Tanto, que podemos até cantar depois: "Ó feliz culpa, que mereceu tão grande Salvador" (Primeiro cântico da Missa da Vigília Pascal).

Maria Santíssima nunca foi desfigurada pelo pecado. E ela é, depois de Jesus, a maior agente de transfiguração do mundo. Que ela nos ajude a nos transfigurarmos e a sermos agentes de transfiguração.

Este é o meu Filho amado; escutai-o!

 V era Lúcia

 

Que poderá alguém dar em troca de sua vida?- Padre Queiroz


Sexta-feira  05/08/2011

Mt 16,24-28


Neste Evangelho, Jesus é claro com aqueles e aquelas que querem segui-lo: devem renunciar a si mesmos e aceitar a cruz. Pois perder a vida por causa dele é ganhá-la, e a vida vale mais que o mundo inteiro. "Que poderá alguém dar a você em troca de sua vida?" Resposta subentendida: nada! Nenhum valor do mundo supera para nós o valor da vida. E, para salvar a vida futura, é bom lembrar que Cristo "retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta".

O certo é que Jesus nos pede uma adesão incondicional a ele, até ao ponto de renunciar a própria vida terrena, a fim de salvarmos a vida futura. É interessante o jogo de palavras com os dois sentidos da palavra vida: quem renuncia a vida (corporal) ganha a vida (eterna). Sacrificando a nossa vida terrena, nós nos incorporamos a Cristo, em sua morte e ressurreição e participamos da glória com ele.

Há um claro contraste entre esta mensagem e a mentalidade do mundo atual, que preconiza o gozo da vida ao máximo, sem limitações à liberdade nem restrições ao capricho.

Entretanto, Jesus não diz que é preciso renunciar ou desprezar esta vida para ganhar a outra. Ele não coloca a vida atual e a futura como opostas. Apenas diz que esta vida está subordinada à outra. Colocar este vida em primeiro lugar é deixar à margem o Evangelho e o amor a Deus e ao próximo.

Devido ao pecado original, cujas raízes subsistem em nós, precisamos de uma constante ascese, isto é, de um treino e domínio do nosso corpo, inclinado ao prazer como fim último.

Deus não quis o sofrimento do seu Filho e igualmente não se deleita com o nosso sofrer. Ele não quer a dor e a morte, e sim a vida e a felicidade de seus filhos e filhas.

Jesus nunca sugeriu ou ordenou algo que ele não cumprisse primeiro. Ele nos precedeu com o seu exemplo, praticando tudo o que pede de nós. O que ele queria era instalar na terra o Reino de Deus, que é um projeto de verdade, de justiça, santidade, amor e paz. E nessa implantação ele só usou os meios que estão dentro dos valores acima.

Jesus adiantou-se na entrega da vida para ganhá-la. Tudo o que ele nos pede, ele foi à frente, com o seu sim incondicional à vontade do Pai. Assim, Cristo é o modelo do seguir, para todos os que querem ser seus discípulos e discípulas.

Nenhum fundador de religião apresenta, logo de início, as dificuldades que os discípulos encontrarão, como fez Jesus. E ele foi mais longe: não quer pessoas que fiquem no meio do caminho. Para ele, é ou tudo ou nada. Conclusão: para nós não há outro jeito senão enfrentar as cruzes que aparecem em nosso caminho de cristãos. E Jesus promete a vida para quem o seguir, e o faz com competência, pois Deus Pai colocou tudo em suas mãos.

Fica claro, portanto: seguir a Jesus é a coisa melhor do mundo. Mas não é sopa. Os fracos e indecisos vão espirrando de lado, apresentando para isso as mais diversas desculpas.

