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31 de mai. de 2010

Ele não é Deus de mortos, mas de vivos!

02 DE JUNHO

Evangelho: Marcos 12, 18-27

Como no evangelho de ontem, Jesus se vê enfrentando um grupo judaico que trata de desacreditar seus ensinamentos. Os saduceus que não crêem na ressurreição colocam Jesus em uma situação difícil. Os judeus estavam obrigados pela lei a tomar como esposa a mulher de seu irmão quando este falecia sem deixar descendência. Usando esta norma, os saduceus fazem uma pergunta mal intencionada a Jesus. Novamente ele ensina e ao mesmo tempo transmite uma boa nova.

Por uma parte afirma que “Deus não é um Deus dos mortos”, e por outro que a nova vida não é continuar atado às leis humanas. Os saduceus estão equivocados por não entender as escrituras, talvez não tivessem disposição para descobrir nela a mensagem de Deus. É um risco que também nós corremos: continuar com nossos preconceitos e paradigmas e não deixarmos nos iluminar pela escritura.

Os saduceus tampouco conhecem o poder de Deus, quantas vezes nós só confiamos em nossas forças, conhecimento e instinto, que nas promessas e no poder de Deus? Se confiamos e trabalhamos por fazer transformar em vida as promessas de Deus, podemos desde já começar a viver de nossa própria ressurreição.

Serviço Bíblico

Dai a César o que é de César

Evangelho: Marcos 12, 13-17
Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Nesta passagem, os fariseus e os partidários de Herodes confabulam para tentar Jesus e armam-lhe uma cilada. Jesus aproveita a oportunidade para dar uma lição. Ele nos convida a manter a integridade de nossa vida, quer dizer, não manejar um duplo estandarte. “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”, está nos dizendo para nos mantermos sempre fiéis a Deus, respeitando-o sempre, não somente no templo ou em momentos de oração, mas em toda a nossa vida.

As autoridades civis merecem o respeito e cooperação, sempre e quanto isto não signifique transgredir nossa adesão a Deus. Tampouco é lícito que por uma suposta lealdade a Deus esqueçamos nossas responsabilidades cotidianas. Devemos respeitar tanto a Deus como a autoridade, enquanto esta não pretenda tomar o lugar da primeira.

César se considerava a si mesmo como Filho de Deus e exigia de seus súditos a reverência e dedicação que se deve à divindade. Aqui a autoridade toma para si o lugar de Deus. Por isso devemos estar atentos a situações similares que ocorrem em nossos dias. É a constante tensão entre os valores do Reino de Deus e os desvalores das estruturas do mundo.

QUESTIONANDO UMA CRENÇA

A crença de que o Messias descenderia de Davi vinha de longa data. No início da monarquia, Deus prometera suscitar para Davi um descendente que o sucedesse no trono, de maneira a consolidar a realeza. A relação entre Deus e o monarca seria como a de pai e filho: "Eu serei para ele um pai, e ele será meu filho". O Senhor comprometia-se a garantir a estabilidade do trono real de Israel, a fim de que subsistisse para sempre.

O fim da monarquia deu lugar à crença de que, no final do tempos, Deus haveria de suscitar um descendente de Davi, para restaurar Israel. Esta esperança messiânica era muito viva no tempo de Jesus. Aliás, ele mesmo foi identificado como filho de Davi.
Contudo, Jesus olhava com reservas para esta antiga tradição, e a questionou servindo-se da citação de um salmo. Considerado do rei Davi, este salmo refere-se a alguém superior a seu autor: "Disse o Senhor ao meu Senhor". O Messias não seria um descendente de Davi, mas seu Senhor. Por conseguinte, deveria ser procurado fora da descendência davídica. Fixar-se na continuidade dinástica, ao longo dos tempos, poderia levar a identificações enganosas.
Relativizado o critério davídico, Jesus sugere aos ouvintes perguntar-se por uma outra identidade do Messias. Não seria ele o Filho de Deus?

Prece
Espírito do Messias Jesus, leva-me a compreender que o Pai realizou sua promessa, enviando-nos seu Filho como penhor de salvação.

( Pe. Jaldemir Vitório)

EUCARISTIA

ESTE É O MEU CORPO

A Eucaristia, instituída por Jesus durante a celebração da Páscoa com seus discípulos, foi colocada como um marco na vida da comunidade, de forma a não deixar cair no esquecimento os eventos de sua vida, morte e ressurreição. O Páscoa cristã, mediante a Eucaristia, seria perenizada na contínua memória da vida de Jesus. Esta memória iria convocar os discípulos para a imitação do Mestre, visando conformar a vida atual da comunidade cristã com a vida de Jesus.
O contexto pascal da ceia revestiu de simbolismo pascal os elementos da Eucaristia. O pão transformado em corpo de Cristo estaria, doravante, destinado a ser alimento da caminhada do novo povo de Deus, na sua longa marcha pelos desertos do mundo. O vinho transformado em sangue de Cristo sacramentalizaria a predileção e a proteção divinas de que era objeto a comunidade cristã, como acontecera com o antigo Israel. Os discípulos, reunidos em torno de Jesus, seriam a semente da humanidade nova, redimida pelo sangue do novo cordeiro. Eles estavam sendo convocados a ser, na história, um sinal de que Deus ama a humanidade e não cessa de manifestar, com gestos, este seu amor. O antigo líder, Moisés, estava sendo definitivamente substituído pelo Filho Jesus, na condução do verdadeiro Israel. A Eucaristia torna, pois, a vida da comunidade cristã um êxodo contínuo rumo à casa do Pai.

Prece
Senhor Jesus, possa a Eucaristia recordar-me sempre que pertenço ao povo redimido por ti e a caminho da casa do Pai.

( Pe. Jaldemir Vitório)

UMA GROSSERIA TEOLÓGICA

UMA GROSSERIA TEOLÓGICA

A pergunta que os saduceus fizeram a Jesus revelou uma grosseria teológica. Por não aceitarem a ressurreição, imaginaram poder confundi-lo com um casuísmo sem fundamento. Assim é que se deve entender a história da mulher que se casou, sucessivamente, com sete irmãos, e, por fim, ela própria morreu. De qual dos sete irmãos seria esposa para na ressurreição?
Jesus questionou a teologia subjacente à problemática assim apresentada. Ela supõe que Deus seja tão sem criatividade, a ponto de dever repetir, na vida eterna, o mesmo esquema da vida terrena, devendo resolver as aporias pendentes da presente vida.
Esta imagem de Deus foi posta sob suspeita. Por seu poder divino, a experiência da ressurreição consiste numa nova criação, cuja perfeição deve ser entendida a partir de novos parâmetros. As relações interpessoais não serão uma cópia do modo de vida terreno. Simbolicamente, Jesus afirma que os seres humanos ressuscitados "serão como anjos no céu", sem estarem sujeitos à contingência da morte, sem necessidade de reproduzir-se e assegurar descendência.
A dificuldade de os saduceus aceitarem a ressurreição dependia do esquema teológico que eles tinham. Por isto, incorriam em erro. O Deus de Jesus, no entanto, é bem diferente!
Prece
Espírito que ressuscita, alarga meus horizontes teológicos para que eu possa compreender a ressurreição como mistério de plenificação da vida.

( Pe. Jaldemir Vitório)