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9 de mar de 2012

Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei -- Missionários Claretianos




Domingo, 11 de março de 2012

3º Domingo da Quaresma

Santos do Dia: Alberta de Agen (virgem, mártir), Amúnia de São Milão (viúva, monja), Áurea de São Milão (virgem), Bento Crispo (bispo de Milão), Cândido, Piperião e seus vinte Companheiros (mártires de Alexandria), Constantino da Escócia (rei, mártir), Constantino de Cartago (mártir), Eulógio de Córdova (mártir), Eutímio de Sardes (bispo, mártir), Firmino de Fermo (abade), Firmino de Amiens (abade), Gorgônio e Firmino (mártires de Nicéia ou Antioquia), Pedro de Babuco (eremita), Sofrônio de Jerusalém (patriarca de Jerusalém), Teresa Margarida Redi (carmelita, virgem), Trofino e Talo (mártires de Laodicéia, na Síria), Vigílio de Auxérre (bispo, mártir), Vindiciano de Cambrai (bispo).

Primeira leitura: Êxodo 20, 1-17
A Lei foi dada por Moisés.
Salmo responsorial: 18, 8-11
Senhor, tens palavras de vida eterna.
Segunda leitura: 1Coríntios 1, 22-25
Pregamos Cristo crucificado, escândalo para os homens; mas parea os chamados, sabedoria de Deus.
Evangelho: João 2, 13-25
Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei.

Para o evangelho João, Jesus se manifesta como messias no começo de sua atividade pública e no contexto de uma festa de Páscoa em Jerusalém. João observa que sempre acontece alguma coisa importante na vida de Jesus durante as festas judaicas importantes. Isso o vemos ao longo de todo o evangelho, pois não há nenhum acontecimento fora deste marco.
João acaba “enquadrando” toda a atividades pública de Jesus no tempo religioso dos chamados “Judeus”. Ao organizar a narrativa em função de uma serie de festas judaicas, deixa entrever uma construção teológica e cultural rica, articulada e intencional. A páscoa judaica é mencionada por Jesus e seus discípulos por três vezes no evangelho de João. É evidente o simbolismo. Com Jesus irrompe uma nova Aliança (três sempre simboliza o nascimento de algo novo).
O tempo do Reino constrói uma nova festividade. O tempo das festas judaicas é contraposto por um tempo não usual e alternativo. O relato centra seu interesse na dialética entre a estrutura simbólica e temporal do judaísmo e uma estrutura nova alternativa que se quer afirmar e institucionalizar. O simbolismo da revelação messiânica de Jesus é sumamente ressaltado no confronto com o templo.
O relato precisa ser feito, afinal de contas trata-se da construção e da afirmação de uma nova identidade. O templo de Jerusalém é o centro das instituições e símbolo da glória e do poder da nação judaica (tanto para os residentes na Palestina como para os da Diáspora). O evangelho emprega um símbolo conhecido para indicar a apresentação messiânica de Jesus: o “chicote de cordas”.
Era proverbial a frase “o chicote do Messias” para indicar que o surgimento do reino, ou da era messiânica viria com violência. O uso do “chicote” não deixa a menor dúvida a respeito de sua identidade e do projeto que Jesus encarna: com o chicote Jesus expulsa os animais para o sacrifício. Sacrifícios, como ovelhas e bois, assim como seus potenciais compradores (somente os ricos podiam oferecer este tipo de gado em sacrifício) são colocados fora do horizonte do novo projeto messiânico e profético.
Ao expulsar os animais do templo, Jesus declara a invalidade do culto dos poderosos, do qual os sacrifícios constituíam o momento culminante. Jesus denuncia o culto que encobre a injustiça, e declara infame o culto que é uma injustiça. Por ser meio de exploração, por ser legitimação religiosa da injustiça e do crime Jesus expulsa tudo isso. Não propõe uma reforma do culto, mas a abolição do mesmo.
A expulsão dos bois tem a ver com a própria constituição da sociedade tributaria-monárquica. O primeiro rei de Israel foi constituído a partir do “grupo de camponeses proprietários de bois”. Não é de estranhar que a partir de então, latifundiários, bois e sacrifícios no templo estejam articulados em um só projeto e se correspondam ideológica e religiosamente.
Além disso, os deus Baal dos agricultores cananeus tinha a representação de um boi. A agricultura e o gado necessitam de seu próprio deus e seu próprio culto. Os latifundiários foram aliados importantes de Herodes para a consolidação de seu poder e este em retribuição manteve a opulência do templo.
Assim podemos entender por que o templo estava cheio de bois, se a ideologia religiosa dominante cujo centro simbólico estava ali, era a justificativa principal para o sistema social estratificado e centralizador na Palestina desde a Reforma de Josias.
A expulsão das ovelhas do templo tem também um rico significado simbólico. As ovelhas simbolizam o povo, fechado no recinto onde está condenado ao sacrifício. Os dirigentes exploram e assassinam o povo, verdadeira vítima do culto, sacrificam e destroem o rebanho, a cuja custa vivem. Jesus não se propõe reformar aquela instituição religiosa,, propósito certamente inútil, mas resgatar o povo dessa situação.
Todos os grupos judaicos esperavam o Reino. A agitação do primeiro século fez muitos pensarem que a hora estava próxima. Para os zelotes era a hora de pegar em armas contra a ocupação romana para instaurar o reino de Deus no qual o templo e seu pessoal já não estariam sujeitos a nenhum império.
Os saduceus não esperavam ativamente o Reino e se contentavam em manter o culto do templo com a ajuda das autoridades romanas. Outros grupos (essênios, e zelotes), estavam prontos para pegar em armas para defender o templo, porém se haviam retirado ao deserto à espera do momento oportuno (kairós), considerando que o templo estava em mãos ilegítimas.
Os fariseus também consideravam que a chegada do Reino dependia da expulsão do domínio estrangeiro e da restauração do templo. Contudo, não entraram a nenhuma guerrilha e se dedicaram à mais rigorosa observância da lei.
Diferentemente dos grupos anteriores, a atitude de Jesus e de sua Comunidade discipular é de firme oposição ao templo, o que aparece de uma maneira muito mais radical, não somente como rejeição de um culto dos poderosos, nas ações contra os cambistas de quem derruba as moedas e contra os vendedores de pombas a quem ordena tirar do lugar sua mercadoria.
Os cambistas representavam “o sistema financeiro” da época. Todos os homens judeus, maiores de 21 anos, eram obrigados a pagar um tributo anual ao templo. Uma infinidade de doações ou donativos em dinheiro iam parar no tesouro do templo.
Além disso, na antiguidade os templos, pela imunidade conferida a eles pelo seu caráter sagrado, eram o lugar eleito ou escolhido pelos devotos para depositar seus tesouros. O templo de Jerusalém chegou a ser um dos maiores bancos da antiguidade.
Os tributos e donativos não podiam ser efetuados em moedas que levassem e efígie imperial, considerada idolátrica pelos judeus. O templo cunhava sua própria moeda e os que iam pagar tinham que mudar suas moedas pelos do templo.
Os cambistas cobravam, naturalmente, sua comissão. Ao virar suas mesas e esparramar as moedas, Jesus estava atacando diretamente o tributo do templo e, com ele, o sistema econômico religioso dominante. O templo é para Jesus uma empresa que explora economicamente o povo.
De fato, o culto proporcionava enormes riquezas à cidade e aos comerciantes, sustentava a nobreza sacerdotal, o clero e os empregados. A ação de Jesus toca, portanto, um ponto nevrálgico: o sistema econômico e ideológico representado pelo templo em Israel.