Certa vez, dois homens estavam viajando de trem, numa cabine para duas pessoas. Um era forte e o outro era franzino. Eles não se conheciam. Como a viagem era longa, começaram a conversar. A certa altura, o mais franzino começou a falar mal da Igreja. Criticava os padres, as irmãs, os leigos com participação mais ativa, tudo. Lá pelas tantas, o outro, que era um líder de Comunidade, disse a ele:

"Olhe, meu amigo, pare de falar mal da minha Igreja, porque, se não fosse a minha fé, eu podia agarrar você agora, tomar toda essa fortuna que você tem aí, depois amordaçá-lo, amarrá-lo aqui e descer tranqüilo na próxima estação, que ninguém descobriria."

O franzino falou: "Eu não tenho dinheiro". "Tem sim", disse o outro, "eu vi quando você foi ao banco e sacou o dinheiro. Só não faço isso por causa da minha fé. Por isso quero que você a respeite". O outro não teve outra saída a não ser pedir desculpas e mudar de assunto.

Ser discípulo de Jesus inclui não praticar crimes, como o roubo, e respeitar a vida do próximo, pois a vida futura é mais importante que esta. O Profeta Simeão disse para Maria Santíssima: "Uma espada de dor transpassará o teu coração". Ela não procurou essa espada, mas também não fugiu dela. Subiu o Calvário para apoiar o Filho que morria injustamente. Que ela nos ajude a assumir com amor as cruzes que nos aparecerem, em decorrência do nosso seguimento de Cristo.

Que poderá alguém dar em troca de sua vida?

 

Padre Queiroz

Quem é Jesus?-Alexandre Soledade


Quinta-feira  04/08/2011

Mt 16,13-23

 

Bom dia!

Fico a imaginar o quanto Pedro ficou confuso após esse dialogo ou conjunto de diálogos. Independentemente se logo de imediato ou um pouco após a sua "elevação", se assim posso dizer, de Pedro, Jesus o repreende severamente para que não se oponha ao plano divino de redenção.

É claro e evidente que Pedro não queria impedir ou determinar o que Jesus deveria ou não fazer, mas que ele, Pedro, deixava nítido seu apego emocional a pessoa de Jesus por um sentimento que conhecemos bem. Vou explicar

É sabido que Pedro era um dos mais velhos (ou o mais velho deles), que seu jeito turrão de ser, como outras tantas pessoas que conhecemos, não se moldaria a um novo jeito se não fosse encantador ou valesse muito a pena. Suas palavras revelam um profundo desejo que o mestre não o deixe. Mais que um ato "egoísta" ou petulante, Pedro deixa escapar que na verdade tem medo. Jesus chamava na verdade a sua atenção para isso. "(…) Saia da minha frente, Satanás! Você é como uma pedra no meu caminho para fazer com que eu tropece, pois está pensando como um ser humano pensa e não como Deus pensa".

Foi o medo que o fez afundar na tentativa de andar sobre aas águas; por medo que negou Jesus três vezes, por medo também, após a crucificação, se escondeu no cenáculo com os demais (…). Temos muito de Pedro, mas se resolvermos, como ele, ligar algo na terra, também com certeza, será ligado no céu.

Nós ligarmos? Sim! Nosso Senhor conhece bem a quem escolheu. Você, eu, ele, (…), conhece cada uma das nossas limitações e fraquezas, mas conhece também o que cada um pode fazer se, apesar das fraquezas, resolver continuar a acreditar que tudo é possível.

"(…) Deus conhece o caminho para encontrá-la, é ele quem sabe o seu lugar, porque ele vê até os confins da terra, e enxerga tudo o que há debaixo do céu". (Jó 28, 23-24)

Ontem na reflexão quando grifei "surpreendido", referindo-me a fé da mulher que não desistia de segui-lo, e que mesmo com todos os contras queria dizer o quanto Jesus ficara feliz de encontrar pelo menos uma que valha a salvação de todos nós.

Diferentemente de Pedro, a jovem ou mulher o evangelho de ontem, não tinha medo, pois o motivo do seu empenho valia qualquer que fosse o esforço ou constrangimento imposto. Como não associar então a fé daquela moça ao evangelho de hoje? "(…) Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu; o que você proibir na terra será proibido no céu, e O QUE PERMITIR NA TERRA SERÁ PERMITIDO NO CÉU". Ela quis tocar o Senhor com sua fé e teve seu pedido acatado!

Outro ponto importante…

Pedro é um dos pilares da nossa igreja e sob seu testemunho de vida e de fé também celebramos. Caminhado para o dia dos pais, como não convocar aos pais a assumirem novamente a posição de pilar de sua família? Quantos pais, por medo de crescer, pavor da responsabilidade e receio do fracasso tornaram-se "melhores amigos" dos seus filhos esquecendo que primeiramente devem ser pais?

Pai é também aquele que por seus filhos tenta andar sobre as águas e arrisca também a falhar; é aquele que clama a Deus que os guarde de todo mal, na esperança que isso também seja ligado no céu; é aquele que não omite seus medos nem suas falhas; aquele que após negar "troscentas" vezes, cai na real e volta a acreditar que Deus tem um plano traçado para sua vida na vida de outras pessoas que ele o confiou.

Um imenso abraço fraterno!

 

Mulher, grande é a tua fé! - Padre Queiroz


Quarta-feira  03/08/2011

Mt 15,21-28

 

Este Evangelho narra a cena de uma mulher pagã que pede a Jesus a cura de sua filha. De início, Jesus recusa, dizendo que foi enviado para as ovelhas perdidas da casa de Israel. E ele fala uma frase que, à primeira vista, parece dura, mas era um dito popular: "Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos".

Entretanto, a mulher não se deu por vencida e respondeu de forma criativa. "É verdade, Senhor, mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!" Diante dessa resposta, Jesus lhe disse: "Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!" E desde aquele momento sua filha ficou curada.

Ter fé é vencer os obstáculos, venham de onde vierem, até da parte de Deus. Exemplos de obstáculos que podem chocar-se com a nossa fé: Aparente recusa de Deus em nos atender, como o caso de uma pessoa doença que reza e, em vez de sarar, fica ainda pior fisicamente. Claro que a cura de Deus é mais para o doente, não tanto para a doença. Mas a pessoa pode não conhecer essa distinção e pensar que Deus não lhe está atendendo.

Jó (Cf seu livro, na Bíblia) é um exemplo nesse ponto, pois, mesmo não sendo atendido, persistiu na oração, na fé e na esperança.

A nossa fé não fica parada. Ela é como uma planta: ou cresce ou morre. E ela cresce na direção da fidelidade, isto é, da firmeza diante dos obstáculos.

Aquela mulher era pagã, não pertencia à descendência de Abraão, que era o povo eleito. Entretanto, ela tinha uma fé correta e bonita. Pagãos, para nós, são os não batizados. É uma situação cuja superação é aberta a todos e é facílima, basta receber o batismo. Já ser pagão no tempo de Jesus era um estigma indelével, uma barreira intransponível, pois dependia da raça, da família em que nasceu, que ninguém pode mudar.

Sabemos que a primeira Aliança, feita com o povo hebreu, era provisória. Ela tinha o objetivo de preparar a vinda do Messias. Com a chegada de Jesus, ela caducou e passou a valer a nova e eterna Aliança, que Deus fez definitivamente com a humanidade toda, em Cristo. Esta não tem distinção de raça, é baseada na fé e na obediência aos mandamentos. Como disse S. Paulo: "Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus" (Gl 3,28).

Mas, apesar da primeira Aliança já ter caducado, Deus, na sua extrema fidelidade, quis que seu Filho, inicialmente, desse preferência ao povo de Israel. Entretanto, Jesus sempre acolhia bem os pagãos que o procuravam. Inclusive, várias vezes, elogiou a fé dos pagãos, como a do centurião romano: "Nunca encontrei tamanha fé em Israel".