A ação contra os vendedores de pombas é igualmente de enorme impacto ideológico. As pombas eram animais próprios para os sacrifícios de menor importância, pois com elas os pobres ofereciam seu culto a Deus.
Contudo, o fato que seus vendedores tenham sido os únicos a quem Jesus se dirige e os responsabiliza pela corrupção do templo, deixa ver a enorme preocupação de Deus pela sorte dos pobres e sua rejeição por quem faz negocio com sua pobreza.
Em contraste com as duas ações anteriores, Jesus não executa ação alguma, mas se dirige aos próprios vendedores, acusando-os de explorar os pobres por meio do culto, dos impostos e da fraude do sagrado.

O templo é “casa de mercado" e aí o deus é o dinheiro. Ao chamar a Deus de meu Pai, Jesus não o identifica com o sistema religioso do templo. A relação com Deus não é religiosa, mas familiar, está no âmbito da casa familiar. A relação se dessacraliza e se familiariza. Na casa do Pai já não pode haver comercio nem exploração, sendo casa-família acolhe a quem necessita de amor, intimidade, confiança e afeto.

Jesus dá um passo a mais em seu confronto radical com o templo ao propor-se ele mesmo como santuário de Deus. Diante do poder de Herodes (quarenta e seis anos de construção do templo) emerge o poder do ressuscitado (três dias). No Reino de Deus não se requer templos, mas corpos vivos.
Estes são os santuários de Deus, de onde brilha sua presença e seu amor desde que vivam dignamente. Jesus não continua a linha religiosa tradicional. Propõe uma humanidade restaurada a partir do princípio da dignidade da vida. Sobre esta base é possível sonhar e construir outra maneira de viver e de crer.

Oração
Ó Deus da vida, Pai de bondade, que nos concedeste o Amor como lei suprema: ajuda-nos a construir uma comunidade mundial de irmãos que, mais além de toda diferença religiosa ou cultural, tem dêem sempre culto em espírito e em verdade. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

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