Esta fato da mulher cananéia nos mostra a força que tem a oração perseverante e feita com fé. A oração é mais forte que as estruturas humanas, inclusive as religiosas. Pela oração, nós somos capazes de "transportar montanhas", como disse Jesus. Contra tudo e contra todos, devemos continuar pedindo a Deus as coisas, mesmo com a impressão de que ele virou as costas para nós; e argumentar com Deus, como fez a mulher: "Os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!"

A mesma mensagem vemos em algumas parábolas de Jesus, como a da viúva pedindo para o juiz a solução do seu caso judicial (Cf Lc 18,1-8), a do vizinho que, altas horas da noite, bate na porta do outro

pedindo pães (Cf Lc 11,5-8)...

Havia, certa vez, um pequeno lago que tinha muitos peixes. Por isso faltava comida para eles. Viviam magros e famintos. Um peixinho não se conformou com a situação e queria sair dali. Como havia uma pequena corrente de água que saía do lago, ele arriscou e entrou nessa corrente. Para surpresa sua, chegou a um grande lago, onde havia comida à vontade, pois os peixes ali eram poucos. Que delícia! O peixinho estava exultante de alegria. Quanto espaço para nadar! Isso que é vida! Mas logo se lembrou dos colegas e ficou com dó. Decidiu: Quando der uma chuva grande e aumentar a água dessa corrente, voltarei lá para convidá-los. Assim ele fez. Após uma chuva, com grande esforço e destreza, subiu pela corrente de água e voltou ao pequeno lago onde nascera e vivera. Foi logo contando para os colegas a sua descoberta. Entretanto, teve uma surpresa: ninguém acreditou! Triste, voltou para o lago da fartura que havia descoberto. Dias depois, alguns peixes mais jovens, da sua turminha antiga apareceram. E começou um intercâmbio, que mudou a vida dos peixes dos dois lagos.

Ter fé é ter coragem. Não podemos ficar acomodados ou desanimados, como aquele homem da mão seca que estava marginalizado, em um cantinho da sinagoga (Cf Mc 3,1-5). "Levanta-te e fica de pé no meio", disse-lhe Jesus. Precisamos arriscar um pouco e enfrentar a correnteza. A vida é bela e cheia da fartura das bênçãos de Deus!

Peçamos a Maria Santíssima: "Ensina teu povo a rezar, Maria Mãe de Jesus, que um dia teu povo desperta e na certa vai ver a luz!"

Mulher, grande é a tua fé!

 

Padre Queiroz

 

O poder da sua boca – Jailson Ferreira

Terça-feira  02/08/2011

Mt 15,1-2.10-14


No Evangelho de hoje, Jesus diz a seguinte frase: "11Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isso é que torna o homem impuro." Essa é a mensagem principal do Evangelho de hoje, a qual nós vamos refletir baseados em dois provérbios populares:

"O que não mata, engorda."

Esse é um ditado popular bem nordestino, que se usa quando alguém vai comer algo que não está limpo ou que não tem boa aparência. Por exemplo, quando uma comida cai no chão, a pessoa pega, tira a poeira mais "grossa", diz o ditado, enfia na boca e come. Claro que muita gente fica olhando com repugnância, mas tem mães que dizem que o filho está forte "porque não tem frescura com comida!"

Poderíamos ultrapassar o significado desse provérbio da seguinte forma: imagine que essa "comida suja" é o problema pelo qual você está passando hoje, na sua vida. É algo que você não queria, mas tem que comer, tem que digerir. E você sabe que a digestão não é fácil, pois o problema exige que você se esforce e saia da sua rotina. Da mesma forma da comida suja, que ao chegar ao seu sistema digestivo, exigirá um esforço extra para ser processado, você também terá que fazer um esforço extra para superar a dificuldade. Talvez você até adoeça por causa da comida, assim como o seu problema pode fazer você "adoecer seu coração", ficar triste... Mas é depois que o seu organismo elimina todas as toxinas, que ele se torna mais forte do que antes. Da mesma forma que após superar o seu problema, você amadurece e se torna mais experiente!

O segundo provérbio da reflexão é:

 

"A boca só fala o que o coração está cheio."

Por esse ditado, quando saem coisas impuras de uma boca, é porque o próprio coração já está impuro... Palavrões, obscenidades, lamúrias, fofocas, intrigas, gritos, grosserias, xingamentos... só podem sair de um coração machucado, ferido, necessitado de cura. Eram assim, com corações feridos que os fariseus guiavam o povo judeu, na época de Jesus. Eram como cegos guiando outros cegos. Não pense que essa realidade está distante de nós, pois a maioria da população brasileira e mundial, hoje, é guiada pelos "cegos" que fazem a programação televisiva que invade nossos lares. E sabe qual a repercussão que tem isso? "...ambos irão cair no buraco." Ô, meu irmão, minha irmã, não estou querendo dizer que você não deve assistir televisão... esse foi apenas um exemplo! De que adiantaria não assistir mais televisão, e continuar acreditando nas baboseiras dos horóscopos, dos centros espíritas, dos "amigos de farra"... Mais importante do que tudo isso é você ter senso crítico! Escute a voz do seu coração dizendo o que é certo e o que é errado... Procure a companhia de pessoas que te façam crescer, e seja uma pessoa assim para os que te rodeiam... Diga palavras positivas, de incentivo! Deus estará falando através de você, abençoando seu marido, sua esposa, seus filhos, seus pais, seus parentes, amigos e até os inimigos... Lembre-se da mensagem de hoje: "A boca fala o que o coração está cheio."

 

 

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Senhor, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água - Padre Queiroz



Este Evangelho narra a belíssima cena de Pedro caminhando sobre as águas, ao encontro de Jesus. E narra também a chegada deles a Genesaré, onde os doentes vinham e apenas tocavam na barra da veste de Jesus e ficavam curados.

O texto começa descrevendo o que aconteceu logo após a multiplicação dos pães: "Depois que a multidão comera até saciar-se, Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar". Nós precisamos atravessar o mar da vida e ir para o outro lado, isto é, para uma mudança de nós mesmos e da sociedade ao nosso redor, rumo ao Reino de Deus.

"Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós." Precisamos rezar, conversar com Deus, sozinhos, em família e em Comunidade. Para isso, precisamos "despedir as multidões", isto é, fazer uma ruptura com o nosso ativismo, interrompendo os trabalhos, os quais não acabam nunca.

"A barca, já longe da praia, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário." O vento forte e o mar agitado simbolizam as dificuldades que o mundo e a vida nos oferecem. A noite escura são as nossas limitações pessoais. A nossa vida na terra é semelhante aos discípulos na barca, atravessando o mar revolto.

Muitos querem ficar na terra firme da praia. Estes estão mais seguros. Entretanto, eles não atravessam o mar, rumo a uma vida nova e a um mundo novo, ao Reino de Deus. É difícil a travessia, porque o vento muitas vezes é contrário e surgem tempestades, mas Jesus tem poder sobre a natureza, e nós também, pela fé, podemos ter. Deus está acima das turbulências da vida. Ele é o Senhor de tudo.

"Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar." Deus está acima das turbulências da vida, e Ele não nos abandona; a noite passa e o dia aparece.

"Os discípulos disseram: É um fantasma. E gritaram de medo." Deus está sempre junto conosco, mas a falta de discernimento nos leva a confundi-lo com fantasmas. Quanta gente se afunda, sem recorrer a Deus que está ao seu lado!

"Jesus, porém, logo lhes disse: Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" A frase é dirigida também a nós, discípulos e discípulas de hoje.

"Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus". Todos nós, neste mundo, estamos na mesma situação de Pedro. No dia do batismo, pulamos na água, ao encontro de Cristo. É uma caminhada arriscada, que exige de nós desinstalação. O nosso testemunho começa a mexer na sociedade, e vêm as perseguições (vento, ondas). Como Pedro, sentimo-nos sozinhos, longe de Jesus e da barca, e sem corrimão. Perdemos os apoios humanos – dinheiro, autoridade, amigos, saúde... – e ficamos confusos. Nesta hora, se nos falta a fé, começamos a afundar, ou apelamos para falsos corrimões: dinheiro, bebida, vícios.... Quantos se desviam da caminhada cristã! O povo hebreu construiu o bezerro de ouro no deserto por esse motivo.

É a hora da oração. "Senhor, salva-me! Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: homem fraco na fé, por que duvidaste?" O nosso corrimão na caminhada da vida é a oração, porque, se pedimos, Deus vem com certeza, e com ele tudo se torna fácil.

Jesus deixou todos os recursos à nossa disposição, a fim de nos lançarmos com coragem no mar. Não podemos ficar eternamente na praia, "vendo a banda passar", pois o fermento foi feito para ser misturado na massa, o sal para ser misturado na comida e a luz para ser colocada num lugar alto, onde não existe luz.

Humanamente é arriscado, mas a nossa segurança está em Deus que tudo pode. Na Bíblia, ter fé é sinônimo de ter coragem; e medo é sinônimo de falta de fé.

"Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!" Valeu a lição. É vendo a presença de Deus em nossa vida que vamos crescendo na fé. O mesmo Pedro que cometeu tantas fraquezas na fé, morreu mártir por Cristo!

Aqueles cristãos e aquelas cristãs que dedicam umas horas do fim de semana ao trabalho na Comunidade, por exemplo, como vicentinos, legião de Maria, apostolado da oração, pastoral da criança, pastoral da juventude, equipe de liturgia..., estão se atirando no mar.

Também aqueles e aquelas que se envolvem na política, porque "a política é a ferramenta mais poderosa de transformação social" (Papa Paulo VI), e nós queremos uma sociedade transformada, renovada. Este mar, o da política, é revolto, mas Cristo nos chama para entrar nele também. Ficar na praia é que não podemos.

O que faz a diferença entre o cristão medroso e o cristão que se atira no mar é o tamanho da fé que ele ou ela tem.

Na nossa caminhada de cristãos, Deus vai aos poucos tirando os nossos corrimões, para que confiemos mais nele e peçamos a sua ajuda. Somos chamados a seguir Jesus, aplicando a fé na realidade e colocando-nos do lado dos necessitados. Se fizermos assim, e começarmos a afundar, Cristo com certeza atenderá a nossa oração e estenderá a mão.

Hoje celebramos a festa de S. João Maria Vianei, o padroeiro dos sacerdotes. Ele era francês e faleceu dia 04/08/1859, portanto, há exatamente 150 anos. Por isso estamos no Ano Sacerdotal.

João Vianei era da roça, de uma família profundamente católica. Sua inteligência era tão curta que ele não conseguia nem acompanhar os estudos numa sala de aula. Devido à sua santidade e ao seu desejo de ser padre, o pároco o acolheu na casa paroquial e lhe ensinou o principal dos estudos humanos e teológicos. Foi ordenado sacerdote e nomeado pároco de uma pequena cidade, chamada Ars. A cidade foi totalmente transformada após a chegada do Pe. João Vianei. Aquele povo, antes violento, cheio de vícios e afastado da Igreja, transformou-se em uma Comunidade santa. Gente de longe ia até Ars, a fim de se confessar ou pedir orientação ao Pe. Vianei. Ele estava sempre disponível para substituir os párocos vizinhos, quando precisavam viajar ou descansar. Pe. João faleceu com 73 anos de idade, logo após terminar de rezar com o povo o terço das onze horas.

Maria Santíssima e S. João Maria Vianei enfrentaram com coragem a travessia do mar de suas vidas, baseados na fé e no amor. Peçamos a eles que nos ajudem.

Senhor, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.

 

Padre Queiroz